São Paulo, 23 de Março de 2017

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PIB da construção deve ter em 2015 a pior queda em 13 anos
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Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que considera empregos formais e informais, o setor já demitiu 609 mil pessoas em um ano

O enfraquecimento da economia e a queda nos investimentos de infraestrutura, aliados aos efeitos da Operação Lava Jato, têm arrastado o setor da construção civil para uma onda de demissões em massa, recuperação judicial e inadimplência.

Até o fim do ano, se não houver nenhuma reversão, o setor deverá amargar uma queda de 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB) -o pior, pelo menos, dos últimos 13 anos.

"Sem dúvida, o resultado terá impacto no crescimento econômico do País. Se nada acontecer, poderemos sair de uma recessão para uma depressão", afirma o economista Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, responsável pelo Boletim Trimestral da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop).

Ele explica que, num quadro de depressão, a queda na taxa de crescimento do País é acompanhada da desmobilização do parque produtivo.

"E é o que está começando a ocorrer, com empresas fechando as portas", afirma o presidente da Apeop, Luciano Amadio.

Nos últimos 12 meses, o setor fechou 274 mil vagas de emprego formal. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que considera empregos formais e informais, o setor já demitiu 609 mil pessoas em um ano.

Nada garante que esse movimento será interrompido em breve. Pelo contrário, a expectativa é que continue nesse ritmo, pois não há novas obras para dar impulso ao caixa das empresas, afirmam os representantes da Apeop.

Além do ajuste fiscal, que derrubou os investimentos públicos em infraestrutura, poucos projetos do novo pacote de concessão, recém lançado pelo governo federal, deverão sair do papel neste ano.

Junta-se a isso o recuo nas atividades do governo de São Paulo. Pelos dados do Boletim Trimestral da Apeop, no ano passado, o investimento total do governo paulista caiu 16% no ano passado.

"Neste momento de crise, São Paulo deveria assumir um papel de protagonismo para ajudar o País a atravessar a crise. Mas o que vemos são vários projetos parados e nenhuma iniciativa para incrementar os investimentos", reclama Luciano Amadio.

Numa pesquisa feita pela GO Associados, 93% das empresas afirmaram que houve redução nas licitações paulista do primeiro semestre de 2015. Outras 33% afirmaram que houve algum tipo de atraso nos pagamentos.

De acordo com a Apeop, algumas iniciativas do governo do Estado poderiam acelerar os investimentos em infraestrutura, como a concessão de linhas de trens metropolitanos da CPTM, trens inter-cidades e pátios de estacionamento e reforma, ampliação e modernização de escolas de ensino fundamental, entre outras alternativas.

"Esses ativos seriam de interesse do setor privado por causa do baixo risco de demanda a eles associados", aponta o relatório da GO Associados.

LEVANTAMENTO

A falta de perspectiva de novas obras tem abalado a confiança dos empresários. Para 59% das empresas entrevistadas no setor, as expectativas da economia nacional para os próximos três meses pioraram muito desde o primeiro trimestre. O mesmo sentimento foi transferido para dentro das empresas.

No fim do ano passado, 18% das companhias acreditavam que as receitas diminuiriam neste ano. Agora 48% acreditam que o faturamento vai cair.

Para 56% delas, os investimentos serão reduzidos nos próximos 12 meses. "A única variável que pode impedir que o País entre numa depressão é o investimento. Portanto, acelerar as concessões neste momento será uma decisão estratégica", afirma Gesner Oliveira. "É preciso proteger o investimento e reduzir o custeio."



Uso da capacidade instalada atingiu 53% em fevereiro, dez pontos percentuais abaixo da média histórica, de acordo com a CNI

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O indicador representa uma desaceleração do ritmo de queda na comparação com meses anteriores. Trata-se do menor recuo na comparação anual desde abril de 2015, de acordo com o IDV, que reúne as grandes redes

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