São Paulo, 29 de Abril de 2017

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Montadoras esperam proteção em novo Inovar-Auto
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As normas da nova política vão nortear as decisões de investimentos e atuação no Brasil de um grupo de novatas, formado por Audi, BMW, Jaguar Land Rover e Mercedes-Benz

A nova política industrial para o setor automotivo, que vai substituir o Inovar-Auto a partir de janeiro, está prevista para ficar pronta no fim de agosto, segundo representantes da indústria e do governo. 

O novo programa é esperado com ansiedade pelas montadoras, especialmente as marcas de luxo que abriram fábricas no País nos últimos três anos incentivadas pelo Inovar-Auto. Elas esperam uma compensação pelo fim de isenção de taxa extra do IPI.

As normas da nova política vão nortear as decisões de investimentos e atuação no País desse grupo de novatas, formado por Audi, BMW, Jaguar Land Rover e Mercedes-Benz.

Com o Inovar-Auto, criado em 2012 com regras que estimulavam a produção local e taxava ainda mais as importações, os quatro grupos investiram um total de R$ 2,4 bilhões em fábricas com capacidade para produzir 102 mil veículos de luxo ao ano.

As inaugurações ocorreram entre 2013 e 2016, em meio à pior crise econômica vivida pelo Brasil, e nem metade desse volume saiu das linhas de montagem.

Recentemente, notícias veiculadas na imprensa citaram a possibilidade de fechamento da fábrica da Mercedes-Benz, inaugurada há um ano em Iracemápolis (SP).

O presidente da montadora, Philipp Schiemer, nega a intenção. "Não investimos R$ 600 milhões para jogar no lixo; além disso vamos inaugurar em setembro ou outubro um campo de provas que recebeu investimento extra de R$ 70 milhões".

Schiemer confirma, porém, preocupação com as novas regras para o setor, principalmente num momento em que o mercado não dá sinais claros de recuperação de vendas. "É preciso achar uma fórmula de proteção e incentivo às fabricantes e isso vale para toda a indústria".

Já está certo que a sobretaxa de 30 pontos porcentuais para o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos importados, que motivou a produção local das marcas de luxo, vai acabar, até porque a medida é questionada na Organização Mundial do Comércio (OMC).

O diretor da consultoria Roland Berger, Rodrigo Custódio, acredita que as marcas premium vão avaliar se faz sentido produzir no Brasil. "Será avaliado se é mais competitivo importar ou produzir localmente, se vão renovar o portfólio, fazer novos investimentos e se trarão novas gerações de produtos ao País".

PREVISIBILIDADE

O presidente da BMW, Helder Boavida, diz que a fábrica de Araquari (SC), inaugurada no fim de 2013, opera com 50% de ociosidade e sua expectativa é que o futuro programa "permita ocupar o investimento feito, viabilizar novos projetos e dar previsibilidade para os próximos anos". Ele descarta fechar a operação.

Frédéric Drouin, presidente da Jaguar Land Rover, disse recentemente que novos projetos para estabelecer o cronograma da nacionalização do processo produtivo da fábrica de Itatiaia (RJ), aberta em 2016, só serão definidos após a divulgação da política industrial. A unidade não tem setores de pintura e de funilaria. "O que precisamos é ser mais sustentável".

A Audi também defende medida que compense o fim da isenção dos 30 pontos do IPI, mas prefere não se manifestar. Sua produção é feita desde 2015 na filial da Volkswagen no Paraná.

FOTO: Thinkstock



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