Negócios

Faturamento real dos supermercados sobe 1,5% em 2016


O preço da cesta de itens básicos subiu para R$ 483,10 em dezembro de 2016, o que significou um aumento de 10% sobre o valor de 2015, de acordo com a Abras


  Por Estadão Conteúdo 30 de Janeiro de 2017 às 12:35

  | Agência de notícias do Grupo Estado


As vendas dos supermercados brasileiros cresceram 1,58% em termos reais em 2016 na comparação com 2015, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

A entidade considerou que o resultado ficou um pouco acima de suas projeções, as quais apontavam crescimento da ordem de 1% a 1,2% em termos reais neste ano.

No mês de dezembro, as vendas subiram 2,23% ante igual mês do ano anterior. Já na comparação com novembro, houve alta real de 20,89%. Todos os valores foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A Abras revisou para baixo, porém, as suas projeções para 2017. Em outubro, a expectativa anunciada pela entidade era de 1,5% de alta real este ano, mas a projeção foi cortada para 1,3%.

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Em termos nominais, a alta nas vendas em dezembro foi de 8,66% na comparação com o mesmo mês de 2015. Já o resultado acumulado do ano em termos nominais é de crescimento nominal de 10,44% ante 2015.

CESTA BÁSICA

O preço da cesta de itens básicos nos supermercados brasileiros subiu 0,5% em dezembro de 2016, na comparação com novembro do mesmo ano, de acordo com a Abrasmercado, cesta composta por 35 produtos de largo consumo pesquisada pela GfK e analisada pelo Departamento de Economia e Pesquisa da Abras.

O preço total da cesta saiu de R$ 480,69 em novembro para R$ 483,10 em dezembro. Já na comparação com dezembro de 2015, o preço subiu 10,03%.

Entre as maiores altas do mês passado estão itens como cebola, cujo preço aumentou 13,43% ante o mês anterior; óleo de soja, aumento de 10,19%; e farinha de mandioca, com alta de 7,91%. Já as maiores quedas foram encabeçadas por batata, cujo preço recuou 18,18%; feijão, queda de 9,12%; e queijo mussarela, retração de 2,98%.

VAREJO

Embora o faturamento do setor de supermercados tenha crescido em 2016, a quantidade de produtos vendidos pelos varejistas caiu.

De acordo com a Nielsen, as vendas em volume de unidades recuaram 4,7% de janeiro a novembro do ano passado ante igual período de 2015 em pontos de venda como supermercados, hipermercados, lojas de vizinhança e outros varejos de pequeno porte.

O recuo no volume do varejo em 2016 se segue a uma queda que já havia sido registrada em 2015 nestes mesmos formatos de loja, da ordem de 1,2%.

De acordo com a gerente de atendimento da Nielsen, Lenita Mattar, é a primeira vez na história dos levantamentos da Nielsen que o varejo registra dois anos consecutivos de queda de volume.

A base de dados da Nielsen teve início nos anos 90, ou seja, trata-se da primeira vez em que o setor recua por dois anos consecutivos em quase três décadas.

Os números ruins para as vendas em volume não refletem, porém, os resultados do chamado "atacarejo". O formato de loja do atacado de autosserviço segue com as vendas em crescimento.

Em 2016, entre janeiro e novembro, a alta foi de 12,5% nas vendas do atacarejo ante igual período de 2015. O resultado foi influenciado pela expansão, com abertura de novas lojas no setor, segundo Lenita.

Na soma dos resultados do varejo e do atacarejo, o volume recuou 3% em 2016, segundo a Nielsen. Em 2015, a variação de todos os modelos de loja juntos havia sido de 0,1% de crescimento.

O presidente da Abras, João Sanzovo Neto, destacou que os resultados de faturamento dos supermercados este ano foram afetados pela alta da inflação de alimentos.

O setor cresceu em faturamento acima da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas o executivo destacou que o crescimento ficou muito em linha com a inflação da cesta básica de alimentos mais consumidos pelos lares brasileiros.

Os preços numa cesta de 35 produtos mais consumidos em supermercados subiram 10,03% em 2016, de acordo com levantamento da Abras e da GfK. Já a receita nominal dos supermercados no ano foi de 10,44%, muito próxima da variação dos preços. Os números da Abras não consideram os resultados do atacarejo.

Foto: Fátima Fernandes