São Paulo, 25 de Junho de 2017

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Varejo mantém tendência de recuperação lenta
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Um fator que pode ter contribuído para melhora é a liberação dos recursos inativos do FGTS, segundo análise de economistas da Associação Comercial de São Paulo

Apesar da surpresa positiva do varejo em abril, uma análise mais minuciosa sugere que o varejo, assim como o resto da economia, segue em lenta marcha de recuperação. A análise é de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

Em abril, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE), as vendas do varejo restrito (que não considera veículos e materiais de construção) cresceram 1,9% sobre o mesmo mês de 2016.

Já o varejo ampliado, que inclui todos os segmentos, mostrou retração de 0,4%, na mesma base de comparação.

Na comparação mensal, livre de efeitos sazonais, houve crescimento das vendas para ambos tipos de comércio (1,0% e 1,5%, respectivamente).

Em termos da variação acumulada em 12 meses, que se aproxima do resultado anual, os varejos restrito e ampliado mostraram retrações de 4,6% e 6,3%, respectivamente, inferiores às observadas em março (-5,3% e -7,1%, respectivamente), sugerindo que a recuperação do setor continua a ocorrer, porém de forma lenta.

Na comparação com abril do ano passado, o resultado do varejo restrito surpreendeu os analistas de mercado, que esperavam queda no volume vendido, considerando-se que neste ano houve dois dias úteis a menos, além do efeito negativo da paralisação do transporte coletivo.  

Parte da explicação para este aumento pode ser creditada à baixa base de comparação do ano anterior, também contribuindo o fato de que a Páscoa em 2017 foi realizada em abril, enquanto, em 2016, foi celebrada em março.

Outro fator que pode ter incidido é a liberação dos recursos inativos do FGTS, que apesar de, em grande parte terem sido utilizados na quitação de dívidas, também podem ter se direcionado para consumo mais essencial. 

Ao mesmo tempo, o varejo restrito pode ter se beneficiado pelo aumento do salário médio, que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo IBGE, foi de 2,7% acima da inflação.

No contraste com abril do ano passado, as vendas de supermercados apresentaram crescimento de 3,5%, que também foram beneficiadas pela redução dos preços dos alimentos, em decorrência dos recordes de safra agrícola.

Outros ramos que mostraram alta foram o de vestuário, também afetados positivamente pela mudança de clima, e de artigos de uso pessoal doméstico. 

Na contramão, mantendo-se a base de comparação, ainda houve recuo nas vendas de veículos, material de construção e eletrodomésticos, possivelmente por estarem representados por itens de maior valor, num contexto de baixa confiança do
consumidor, escassez de crédito e de juros ainda elevados, apesar das últimas reduções realizadas pelo Banco Central.

FOTO: Thinkstock



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