Negócios

O que os fabricantes e varejistas esperam das vendas para o Dia das Crianças


Presentes mais baratos, redução na taxa de juros e comerciantes mais confiantes podem fazer da data um termômetro para indicar o caminho da economia brasileira no último trimestre do ano


  Por Mariana Missiaggia 10 de Outubro de 2017 às 14:30

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Ao que tudo indica, o Dia das Crianças (12/10) deste ano deve confirmar a previsão de que para o comércio o pior já passou.

A comemoração, que já figura entre as seis datas mais importantes para o varejo, deve movimentar R$ 7,4 bilhões em todo o País – um aumento de 3,4% em comparação a 2016, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Nos shoppings e em comércios especializados de rua, o movimento já é maior do que em dias normais. Com duas lojas, uma em Guarulhos e outra no Tucuruvi, na Zona Norte, a Fabdré Brinquedos espera um aumento de 10% no volume de vendas deste ano.

Por trabalhar durante todo o ano com promoções, o negócio se tornou referência para os pais quando o assunto é preço.
Um dos presentes mais procurados neste ano é o lançamento da boneca Baby Alive, que está sendo vendida de R$ 599 por R$ 499.

Outro exemplo é a impressora 3D infantil, que de R$ 249 está saindo por R$ 99. Em outras lojas, o item está custando entre R$ 180 e R$ 230. De acordo com uma pesquisa do Procon-SP, o preço dos brinquedos pode variar até R$ 170 nas lojas da capital.

INDÚSTRIA

Considerado um termômetro para o Natal e também para indicar o caminho da economia brasileira no último trimestre do ano, o Dia das Crianças tem gerado boa expectativa nos comerciantes, de acordo com Eduardo Kapaz Junior, diretor comercial e de marketing da Elka, fabricante de brinquedos.

“Ao longo do ano percebemos que muitos varejistas foram se animando, bem mais do que em 2016, em relação a estoque e número de pedidos”, diz.

A expectativa da ELKA é crescer 18% em vendas aos consumidores até o próximo domingo (15/10), em relação ao mesmo período de 2016. Este ano, a empresa se concentrou em lançamentos de R$ 50 a R$ 100 para atrair o consumidor.

Para Kapaz Junior, o desempenho do Dia das Crianças certamente ditará o nível de reposições para o Natal, que deve trazer confiança para os varejistas se prepararem melhor para a data.

MOTIVOS

A projeção da FecomercioSP é que as vendas do varejo no Estado de São Paulo cresçam 8% durante o mês do Dia das Crianças, na comparação com o mesmo mês de 2016.

O conjunto de variáveis econômicas que afetam a decisão de compra melhorou em relação ao ano anterior, de acordo com a entidade.

A inflação que até outubro de 2016 estava em 7,9%, este ano está próxima a 2,5% - uma queda nos preços que permite um ganho no poder de compra das famílias. Um levantamento da entidade mostra que o preço de alguns itens caiu ou subiu abaixo da inflação geral no acumulado dos últimos 12 meses.

Outro ponto favorável, de acordo com a projeção da FecomercioSP, é a redução da taxa de juros, que influencia de uma maneira mais preponderante na venda de produtos duráveis.

No período de um ano, a Selic baixou de 14% para os atuais 8,25% ao ano. O juro médio cobrado para os consumidores, segundo o Banco Central, está próximo a 64% ao ano, enquanto há um ano a média era de 72% ao ano.

O mercado de trabalho também já esboça alguma reação. Em agosto, por exemplo, no Estado de São Paulo, foram abertas 17,3 mil vagas com carteira assinada, e no acumulado do ano, a diferença entre admitidos e demitidos esteve quase nos 110 mil.

NO INTERIOR

Com uma perspectiva mais conservadora, o comércio do interior de São Paulo ainda não enxerga no Dia das Crianças uma chance para alavancar a economia.

Com um crescimento leve ou nulo, cidades como Cruzeiro, Botucatu, Barretos, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto pretendem aumentar o volume de vendas de 3% a 5% neste ano, de acordo com Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de SP (FCDLESP).

O motivo para esse pequeno crescimento se deve à má experiência vivenciada no início de 2017.

“O primeiro semestre foi muito desfavorável, para não dizer péssimo. Já para o último trimestre esperamos alguma melhora, porém está longe de ser bom”, diz Ronaldo Bassetto, gerente geral da CDL de Botucatu.

O tíquete médio para o interior também é bem menor se comparado a outras áreas do estado de São Paulo. Comerciantes de cidades como Botucatu, Barretos e Ribeirão Preto acreditam no gasto de R$ 40 a R$ 100.

Em Taubaté, os lojistas estão um pouco mais animados. Uma pesquisa realizada pela Associação Comercial e Industrial de Taubaté (ACIT) aponta que as vendas para a data devem ter um aumento de 10%.

Informações como o tipo de presente que pretendem comprar, o valor médio, a forma de pagamento, bem como o local da compra foram levadas em consideração.

O movimento de vendas do varejo de Jundiaí deve apresentar crescimento entre 3% e 5%, de acordo com a Associação Comercial de Jundiaí (ACE Jundiaí). 

Para dar conta do movimento, uma das principais redes especializadas da cidade, a Ciranda Brinquedos, contratou 15 novos funcionários para trabalhar do dia 1 ao dia 15 nas seis lojas da rede.

FOTO: Thinkstock