Lojas colaborativas se tornam vitrine para e-commerce


Formato tem atraído os varejistas virtuais, que pagam em média R$ 500 pelo aluguel de pequenos espaços para expor seus produtos


  Por Mariana Missiaggia 04 de Agosto de 2017 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Há três anos, o conceito de loja colaborativa invadiu as principais cidades do País com a proposta de reunir diferentes negócios em um só ambiente. 

Abarrotadas de prateleiras dos mais variados tamanhos, as paredes desses estabelecimentos abrigam simultaneamente produtos de mais de uma centena de marcas.

Os custos de ocupação -de R$ 340, em média, por mês -, e a boa localização dessas lojas atraem micro e pequenos empresários ainda sem capital para investir em seus próprios pontos de venda. 

A modalidade também representa uma oportunidade para aqueles que querem testar a aceitação de produtos no mercado com baixo custo. 

A ENDOSSA EXPÕE 200 MARCAS AO MESMO TEMPO
 
Sua popularização foi captada também pelo radar de outra vertente do mercado: os varejos virtuais.

Seja para potencializar vendas, fortalecer marcas ou testar possível ponto de venda, as lojas colaborativas se tornaram autênticas vitrines para varejistas virtuais se aproximarem de seus consumidores.

Um caso entre muitos: há sete anos, o químico Célio Monção Júnior, 32 anos, sócio-fundador da Colorado, apostou em uma dessas lojas para expor os óculos que ele e o amigo David Eidelchtein, 32 anos, produziam como fonte de renda complementar.  

MONÇÃO JÚNIOR E EIDELCHTEIN, QUE COMEÇARAM COM BOX, AGORA TÊM 3 LOJAS PRÓPRIAS

A ideia de trabalhar com óculos de sol veio de um brechó online operado pela dupla. A procura pelo item era muito alta e a oferta tinha forte dependência da importação.

Inicialmente, a eles exportaram alguns modelos e fundaram a Colorado – que hoje tem produção própria das peças.

Para ganhar visibilidade, em 2010, alugaram um box pequeno de 25 cm x 60 cm por R$ 200 em uma dessas lojas colaborativas, estabelecida na rua Augusta, e deram um salto no negócio.

Atualmente, os produtos da marca estão em outros dez pontos de revenda em lojas colaborativas.

“Nos tornamos mais conhecidos, nos aproximamos de nossos clientes e levantamos capital para desenvolver a marca”, diz Monção Júnior. 

Para a Colorado, a loja colaborativa foi uma oportunidade de colocar os produtos que eram vendidos online num espaço físico com um custo acessível. 

DO BOX PARA A LOJA PRÓPRIA

Em menos de três anos, eles conseguiram algo que imaginavam estar longe de ser alcançado: a inauguração da primeira loja física.

A marca já soma três lojas físicas - todas na região da avenida Paulista, onde os primeiros óculos da Colorado começaram a ser vendidos.  Não por acaso, diz Monção Júnior.

A explicação para a proximidade entre as lojas é, justamente, a clientela formada pela Endossa - a primeira loja colaborativa em que começaram a expor. 

Histórias como a da Colorado não são incomuns, de acordo com Carlos Margarido, 32 anos, sócio-fundador da Endossa.

Marcas como a Toolstoy e Ethus, também abriram lojas físicas algum tempo depois de começar a expor na loja fundada por Margarido.

PRIMEIRA LOJA FÍSICA DA COLORADO, NA RUA AUGUSTA

Mesmo com endereço próprio, essas marcas seguem locando os pequenos espaços colaborativos para aumentar o alcance de seus itens.

No caso da Colorado, as vendas realizadas pelas lojas colaborativas representam 25% do faturamento total da marca, que em média investe R$ 1 mil por mês em cada uma dessas lojas.

TENDÊNCIA

Além de viabilzar a entrada de marcas no varejo físico, uma loja colaborativa garante visibilidade a esses pequenos comerciantes e é considerado uma tendência muito forte no Brasil.

Há dez anos, quando Margarido e seus sócios abriram a primeira loja, o imóvel tinha capacidade para abrigar 150 expositores. 

Sete anos depois, o negócio se mudou para um espaço maior na mesma rua, com espaço para 200 comerciantes. Cada um deles paga uma taxa mensal de aluguel entre R$ 200 e 800 reais.

Na primeira semana de funcionamento, a Endossa já funcionava com a capacidade lotada.

Para ter um item exposto na loja é preciso entrar em uma longa lista de espera - hoje, 500 pessoas aguardam uma vaga, de acordo com Margarido.

Para garantirem a permanência no box, os inquilinos precisam atingir metas de lucro preestabelecidas. Quem não vende três vezes o valor do aluguel perde o espaço para outro colaborador.

Tamanho sucesso transformou o negócio em franquia, ampliando para seis o número de lojas em São Paulo e Brasília.

ASSISTA AO VÍDEO: A HISTÓRIA DA ENDOSSA

FOTOS E VÍDEO: Mariana Missiaggia/DC

EDIÇÃO: William Chaussê/Diário do Comércio