São Paulo, 02 de Dezembro de 2016

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Recessão e crise hídrica já atingem a Unilever, gigante do consumo
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Para Fernando Fernandez (na foto), presidente da subsidiária brasileira do grupo anglo-holandês, a desaceleração reduzirá o crescimento a apenas um dígito

“Nosso negócio está ameaçado pela deterioração do meio ambiente”,disse nesta quarta-feira, 20, Fernando Fernandez, presidente da Unilever Brasil, em São Paulo. “Cerca de 50% da produção do nosso portfólio depende de água.”

Com esta afirmação, o executivo dimensionou o risco que a crise hídrica vivida pelo país traz para os produtos da companhia no Brasil, consumidos mensalmente em 46 milhões de residências, o segundo maior mercado da Unilever no mundo. 

Como exemplo, citou a queda de 10% nas vendas de produtos de lavagem de roupa registrada no primeiro trimestre na Grande São Paulo. Nesta categoria está a linha Omo, um dos carros-chefe da empresa. Do ponto de vista da produção, porém, Fernandez afirmou que ainda não houve prejuízos em razão de desabastecimento de água.

"Estamos com performance melhor do que a média, mas o mercado como um todo teve queda e no curto prazo vemos os volumes sensíveis na Grande São Paulo", ponderou.

 O executivo considerou que o ambiente no Brasil está mais difícil no curto prazo diante da combinação de aumento de custos, crise hídrica e queda de consumo em alguns mercados.

A Unilever projeta um crescimento de vendas da ordem de um dígito alto este ano, o que representa uma desaceleração em comparação a anos anteriores, que atingiram dois dígitos. “Mas estamos aqui há 86 anos e seguimos otimistas no médio prazo e investindo no país", declarou Fernandez, ao anunciar a abertura de uma nova fábrica, com inauguração prevista para o segundo semestre. 

SUSTENTABILIDADE NA RECEITA

Durante o evento, Fernandez apresentou um balanço de quatro anos do plano estratégico adotado em 2010, com metas mundiais para diminuir os impactos sociais e ambientais da companhia.

As metas previstas para 2020 incluem redução 50% de água e emissão de gases do efeito estufa e do nível de sal nos alimentos, além de ter 100% de controle de origem das principais matérias-primas utilizadas, como soja, óleo de palma e tomate. 

Estas medidas já estão embutidas nos novos produtos, para os quais se buscam melhorias em controle de custos e preço final, embalagens e transporte.

Entre os processos de inovação em experiência está o de condensar os produtos líquidos, apresentados em embalagem menor, com redução de 40% de água.

Duas marcas de sabão líquido para lavagem foram as primeiros a chegar ao mercado e têm o papel de educar o consumidor para os novos formatos e usos.  “Não se trata de filantropia, mas de preservação da companhia”, disse Fernandez.

PORTFÓLIO DE MARCAS DA UNILEVER

 

CRISE HÍDRICA

No entanto, mesmo tendo adotado procedimentos de redução e reuso de água em toda a cadeia de produção no país, com 35% de economia em quatro anos, Fernandez ressaltou que a Unilever não está livre das consequências de uma piora da crise hídrica, que pode chegar à suspensão ou perda da outorga de água para a atividade industrial.

De acordo com ele, a companhia tem planos de contingência para permitir a transferência da produção da região Sudeste para outros locais caso seja necessário.

Fernandez lançou um chamado para a colaboração setorial, nos moldes da que deu origem à aliança para a gestão de resíduos sólidos. Para ter a gestão racional da água e uma comunicação eficiente com os consumidores, ele considera ser indispensável a participação do governo com a criação de um marco regulatório sobre o uso da água na indústria.

“Enquanto não houver uma diretriz clara, empresas e pessoas vão continuar parados esperando”, disse. “E não podemos perder esta oportunidade única de mudança trazida pela crise hídrica.” 

As ações fora do muro da indústria, previstas no plano estratégico para o Brasil para proteger os recursos hídricos, incluem o engajamento da Unilever na luta pelo desmatamento zero e solução de 100% para o déficit de tratamento de esgoto, que afeta metade da população do país.   

INVESTIMENTOS MANTIDOS

Fernandez afirmou que a Unilever mantém o compromisso de investir no Brasil acima dos níveis da média global. De acordo com o executivo, entre 4% e 5% da receita líquida são investidos em itens como infraestrutura produtiva. Ele descartou a possibilidade de redução de postos de trabalho no Brasil.

Mesmo com a possível desaceleração do mercado, a companhia manterá o ritmo de renovação de cerca de 70% do portfólio de produtos por ano. Fernandez ressaltou que a Unilever continua a se posicionar como uma empresa que produz para toda a população e não para os 10% mais ricos. “Mais importante que concorrer, é criar mercado. Estamos levando nosso portfólio para quem não tinha acesso a estes produtos. Contamos com o varejo para isso.” 

Com Estadão Conteúdo



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