São Paulo, 27 de Julho de 2017

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Sucesso da moda online é ameaçado pelo excesso de devoluções
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Falta de padronização do vestuário e indecisão do consumidor afetam a lucratividade de um setor em alta

Mesmo sendo um dos setores que têm se mantido resistente à crise, o e-commerce de moda enfrenta o desafio do excessivo volume de devoluções, aponta o diretor-executivo Pedro Guasti do e-bit e presidente do conselho de comércio eletrônico da FecomercioSP. 

De acordo com o executivo, a falta de padronização no setor de moda é o principal motivo para o elevado volume de trocas e devoluções de compras feitas pela internet. Essas operações custam quatro vezes o valor de entrega e afetam as margens do setor. 
Em média, segundo o executivo, a devolução chega a 1% das entregas e as trocas ficam por volta de 5%.

Apesar das inovações tecnológicas, explicou Guasti, as pessoas ainda fazem aquisições online sem conhecer totalmente o produto. 
Por isso, as empresa precisam adotar a logística inteligente para operações de entregas, trocas e devoluções. A análise foi apresentada durante o 2º Fórum Negócios da Moda, realizado em São Paulo.

De acordo com dados do e-bit, a categoria de moda e acessórios responde por 5,87% do volume financeiro total de e-commmerce no Brasil, mas se encontra na primeira colocação em termos de volume de pedidos feitos pela internet, com cerca de 15% do geral. Para o executivo, as operações online e offline estão cada vez mais próximas, criando uma grande rede integrada de varejo. 

TESTE DE COMPETITIVIDADE

Representante do varejo físico no evento, o presidente da Renner, José Galló, afirmou que a recessão vivida pelo Brasil está expondo o comércio a um teste de teste de competitividade, após anos de forte desenvolvimento econômico. 

JOSÉ GALLÓ, PRESIDENTE DA RENNER, NO 2º FÓRUM NEGÓCIOS DA MODA. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO CONTEÚDO

Para o executivo, para sobreviver, as companhias de qualquer porte precisam buscar um diferencial competitivo. E hoje, afirmou, o diferencial "significa fazer que o consumidor quer e gosta", o que nem sempre é o que a empresa deseja. A falta dessa aproximação gera problemas financeiros, que acabam desviando a atenção das companhias do que é primordial. 

Galló citou como exemplo de alinhamento com o consumidor a tendência do fast fashion praticado pelas marcas Zara e Forever 21. "Estamos trabalhando pesado para seguir para esse tipo de comércio. Entramos na era da velocidade. O velho tenta adivinhar o desejo do consumidor, enquanto o novo varejo dá ao consumidor o que ele quer", acrescentou. 



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