São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

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Nível de confiança das pequenas e médias empresas tem queda
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Levantamentos mostram que a confiança caiu entre os pequenos e médios empresários. O comércio já planeja demitir

O índice de confiança dos empresários de pequenos e médios negócios no Brasil para o segundo trimestre atingiu 57,7 pontos, uma queda de 2% quando comparado aos três primeiros meses de 2015, segundo pesquisa do Insper/Santander. Com isso, o indicador voltou para os patamares do segundo trimestre de 2009, no auge da crise financeira internacional.

Na divisão por setores, o índice de serviços teve o maior recuo, passando de 60,3 para 58,4. No comércio, houve queda de 58,3 para 57,0, enquanto a indústria apresentou leve recuperação, passando de 58,4 para 58,9.

Segundo o professor do Insper Gino Olivares, o recuo do indicador geral no segundo trimestre foi menor que o esperado, o que pode ser explicado pelo fato de quase todos os subíndices estarem muito perto das mínimas históricas. É o caso da indústria, que se recuperou levemente após atingir patamar recorde de baixa no trimestre anterior.

Entre os seis tópicos sobre os quais os pequenos e médios empresários foram questionados, apenas no Emprego houve leve melhora, de 53,9 para 54,0. O pior desempenho foi no desempenho geral da Economia (de 51,6 para 48,4), seguido de Lucro (de 63,9 para 62,2), Faturamento (de 64,7 para 63,6), Ramo (de 61,8 para 60,9) e Investimento (de 57,5 para 57,2). Na divisão por regiões geográficas, houve melhora no Nordeste (de 57,9 para 59,8), Centro-Oeste (de 56,3 para 57,5) e Sul (56,4 para 56,7), e piora no Sudeste (de 60,2 para 57,0) e Norte (de 63,7 para 62,0). O Sudeste reponde por 47% dos entrevistados, sendo que 54% do total nacional estão no comércio.

Olivares aponta que, diferentemente do que aconteceu em 2009, desta vez o mundo está melhorando, enquanto a confiança no Brasil piora. "Além disso, o Brasil não tem o mesmo grau de liberdade para agir. Naquela ocasião foram adotadas ações anticíclicas, coisa que hoje não temos mais condição de fazer", explica.

Segundo o pesquisador, isso quer dizer que não deve ser observada agora uma recuperação tão rápida quanto aconteceu no segundo semestre de 2009. "A recuperação, se acontecer, será num ritmo muito lento. Mesmo assim, não consigo vislumbrar isso. Acho que na melhor das hipóteses a confiança para de cair".

Um dos motivos que poderia levar a um cenário um pouco mais positivo é o avanço na implementação das medidas de ajuste fiscal e a manutenção do rating soberano do Brasil pela Standard & Poor's. Essa manutenção foi anunciada no último dia 23, um pouco depois do período de coleta da pesquisa.

Olivares afirma ser curioso o fato de o cenário econômico ruim ainda ter impactado a avaliação sobre o Emprego, até porque já é possível ver reflexos em outros indicadores do mercado de trabalho. Ele explica que o subíndice também está perto das suas mínimas históricas e pode haver uma defasagem até que o contexto ruim afete a avaliação sobre esse tópico. O pesquisador aponta que a maior parte das vagas fechadas nos últimos meses é no setor industrial, enquanto grande parte das pequenas e médias empresas está em comércio e serviços.

O Insper realizou 1.328 entrevistas telefônicas. A margem de erro da pesquisa é de 1 ponto porcentual, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O indicador mede a confiança do empresário de pequenos e médios negócios (com faturamento até R$ 80 milhões) na economia brasileira.

O índice reflete as perspectivas deste grupo com relação ao futuro da economia, do seu setor e do seu próprio negócio. Os entrevistados respondem questões obedecendo a uma escala de zero a 100 pontos, onde 100 representa o nível máximo de confiança.

PIORA A CONFIANÇA DO COMÉRCIO

Outro levantamento mostra que a avaliação dos empresários sobre a situação da economia continuou piorando em março, e a visão geral é de que a atividade já debilitada desacelerou ainda mais no primeiro trimestre deste ano.

Com isso, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) caiu 7,7% ante fevereiro, ao menor nível da pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2011. Além disso, o indicador migrou pela primeira vez para a zona desfavorável, abaixo de 100 pontos. 

"A confiança do comércio continua descendo a ladeira sem freio e no escuro", diz o economista da CNC Fabio Bentes.

Além da atividade, o emprego no setor também deve ter deterioração. Segundo a CNC, 51,3% dos empresários do comércio planejam demitir nos próximos meses.

"Não vislumbramos geração de vagas no comércio este ano", afirma o economista. A entidade ainda trabalha com um saldo nulo, mas a perspectiva ainda pode piorar. "Obviamente não se pode descartar queda nas contratações", diz.

Desde o segundo trimestre de 2014, o comércio vem tendo o pior desempenho entre todas as atividades no PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país) na comparação com igual período do ano anterior. A deterioração do início deste ano, porém, deve trazer resultados igualmente ruins para o primeiro trimestre.



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