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Vem aí a guerra das bugigangas: a Miniso chega ao Brasil


A rede japonesa, que cresceu velozmente mundo afora somente com lojas físicas, deve abrir nove pontos em São Paulo nas próximas semanas. Um plano ambicioso que deve mexer com a concorrência


  Por Thais Ferreira 14 de Agosto de 2017 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Uma rede japonesa que vende quase tudo: artigos para cozinha, papelaria, beleza e decoração. Os produtos são importados, com preços baixos e novidades a cada sete dias. Alguns itens não chegam a custar R$10.

O modelo bate com o das lojas Daiso Japan. Mas estamos falando de sua principal concorrente: a Miniso, que está prestes a abrir suas primeiras lojas no Brasil.

A empresa promete chegar com força.

Há pelo menos nove endereços confirmados: Shopping Anália Franco, Jundiaí Shopping, Ibirapuera,Center 3, Shopping Light, Vila Olímpia, Park Shopping São Caetano, Golden Square e Shopping ABC.

Por enquanto, as datas de inauguração das lojas não foram divulgadas. Mas alguns endereços devem abrir as portas ainda neste mês.

A expansão rápida e em locais movimentados faz fazer parte da estratégia da Miniso em todo mundo.

Fundada 2013 por Ye Guofu, empresário chinês, e Miyake Junya, designer japonês, a rede foi inspirada nas lojas de 100-yen do Japão (similares às de R$1,99 brasileiras).  

Desde a inauguração da primeira unidade, a empresa investe em um crescimento agressivo.

LEIA MAIS: Conheça a Daiso Japan, a principal concorrente da Miniso

A Miniso abriu mais de 1,8 mil lojas nos últimos três anos em 40 países, entre eles Estados Unidos, Canadá, Rússia, Austrália, Coréia do Sul e, recentemente, México.

A filosofia da marca é celebrar o estilo de vida japonês, por meio de produtos simples e de qualidade.

Para se diferenciar da concorrência, a empresa vende itens com design exclusivo, desenhados e criados pela equipe comandada por Junya.

A rede faturou cerca de U$S 1,5 bilhão em 2016. A expectativa é chegar a US$ 9 bilhões e 6 mil lojas em 2020.

Miyake Junya e Ye Guofu, fundadores
da Miniso

SEM VENDAS ONLINE

A Miniso está na contramão das grandes redes de varejo. Enquanto, as que nasceram no mundo físico lutam para vencer no online, alguns e-commerces tentam se arriscar nas vendas físicas.

A empresa japonesa adotou uma estratégia incomum: é uma das poucas redes de varejo mundiais nascidas nos últimos dez anos que não vende online. E nem pretende se tornar um e-commerce.

Em entrevista recente para o jornal chinês da Cheung Kong Graduate School of Business, Guofu afirmou que as vendas físicas são o futuro e, neste sentido, está focada em melhorar cada vez mais suas lojas.

“As pessoas nunca vão se cansar de comprar nas lojas físicas”, disse na entrevista.

De acordo com o empresário, a Miniso criou um novo modelo de negócios que promete preços que realmente condizem com o valor real dos produtos. Para manter os valores acessíveis, a empresa mantém uma margem bruta de 8%.

Para atrair os consumidores às suas lojas, a Miniso investe em grande diversidade de produtos. São cerca de 4 mil itens produzidos pela marca. Há uma renovação constante em cada uma das unidades.

Com esse tripé: produtos com design exclusivo, preços baixos e experiência de compra, a empresa está crescendo em todo o mundo.

Futura loja da Miniso no Brasil

Ironicamente, um dos maiores desafios da marca é crescer no próprio Japão, onde possui apenas quatro lojas.

Isso porque há diversas redes nipônicas similares e muito mais antigas, que já conquistaram uma clientela fiel.  

Por aqui, a Miniso também deve enfrentar barreiras. Há forte concorrência. Além das tradicionais lojinhas de bairro, a Lojas Econômica, Lojas Mel e, a também japonesa, Daiso podem dificultar a expansão ambiciosa da empresa.

Agora, é esperar para ver quem irá se sair melhor na guerra das bugigangas.

 Conheça alguns produtos da Miniso: