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Procura por escritórios em SP volta a crescer


A cidade teve uma absorção bruta (apenas locações, sem considerar devoluções) recorde no primeiro semestre, totalizando 457 mil metros quadrados


  Por Estadão Conteúdo 18 de Agosto de 2017 às 11:50

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O mercado de edifícios corporativos de alto padrão de São Paulo está passando por um reaquecimento neste ano, com avanço na quantidade de áreas comercializadas.

O resultado representa uma inflexão no setor, que sofreu com excesso de prédios vagos e queda dos aluguéis nos últimos anos.

No primeiro semestre de 2017, o saldo entre áreas alugadas e devolvidas (absorção líquida) ficou positivo em 83 mil metros quadrados.

No mesmo período de 2016, o saldo havia sido negativo em 29 mil metros quadrados, ou seja, havia tido mais devoluções que novos contratos de locação, segundo a consultoria CBRE, de pesquisas imobiliárias.

A cidade de São Paulo também teve uma absorção bruta (apenas locações, sem considerar devoluções) recorde no primeiro semestre, totalizando 457 mil metros quadrados. O número equivale a 70% da área comercializada em todo 2016.

"Invertemos a tendência de baixa", diz Fernando Faria, vice-presidente da CBRE.

Para ele, o reaquecimento do setor reflete o ambiente menos espinhoso da economia, com quede de inflação e juros, estabilização do nível de emprego e alta da confiança do empresariado.

O executivo também observa que a cidade ainda tem muitos espaços vagos em torres de alto padrão recém-construídas, onde os aluguéis foram reduzidos na tentativa de capturar inquilinos.

Isso atraiu empresas que, até então, estavam sediadas em edifícios antigos ou mal localizados. "O mercado brasileiro de escritórios ainda não é consolidado. Apenas um terço dos prédios de São Paulo é de boa qualidade", observa Faria, referindo-se a características prediais como presença de ar condicionado central, pé-direito elevado e lajes livres de colunas.

Para Adriano Sartori, também vice-presidente da CBRE, o mercado caminha para a estabilização, pois há menos prédios em construção. Segundo a consultoria, os prédios a serem entregues neste ano somarão 370 mil metros quadrados ao estoque de lajes corporativas. "Essa é a última grande onda do mercado. Daqui para frente, o cenário está dado", diz.

Como consequência do aumento na demanda e da desaceleração da oferta, a quantidade de espaços vagos nos prédios em São Paulo teve um leve recuo de 19,8% em dezembro de 2016 para 19,5% em junho de 2017. Nesse período, o preço médio do aluguel na cidade ficou estável. Na comparação com 2012, ápice do aquecimento no setor, os aluguéis acumulam queda de 30%.

Benefícios

O cenário de inflexão tende a fazer com que proprietários reduzam os benefícios concedidos aos locatários, como descontos, carência no pagamento de condomínio e até incentivos em dinheiro para gastos com mudança e mobiliário. Já o aumento no aluguel é algo que deve começar a ser visto em 2018, segundo empresários.

"Esperamos que haja redução desses benefícios nos próximos 12 meses", diz Pedro Daltro, presidente da Cyrela Commercial Properties.

O diretor presidente da BR Properties, Martin Jaco, também vê um início de valorização dos aluguéis a partir de 2018: "O grande volume de renegociações de contratos com inquilinos com queda no valor de locação já ocorreu". Tanto Cyrela Commercial Properties como BR Properties anunciaram, nos últimos dias, planos de comprar novos edifícios em São Paulo.

FOTO: Thinkstock