Franquias passam ao largo da crise, segundo dados da ABF


Levantamento da associação que organiza o setor mostra que nos últimos 12 meses o faturamento do franchising avançou quase 8%


  Por Redação DC 30 de Maio de 2016 às 15:30

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O setor das franquias tem se mostrado resistente à desaceleração do consumo. No primeiro trimestre do ano, o faturamento dessas empresas registrou um crescimento nominal de 7,6%, na comparação com igual período de 2015, saltando de R$ 31,3 bilhões para R$ 33,7 bilhões. 

Os números são da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Segundo Cristina Franco, presidente da entidade, um dos motivos que explicam o crescimento do setor em meio à recessão é o ticket médio, que costuma ser menor nesse tipo de negócio na comparação com o varejo em geral.

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Além disso, as franquias têm adotado ações para atrair clientes, como explica a presidente da ABF. “Frente a um cenário dos mais desafiadores, as redes buscaram alternativas, das quais destacamos promoções, campanhas de incentivo, revisão de mix de produtos, renegociação com fornecedores, identificação de novos mercados e até o desenvolvimento de novos modelos de negócios”, afirma Cristina.

O desempenho do setor tem se mostrado consistente. Nos últimos 12 meses, a receita do setor variou positivamente 7,9%.

EXPANSÃO

O setor registrou um índice de expansão de 2,9% em unidades de franquia em relação ao ano de 2015, totalizando 141.254 unidades. A variação do número de unidades no período representou um incremento de 2.911 novas operações de franchising no Brasil.

Ainda de acordo com o levantamento, 108 novas marcas ingressaram no franchising brasileiro neste primeiro trimestre do ano, elevando o total de 3.073 apurado no ano passado para 3.181 redes em março de 2016.

“Notamos um crescente interesse por modelos mais compactos ou que demandam menor investimento inicial”, afirma Claudio Tieghi, diretor de inteligência de mercado da ABF. 

Dentre os segmentos que apresentaram maior crescimento no primeiro trimestre de 2016, comparado a igual período do ano anterior, destacam-se: Acessórios Pessoais e Calçados (15%), Lavanderia, Limpeza e Conservação (15%), Serviços Automotivos (13%), Negócios, Serviços e Outros Varejos (12%) e Esporte, Saúde Beleza e Lazer (12%). 

Já Lavanderia, Limpeza e Conservação destacou-se pela demanda induzida por promoções e campanhas e pela emenda constitucional que ampliou os direitos das empregadas domésticas no segundo semestre de 2015. A expansão do segmento de Serviços

MULTIFRANQUEADOS

O estudo traz ainda o número de multifranqueados que a ABF traz a partir desta pesquisa. Conceitualmente, a ABF distinguiu os multifranqueados como aqueles que possuem duas ou mais unidades da mesma marca.

Entre as redes que responderam a pesquisa, 68% possuem multifranqueados. Segundo Tieghi, essa realidade já consolidada nos Estados Unidos e na Europa passou a ter mais expressão no Brasil, o que demonstra amadurecimento do setor e a confiança no modelo de negócios.

O levantamento da ABF mostra ainda que 65% das unidades são lojas de rua, 17% estão localizadas em shopping centers, supermercados e home office representam 4% das unidades, 1% está nos terminais de transporte e 8% estão em outros pontos.

Quanto à modalidade de operação das unidades das redes, 85% são lojas, 6% quiosques, 1% adota o conceito store in store (loja dentro de outra loja) e 8% representam modalidades diversas. 

IMAGEM: thinkstock