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Lei do desconto não muda a rotina do comércio da região central


A medida foi sancionada pelo presidente Michel Temer e beneficia o consumidor que paga suas compras em dinheiro. Pierre Sfeir (foto), da Festas e Fantasias, disse que nunca trabalhou com cartões


  Por Wladimir Miranda 27 de Junho de 2017 às 18:41

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


 O consumidor que pagar suas compras em dinheiro pode ter direito a desconto. É o que determina a Medida Provisória 764/2016, transformada em lei pelo presidente Michel Temer, na segunda-feira (26/06).

Além de permitir que os comerciantes cobrem preços diferenciados em um mesmo produto de acordo com o meio de pagamento, a medida torna viável a variação do valor em função do prazo de pagamento. É importante lembrar que a lei oficializa uma prática antiga, mas que não é obrigatória no comércio.

Para os lojistas da região central e da rua 25 de março, visitados pela reportagem do Diário do Comércio na tarde desta terça-feira (27/06), a mudança não mudou a sistemática de vendas.

Questionados sobre a nova determinação, todos disseram que já davam descontos para quem paga em dinheiro. É o caso de Davi Mariano, gerente de vendas de uma das franquias da Hering, na rua 15 de Novembro, no centro da Capital.

“A nova medida não mudou em nada a nossa maneira de trabalhar. Oferecemos descontos de até 5% para quem prefere pagar em dinheiro. Também temos convênios com empresas e repartições públicas da região para conceder desconto. Agimos assim para fidelizar o cliente”, afirma.

Em muitas lojas da rua 25 de março já é uma tradição a venda em dinheiro. Muitos lojistas fogem das taxas cobradas pelas operadoras de cartões e só trabalham com dinheiro.

É o caso, por exemplo, da tradicional rede Festas e Fantasias, com três lojas especializadas na venda do produto na Ladeira Porto Geral.

Com público fiel, que sempre aparece para as compras nas épocas de festas juninas, Carnaval, Halloween, Dia das Crianças e, como ocorreu recentemente, para o dia do orgulho LGBT, que tem como ponto principal a Avenida Paulista.

O libanês Pierre Sfeir, proprietário da Festas e Fantasias, não aceita cartões. Concede descontos de até 7%, dependendo do valor da compra.

“Nunca trabalhei com cartões. Aceito cheques e duplicatas. Não tenho problemas com cheques. Ninguém vai pagar uma conta de R$ 50,00, R$ 100,00 com cheque sem fundo", diz.

O lojista disse que essa escolha não tem relação com o fato de vender produtos de origem ilegal, algo que ele diz ser comum na região da 25 de Março. "Tudo o que vendo é legal, produzido na minha fábrica”.

Pierre comemora ainda o sucesso de vendas de lantejoulas e demais acessórios na Parada Gay deste ano, que foi realizada dia 18 de junho.

“As vendas para a Parada Gay foram excelentes. As nossas três lojas ficaram lotadas de clientes na sexta-feira e no sábado que antecederam a grande festa. Este evento traz lucros para a cidade. Eu posso comprovar isto”, diz.

Samara, gerente da Le Charme, loja de acessórios femininos, disse que a nova regulamentação também não alterou em nada a rotina de vendas. Samara diz que nem ficou sabendo da lei sancionada pelo presidente Michel Temer. Diz que chega a conceder descontos de até 12% para quem paga as compras em dinheiro.DESCONTOS DE ATÉ 12% NA LE CHARME.

“Claro que o volume maior são as vendas com cartões, de crédito ou débito. Mas quem preferir pagar em dinheiro tem um desconto de até 12%, dependendo do valor da compra”, afirma.

A lei também em nada influenciou no dia a dia das cinco lojas da Armarinhos Fernando. localizada na região da 25.

“Aqui, 80, 90% das compras são pagas com cartão de crédito. Mas dou desconto de 5% para quem pagar em dinheiro e consumir mais do que R$ 300,00”, afirma.

FOTOS: Wladimir Miranda