São Paulo, 26 de Junho de 2017

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Varejo paulistano registra o pior resultado dos últimos 22 anos
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O ritmo de queda nas vendas diminuiu a partir do segundo semestre, mas não o suficiente para reverter o recuo de 8,7% acumulado ao longo do ano

O ano de 2016 definitivamente não vai deixar saudades para o varejo da cidade de São Paulo. As vendas acumularam queda de 8,7% na comparação com o resultado de 2015, que já tinham recuado 8%. Foi o pior desempenho do varejo paulistano desde o início do plano Real, em 1994.

Esse é um dado preliminar divulgado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), com base nas apurações da Boa Vista SCPC. 

O crédito escasso, o receio de perda de emprego e a queda da massa salarial fizeram o consumidor pensar duas vezes antes de gastar. Nem mesmo os descontos e promoções praticadas pelos comerciantes ao longo do ano conseguiram reverter essa situação.

Ainda que as quedas nas vendas tenham arrefecido a partir da segunda metade do ano, o resultado do primeiro semestre de 2016 foi tão ruim - com recuo de 11,1% entre janeiro e junho - que os esforços para facilitar as vendas surtiram pouco efeito no resultado do ano.

Mas para Alencar Burti, presidente da ACSP, o melhor desempenho na segunda metade do ano permite traçar um cenário mais positivo para 2017.  “Isso aponta para uma tendência de recuperação gradativa para 2017, especialmente se houver uma redução mais significativa da taxa básica de juros pelo Banco Central”, afirma Burti, que também preside a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

A queda de 8,7% nas vendas do varejo paulista é uma média das vendas a prazo, que recuaram 5,5%, e daquelas feitas à vista, com recuo de 11,8%. Os dados analisados pela ACSP levam em conta a comercialização de móveis, eletrodomésticos, vestuário, calçados, adereços e demais itens de menor valor.

NATAL

O resultado de dezembro mostrou uma queda de 7,2% nas vendas, um grande recuo, que culminou no segundo pior Natal desde o início do plano Real. Ainda assim, foi melhor do que o verificado em 2015, quando se registrou o pior Natal desde 1994, com uma queda de 14,5%.

Mais uma prova de que o varejo ensaiou uma reação no segundo semestre, mas nada que alterasse significativamente o resultado acumulado em 2016.

O Natal foi ofuscado pela Black Friday, que ocorreu em novembro e antecipou muitas vendas Natalinas. Normalmente, segundo Emílio Alfieri, economista da ACSP, as vendas de dezembro crescem em média 35% na comparação com novembro. Este ano o avanço foi menor, de 26,7%.

FOTO: Fátima Fernandes/Diário do Comércio



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