Negócios

Riachuelo obteve lucro recorde no primeiro semestre


O empresário Flavio Rocha, presidente da rede, credita o resultado de R$ 82,3 milhões às mudanças na operação de logística


  Por Estadão Conteúdo 10 de Agosto de 2017 às 09:31

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A rede varejista Riachuelo teve o maior lucro da sua história em um primeiro semestre.

Parte do grupo Guararapes, que também tem fábricas e uma empresa de crédito ao consumidor, a companhia lucrou R$ 82,3 milhões, mais do que o dobro dos R$ 36,3 milhões no mesmo período do ano passado.

As vendas da rede cresceram 8,7% entre abril e junho de 2017, maior alta trimestral desde o terceiro trimestre de 2013.

O indicador refere-se a lojas abertas há mais de um ano. A receita líquida chegou a R$ 1,6 bilhão, montante 10% mais alto que o do mesmo período do ano anterior.

Mantido o ritmo, a empresa poderá retomar os planos para inaugurações. Até a crise que atingiu a economia, no fim de 2014, a Riachuelo abria cerca de 40 lojas por ano. Este ano, serão apenas 12, além de 40 remodelações.

Flávio Rocha, presidente da rede, afirmou que ela pode "voltar à normalidade" nos investimentos, após a freada dos últimos dois anos. Segundo ele, a retomada depende também do retorno nos investimentos por parte dos shoppings.

Além do cenário econômico, com a previsão de uma pequena melhora na taxa de emprego e a redução dos juros, a empresa aproveitou a crise para se reestruturar.

No ano passado, a Riachuelo investiu R$ 200 milhões em seu centro de distribuição em Guarulhos.

"Agora, o produto vai sendo enviado à medida que a loja vende, o que otimiza cada centímetro de arara. A mudança na distribuição é o equivalente a sair do caminhão-pipa para (adotar) água encanada", disse Rocha.

Ele credita o desempenho do primeiro semestre a esse novo centro logístico, que, desde setembro, abastece toda a rede.

Com ele, as substituições de produtos nas lojas passaram a ser definidas com a informação em tempo real das vendas.

Os caminhões da rede agora visitam todas as unidades pelo menos três vezes por semana, repondo os itens mais demandados.

Esse sistema também guia a produção industrial, que pode redefinir suas prioridades pelas peças que tiverem melhor aceitação.

RASO E COM GIRO

Rocha comparou o novo modelo de atuação da companhia a um espelho d?água amplo e raso: os produtos evaporam mais rápido nas prateleiras.

O oposto seria um poço profundo, em que sobram peças antigas nas araras. A redução de estoques ajudou na melhoria da rentabilidade.

Na operação de varejo da Riachuelo, a margem cresceu 2,5 pontos porcentuais no segundo trimestre de 2017 ante igual período do ano anterior.

O lançamento da operação de comércio eletrônico também contribuiu para o resultado, embora ainda não em todo o seu potencial, já que as vendas passaram a ocorrer apenas no último mês do segundo trimestre. A operação online recebeu investimentos de R$ 28 milhões.

VÍDEO: As lições da Riachuelo para superar a crise

MUDANÇAS

O novo conceito de distribuição exigiu ainda uma mudança de mentalidade administrativa de todo o grupo Guararapes. As premiações por resultados, por exemplo, deixaram de ser feitas por setor.

O novo centro de distribuição também ganhou uma estrela: um robô de 18 metros de altura que separa os pedidos, peça a peça, e não mais por grades de tamanho. Assim, as lojas só recebem o que precisa, evitando encalhes.