Franquias têm crescimento moderado no 2º trimestre de 2017


Queda da inflação, expansão do crédito e o saque do FGTS puxaram a alta de 6,8%, segundo a ABF. Segmento em destaque foi o de Hotelaria e Turismo


  Por Karina Lignelli 10 de Agosto de 2017 às 18:14

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


O franchising brasileiro cresceu um pouco menos, mas cresceu, e fechou o 2º trimestre de 2017 com faturamento de R$ 37,565 bilhões – uma alta nominal de 6,8% ante igual período de 2016.

Os dados são da Pesquisa Trimestral de Desempenho divulgada nesta quinta-feira (10/8) pela Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Mas, apesar de inferior ao índice registrado entre abril e julho do ano passado (8,1%), o resultado mostra que o ritmo de crescimento ainda se mantém mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador.

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Na análise de dados semestrais a alta foi de 8%, com um faturamento de R$ 74,428 bilhões.

Além de fatores externos, como a queda da inflação, expansão do crédito e até o saque das contas inativas do FGTS, a busca das redes por mais eficiência e por novos mercados mostram que o setor vem fortalecendo seu crescimento em termos reais.

“Esse desempenho mostra a capacidade de reinvenção do setor e os benefícios da operação em rede”, diz Altino Christofoletti Jr., presidente da entidade.

Christofoletti: Eficiência
do setor impulsionou
resultados

Baseada nas projeções do mercado para 2017 (PIB de 0,34% e inflação de 345%), a expectativa da ABF é de o setor fechar o ano em alta de 7% a 9%.

Para Vanessa Bretas, diretora de Inteligência de Mercado da ABF , que considerou o resultado do 2º trimestre “moderado, mas positivo”, a tendência é de relativa recuperação e estabilidade.

“As redes estão se preparando, investindo em capacitação, no fortalecimento das vendas e no desempenho das mesmas unidades. Fecharemos o ano com um crescimento considerável.”

UMA TENDÊNCIA CADA VEZ MAIS FORTE

Entre os segmentos que mais se destacaram no segundo trimestre foram Hotelaria e Turismo (10,1%) – que em 2016 sofreu bastante com a crise -, seguido por Saúde, beleza e bem estar (9,4%) e Casa e construção (8,6%).

Quando se analisa a abertura e fechamento de unidades, a pesquisa da ABF também sinaliza moderação. No 2º trimestre de 2017, o saldo entre unidades abertas e fechadas ficou positivo em 1,9% - totalizando 144.074 em operação no país.

Já no total de novas redes houve uma queda de 2% no período, com 2.979 em atuação em comparação a dezembro de 2016. Esses números refletem uma tendência de crescimento sistemático que é fruto da consolidação do setor, segundo Christofoletti.

“A perspectiva é estabilizar o número de marcas (redes) e aumentar o número de unidades para ganhar escala”, afirma.

Com isso, aumenta também a tendência dos multifranqueados (com uma ou mais unidades da mesma marca) ou dos franqueados multimarca (com unidades de redes diferentes) – um número que chega a 74,5% segundo informaram as redes à ABF no primeiro trimestre.

A estratégia, segundo a ABF, é visar lucros de curto prazo e continuar ocupando mercado para quando a economia se recuperar.

“As redes investem nesses profissionais que têm condições de oferecer uma gestão mais estruturada no desenvolvimento das marcas. Por isso a tendência é cada vez mais forte”, finaliza Christofoletti.

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