São Paulo, 26 de Maio de 2017

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Lojistas planejam um circuito de compras em São Paulo
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Projeto semelhante ao existente em Londres estabelece roteiros para que vans levem consumidores para áreas culturais e de comércio a um preço único por dia

Em Londres, há décadas, o turista pode circular pelos principais pontos turísticos da cidade com uma passagem que dá o direito de subir e descer de ônibus durante 24 horas.

Os busões circulam diariamente com intervalos de cerca de 20 minutos, levando milhares de pessoas para variadas atrações turísticas, como o palácio de Buckingham, residência da rainha Elizabeth 2ª, e o museu de cera Madame Tussauds, que exibe réplicas de celebridades.

A mobilidade para explorar pontos turísticos e de compras agrada os visitantes e ainda mais os milhares de comerciantes próximos de cada ponto turístico.

Uma ideia parecida com a adotada pela capital inglesa - um exemplo entre muitos no mundo - está sendo resgatada por um grupo de lojistas dos principais polos de compra da região central de São Paulo.

Comerciantes da região das ruas Santa Ifigênia, 25 de Março e São Caetano e dos bairros Bom Retiro, Brás e Liberdade se uniram para criar o circuito de compras de São Paulo.

Em um trajeto de 16,5 quilômetros, o tour comercial e cultural, se implantado, será o maior do mundo, de acordo com os lojistas. 

O projeto consiste em cadastrar agências de viagens, bares, hotéis, restaurantes, lojas, igrejas e centros culturais e estabelecer um roteiro para que vans possam levar turistas para as áreas de compras e culturais durante todo o dia, e por um preço único.

Assim como acontece em Londres, quem vem a São Paulo para fazer compras ou visitar pontos culturais no centro terá ainda informações sobre a especialidade de cada área comercial e histórias a respeito dos pontos culturais.

A região da Santa Ifigênia é especializada em eletrônicos, material elétrico, iluminação, equipamentos de informática e de segurança. A do Bom Retiro, em vestuário em geral. A do Brás, em peças de moda, jeans, lingeries e sacarias.

Veja os locais que as vans deverão circular, de acordo com os lojistas.

A ideia de criar o circuito de compras nasceu há cerca de quatro anos por um grupo de comerciantes, antes de o país enfrentar a maior crise econômica de sua história.

O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) chegou a ver e gostou do projeto, mas não tomou as medidas que os lojistas precisavam - e ainda precisam - para que o circuito de compras saia do papel.

Para começar, será necessário que a prefeitura estabeleça os locais para as paradas de ônibus maiores e vans. O grupo tem sugestões da localização dos pontos.

“Não precisamos de dinheiro público, mas de áreas para que os veículos parem e do compromisso para melhorar as ruas, as calçadas, a iluminação e a segurança nessas regiões”, afirma Joseph Riachi, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da Rua Santa Ifigênia, um dos idealizadores do projeto.

O prefeito João Doria (PSDB), de acordo com ele, manifestou interesse em tirar o projeto da gaveta e deve marcar uma reunião com os representes dos comerciantes ainda neste mês.

 Riachi afirma que funcionários da própria prefeitura paulistana contataram os lojistas com a ideia de apoiar o projeto.

PERFIL  

Levantamento realizado pelo grupo mostra que a região que envolve o circuito de compras reúne aproximadamente 100 mil lojas, gera um milhão de empregos diretos e movimenta perto de R$ 50 bilhões a cada mês.

Quando a economia estava em expansão, cerca de 4,5 milhões de pessoas circulavam diariamente nessas áreas de compras.

“Com a crise, mesmo que este número tenha caído pela metade, estamos falando em 2 milhões de pessoas por dia, número que pode voltar a dobrar”, afirma Riachi.

Levantamento feito pelo grupo de comerciantes identificou ainda que a região da Rua 25 de Março é a primeira em receita de ICMS da cidade, seguida pela região da Rua Santa Ifigênia.

RIACHI, DA CDL DA SANTA IFIGÊNIA

 A crise abalou fortemente esses centros comerciais que estão entre os maiores polos de consumo do país.

Nas regiões da Rua Santa Ifigênia e nos bairros do Brás e Bom Retiro muitas empresas não resistiram à crise e tiveram de fechar as portas ou passar o ponto para empresários mais capitalizados.

Placas de ‘vende-se” e ‘aluga-se’ continuam espalhadas por toda a região.

Em média, o faturamento das lojas que estão nesses polos comerciais caiu 20%, de acordo com os lojistas. Mas há casos de queda bem maiores de receita.

Na General Lux, loja especializada em lâmpadas, instalada há 33 anos na Rua Santa Ifigênia, a redução  de receita atingiu 30% com a crise.

Arthur Bernaba Abduch, sócio-proprietário da loja, diz que o cliente perdeu o poder de compra, se endividou, cortou as reformas, postergou reparos e deixou até de passear nas ruas de comércio.

ARTHUR ABDUCH, DA GENERAL LUX

“Se as ruas forem seguras e tiver a facilidade de mobilidade de um bairro para o outro, os clientes vão voltar e as vendas vão aumentar", afirma. "Enquanto o marido faz compra na Santa Ifigênia, a esposa anda no Bom Retiro, sabendo que poderão se encontrar depois.”

Além de estimular as vendas, o projeto do circuito de compras recupera áreas degradadas nas regiões centras de São Paulo, na avaliação de Luiz Alberto Pereira da Silva, diretor superintendente da Distrital Centro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Para facilitar a vida de quem vem de fora da cidade para fazer compra, a ideia é que as vans possam levar as compras dos clientes para os hotéis que estarão cadastrados, uma facilidade para o cliente não percorrer as lojas com sacolas.

"Essa é uma região que tem tudo o que o consumidor daqui e de fora precisa. Não é preciso ir para o Paraguai para comprar roupa e eletrônicos baratos", afirma Riachi.

 “Se a Prefeitura autorizar, o projeto já sai do papel em 90 dias”, diz Pereira da Silva.

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CONTRA-ATAQUE AOS SHOPPINGS

Os projetos para valorização de polos comerciais de rua são sempre bem-vindos, pois oferecem uma opção a mais para o consumidor fazer compra fora dos shoppings centers, na avaliação de Michel Cutait, consultor de varejo.

“O consumidor, e de qualquer classe social, não gosta de lugar feio para fazer compra. Se o ambiente tem maior faciliade de locomoção, é seguro, agradável, com certeza vai atrair mais pessoas."

O circuito das compras, na avaliação dos lojistas, viria em boa hora para melhorar o caixa das lojas, da Prefeitura (ISS) e do Estado (ICMS). 

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FOTOS: Fátima Fernandes/Diário do Comércio 



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