São Paulo, 26 de Fevereiro de 2017

/ Negócios

Micro e pequenas registram o pior desempenho em 17 anos
Imprimir

Levantamento do Sebrae-SP constata queda de 18% no faturamento do segmento em fevereiro. Aponta também que os empresários estão pouco otimistas com relação ao futuro dos negócios

O faturamento real das micro e pequenas empresas (MPEs) do Estado de São Paulo caiu 18% em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2014, mostra pesquisa do Sebrae-SP divulgada nesta quinta-feira, 30. Segundo a entidade, foi a maior queda porcentual para o mês de fevereiro na comparação anual desde 1998, ano em que o levantamento teve início. 

Em relação a janeiro, as MPEs faturaram 1,3% a menos. Com o resultado de fevereiro, o faturamento dessas empresas acumula queda de 16,5% no primeiro bimestre, na comparação com igual intervalo do ano passado.

Em nota, o Sebrae-SP avalia que o resultado ruim é reflexo da demanda desaquecida, em razão da confiança de consumidores em baixa, aumento do desemprego, queda do rendimento dos trabalhadores, inflação mais alta e efeitos de curto prazo das medidas de ajuste fiscal. 

"Esse conjunto de fatores tem limitado o consumo interno, o que piora o desempenho das MPEs, especialmente no comércio e serviços", informa a entidade. O levantamento aponta ainda o menor número de dias úteis em fevereiro ante março e igual mês de 2014 como um dos fatores que prejudicaram o faturamento.

Na análise por setores entre os pequenos negócios paulistas pesquisados, o comércio registrou a maior queda, de 19,1%, no faturamento em fevereiro frente um ano antes. 

Em seguida aparecem as MPEs do setor de serviços e indústria, que se retraíram 18% e 15,2% na mesma base de comparação, respectivamente. 

A pesquisa do Sebrae-SP informa também que a receita total dos pequenos negócios do Estado de São Paulo em fevereiro foi de R$ 43,6 bilhões, o equivalente a recuo de 18% na comparação com igual mês do ano passado e de 1,3% em relação a janeiro deste ano.

PESSIMISMO

O estudo revela ter aumentado o pessimismo dos empresários em relação aos próximos meses. Em março, 58% dos donos de MPEs entrevistados achavam que o faturamento da empresa ficaria estável. Eram 55% em março do ano passado. 

Já os que preveem piora eram 12% em março ante 6% um ano antes. Em relação ao comportamento da economia brasileira, 46% esperam que a situação vai piorar --nível recorde de pessimismo da série histórica, iniciada em maio de 2005. O recorde anterior tinha sido registrado em fevereiro deste ano, quando 43% tinham essa expectativa.

A pesquisa Indicadores Sebrae-SP é realizada mensalmente, com apoio da Fundação Seade. São entrevistados 2.716 proprietários de micro e pequenas empresas do Estado de São Paulo, por mês. 

No levantamento, as MPEs são definidas como empresas de comércio e serviços com até 49 empregados e empresas da indústria de transformação com até 99 empregados, com faturamento bruto anual até R$ 3,6 milhões. Os dados reais apresentados foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pelo IBGE.



Só em São Paulo, são 52,8 mil empresas devendo depósitos no FGTS de seus empregados e ex-empregados, em um total de R$ 8,69 bilhões em débitos

comentários

Os resultados da pesquisa mostram queda no ritmo de redução de atividade. O crescimento na produção ajudou o indicador de emprego industrial

comentários

Evento promovido pelo Sebrae espera atrair 150 mil visitantes, no Anhembi, e tem sugestões a partir de R$ 5 mil

comentários