Negócios

Um (bom) negócio da China: Feira de Cantão oferece oportunidade de negócios às empresas brasileiras


Evento realizado duas vezes por ano na província chinesa movimenta US$ 30 bilhões a cada edição, e é considerado uma vitrine de negócios internacionais. A próxima será realizada em outubro


  Por Karina Lignelli 22 de Agosto de 2017 às 10:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Exportar ainda continua a ser um trâmite complexo para as empresas brasileiras – principalmente para as micro, pequenas e médias.

Mas um caminho para ampliar o foco dos negócios e apresentar seus produtos para compradores do mundo todo pode ser a participação em feiras multissetoriais.

Principalmente se essa feira for localizada na China, país em que o crescimento do comércio bate nos 6,9% - e um setor cuja participação no PIB local está acima de 50% há pelo menos dez meses consecutivos, segundo Yu Yong, cônsul comercial do Consulado da República Popular da China em São Paulo.

De olho nesse mercado, um dos mais pujantes do mundo, a São Paulo Chamber of Commerce, braço de comércio exterior da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em parceria com a China Trade Center, promoveu nesta segunda-feira (21/08) o seminário “Oportunidade de Negócios – Feira de Cantão”.

A “Canton Fair”, que está em sua 122ª edição, será realizada entre 15 de outubro a 04 de novembro na província de mesmo nome, localizada ao Sul da China.

Realizada desde 1957, a feira gera em torno de US$ 30 bilhões em negócios a cada edição – são duas por ano, realizadas na primavera e no outono chineses, em abril e outubro.

Outros números também chamam a atenção: o evento reúne mais de 24 mil expositores em 60 mil estandes, e 200 mil compradores de 210 países.  

feira de Cantão
Kfouri, da ACSP (ao centro) com autoridades chinesas

Em destaque, cerca de 150 mil produtos de áreas como eletrônicos, maquinaria, material de construção, autopeças, iluminação, TI, decoração, alimentação, vestuário e, mais recentemente, do segmento pet, entre outros.

Li Jinqi, presidente do evento chinês, lembrou que a feira, antes destinada apenas à exportação, passou a ser considerada uma "vitrine de negócios internacionais" a partir de 2007, quando finalmente abriu espaço a expositores de outros países – o que puxou também o desenvolvimento do e-commerce, hoje responsável por 47,9% das exportações, de acordo com dados de uma pesquisa sobre volume de negócios realizada junto aos participantes do evento.

Essa característica se intensificou mais ainda a partir de 2014, quando a feira ganhou uma fanpage no Facebook. “Ela se tornou um centro de promoção de produtos do mundo inteiro”, afirmou Gilberto Kfouri, conselheiro da São Paulo Chamber, citando o presidente da ACSP, Alencar Burti, que não pôde estar presente ao seminário.

A ideia de atrair empresas brasileiras para participar da Feira de Cantão é incentivar o intercâmbio entre Brasil-China, uma relação bilateral de 43 anos que movimenta US$ 60 bilhões em negócios anuais, segundo estatísticas oficiais brasileiras.

Até julho passado, houve um acréscimo de 25,3% em negócios entre os dois países – ou US$ 40 bilhões em investimentos que China trouxe para o Brasil, segundo o cônsul Yu Yong.

A iniciativa serve também para tentar mudar a imagem que muitas empresas brasileiras ainda mantêm sobre como fazer negócios com a China: hoje, o país conta com uma legislação de negócios atualizada, e atualmente integra a OMC (Organização Mundial do Comércio).

“Quando elas nos procuram e querem negociar direto com os fabricantes, e não por meio de trades, indicamos a feira: é nosso cartão de visitas para o mundo”, diz o cônsul. 

Feira de Cantão
Pavilhão de exposições: mais de 150 mil produtos do mundo todo

O evento oferece ainda serviços de consultoria, fóruns e rodadas de negócio pré, durante e pós feira, além de contar com serviço de informações e câmara de arbitragem e incentivo à inovação, com 522 expositores da área de design.

Com o slogan “inteligência e sustentabilidade”, a feira tem como objetivo atrair expositores qualificados, com produtos de alta tecnologia e valor agregado, além de promover o respeito à propriedade intelectual, segundo Li Jinqi.

Mas ainda há as peculiaridades em fechar acordos comerciais com os chineses, que vão muito além da barreira cultural e do idioma: respeito à hierarquia, distância física, negociação sem pressa e... nada de pechinchar, segundo Heitor Fiorotto, da UCB Brasil, que desde 2008 organiza missões empresariais e viagens para o evento.

"O chinês gosta de um relacionamento comercial de longo prazo", diz. "Por isso, participar da feira é uma boa forma de entender como eles pensam e negociam", conclui. 

Fotos: Canton Fair/Divulgação