São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

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Varejistas mantêm investimentos
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No 3º Fórum Nacional do Varejo, promovido pelo Lide no Guarujá (SP) neste final de semana, líderes do setor dizem que é hora de enxergar o país como um 'copo meio cheio'

O empresário Francisco Deusmar de Queirós, 67 anos (na foto), fundador e presidente da rede de farmácias Pague Menos, abriu 90 lojas no ano passado e planeja inaugurar mais 90 neste ano. Seu colega Ubirajara Pasquotto, presidente da Cybelar, com mais de 150 lojas espalhadas pelo interior paulista e sul de Minas, vai inaugurar mais seis. E a rede Covabra, com 12 supermercados na região de Campinas, prepara-se para entrar em Jundiaí com dois endereços.

E a crise, a inflação e os juros em alta, o dólar acima de R$ 3 e o consumidor arredio? Para os empresários que participam neste final de semana no 3º Fórum Nacional de Varejo, promovido pelo Lide (Grupo de Líderes Empresariais), no Guarujá, está na hora de a sociedade ver o país como um copo meio cheio.

Com 750 lojas e um faturamento previsto de R$ 5,2 bilhões em 2015, a Pague Menos, de Queirós, vai investir pouco mais de R$ 150 milhões em inaugurações. “Preocupado com a crise? De jeito nenhum. Estamos vendendo muita Maracugina e Lexotan (medicamentos indicados para tratar ansiedade, tensão, estresse)”, brinca.

Para ele, o ano não deve ser tão ruim quanto preveem as consultorias econômicas. “Os salários estão acompanhando a inflação, a taxa de desemprego está sob controle. Tem muita gente chorando sem necessidade”, diz Queirós. “O setor de venda de medicamentos é o último a entrar na crise e o primeiro a sair, assim como o de alimentos. Claro, alguns setores estão em situação pior, como o automobilístico. Mas é um período, o ano mal começou...”

Nascido no interior do Ceará, Queirós diz que começou a sentir o gosto pela vida de comerciante, em 1955, vendendo banana, laranja e rapadura em Fortaleza:

 “Trabalhei no mercado financeiro, fui professor de universidade, mas, em 1981, vi que o sangue do varejo corria nas minhas veias. O varejista tem que ser otimista e trabalhar. Eu trabalho 14 horas por dia e, se não fosse a minha mulher, eu trabalharia 16 horas. Eu me divirto com trabalho, tenho muito prazer quando abro uma loja e gero 20 empregos”.

 

PASQUOTTO, DA CYBELAR: 'O PAÍS NÃO VAI PARAR'/Fotos:Gustavo Rampini

 Essa é a fórmula, segundo ele, para vencer a crise. Com 140 lojas para tocar, principalmente no interior de São Paulo e Sul de Minas, o presidente da Cybelar acredita que este será um ano mais difícil, mas, a exemplo de Queirós, diz que ‘o país não vai parar’.
“Nós, por exemplo, devemos fechar este ano com crescimento nominal de 8% sobre 2014. Ninguém vai parar totalmente de consumir. Este clima de pessimismo está exacerbado por conta de incertezas políticas, que estão refletindo na economia”, afirma Pasquotto.

“Se o pessimismo dominar o empresário, ele não faz mais nada”, afirma o empresário Ronaldo dos Santos, presidente da rede de supermercados Covabra.  De 2009 a 2011, as vendas da rede cresceram muito e agora estão em ritmo menor de expansão. “Apesar de o país estar passando por um período de ajuste, nós temos de ter eficiência no nosso negócio, temos que continuar crescendo, investindo”, afirma.

Para o consultor Marcos Gouvêa de Souza, presidente da GS&MD, embora não haja quem no Fórum alardeie preocupação, a crise existe, e é forte.

“Todas as variáveis que determinam o comportamento do consumo, como confiança, taxa de juros e emprego estão comprometidas. Agora isso, no curto e no médio prazo, em 2015. Alguns setores estão melhores do que outros e, algumas empresas, vão acabar cedendo espaços para outras que vão manter planos de expansão”, afirma.

POSICIONAMENTO

O evento, que reúne os maiores varejistas do país, tem como objetivo debater os problemas e os desafios para o setor, além  de marcar um posicionamento. Neste ano, segundo Gouvêa de Souza, os líderes do varejo querem deixar claro que, mais do que a aflição com a situação econômica, há preocupação maior ainda com as questões éticas, moral e institucional do país.

“De forma geral, o varejo apreendeu a se adaptar às turbulências econômica s e financeiras, mas não está preparado para este problema de ética, moral e institucional ”, diz Gouvêa de Souza.

 



Estimativas da ACSP indicam redução de até 6% nas vendas. Para Marcel Solimeo, economista-chefe da entidade, a retomada lenta ainda não é visível devido à comparação com 2015

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