São Paulo, 26 de Julho de 2017

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Lições de vida: como esse executivo se tornou um empreendedor
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No final de 2016, o paulistano Carlos Castro (na foto) criou a Diem, marca de calçados unissex como uma alternativa de trabalho enquanto tratava um problema de saúde

A carreira do administrador Carlos Castro, 33 anos, parecia ir longe.

Com menos de 30 anos, ele já acumulava passagens por empresas como Groupon, Souza Cruz e Chilli Beans - sempre ocupando cargos executivos. No último deles, na rede de varejo de óculos, era compelido a fazer ao menos 25 viagens internacionais por ano.

Tanto vai e vem e muitas horas de voo acabaram lhe rendendo um sério problema na coluna e um longo tratamento. 

Tudo aconteceu há quase dois anos, quando Castro teve de se afastar do trabalho: ficou três meses sem conseguir andar normalmente.

O administrador, então, usou essa pausa para desenvolver um projeto que há tempos vinha desenhando: seu próprio negócio. 

Sem saber em qual segmento empreender, aconselhou-se com amigos empresários, indagando sobre serviços, atendimento e produtos que eles sentiam falta de ter fácil acesso.

 A resposta foi quase unânime e surpreendeu Castro: sapatos confortáveis e com design moderno.

FORA DA CAIXA

Apesar de inesperada, Castro aceitou bem a ideia porque viu nela a possibilidade de executar a única condição que queria para o negócio que criasse: o conceito de moda sem gênero.

Oferecer produtos sem rótulos e não diretamente para um público específico, segundo afirma, é uma das principais tendências que Castro diz acreditar para o futuro do varejo. 

Durante os anos em que trabalhou como responsável pela expansão internacional da Chilli Beans, o executivo constatou que a principal identidade da marca era comercializar acessórios democráticos.

Ou seja, que podiam ser comprados por homens e mulheres independente de estilo, gênero ou orientação sexual.

Foram quase dois anos para formular a identidade visual de sua nova empresa, a Diem -um e-commerce de calçados unissex.

Durante esse período, ele também negociou com fornecedores, desenvolveu a plataforma online, definiu os 36 modelos e escolheu as matérias-primas dos sapatos, como neoprene, couro e o TPU (poliuretano termoplástico) - material utilizado para fazer cases de celulares, que de acordo com Castro é considerado a parte nobre da borracha.

Hoje, toda a produção é terceirizada a indústrias calçadistas de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e Franca, no interior de São Paulo.

Além da estética visual do calçado, o que define a Diem como uma loja sem gênero é a disponibilidade total dos modelos com numeração de 34 até 44.

DIEM OFERECE 36 MODELOS DO 34 AO 44

Com investimento de R$ 800 mil, uma reserva financeira do ex-executivo, a Diem iniciou as operações em dezembro do ano passado e comercializa, em média, sete pares.

Por enquanto, as vendas são feitas 100% online para todo o País e saem de um depósito de 100 metros quadrados ao lado do Shopping Ibirapuera. Mas Castro já planeja a abertura de um quiosque próprio em algum shopping da capital. 

Neste ano, a média de faturamento mensal da Diem é de R$ 50 mil. Se as vendas seguirem nesse ritmo, o jovem empresário espera obter o retorno do investimento em um ano e meio. 

MERCADO EMOCIONAL

Apesar de definir o Brasil como um País nada amigável para o empreendedorismo, Castro aposta nos brasileiros como consumidores.

Para o jovem, o consumidor brasileiro praticamente, salva o varejo brasileiro da ruína por ter um envolvimento emocional com as marcas de uma maneira muito mais forte que os compradores de outros países. 

Ainda que tenham um componente emocional, ele aponta que os europeus, por exemplo, agem de maneira mais racional em suas decisões de consumo.

UM DOS SAPATOS DA DIEM

De acordo com Castro, a elevada carga tributária brasileira impede a evolução de bons negócios. "Se não tiver capital de giro para se manter por no mínimo, um ano, nem aconselho a começar uma empresa".

Sobre concorrência, ele diz não estar preocupado com a consolidação de outras marcas de calçados na internet. Seu foco mirao tíquete médio, que no caso da Diem é de R$ 250.

"Não se trata de um item de necessidade básica, portanto, quem chega à Diem está a procura do consumo de produto lifestyle", diz. "O cliente tem esse valor disponível e quer investir em algo que funcione como um presente para si mesmo. Pode ser maquiagem, perfume, roupa ou um sapato da Diem".   

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