São Paulo, 23 de Julho de 2017

/ Negócios

Falta de confiança do consumidor derruba as vendas em São Paulo
Imprimir

O varejo já acumula 6,5% de queda nas vendas do ano. Nem mesmo o Dia das Crianças conseguiu reverter o cenário ruim, que é influenciado pelo temor do consumidor com a própria situação financeira

Os varejistas da cidade de São Paulo já amargam uma queda de 6,45% nas vendas do ano, considerando a média dos resultados acumulados entre janeiro e outubro para as vendas à vista e a prazo. Os comerciantes sentem os efeitos da falta de confiança do consumidor, que não está disposto a assumir novas dívidas. 

No período, a queda acumulada nas vendas a prazo foi de 5,8%. Para as vendas à vista os números são ainda piores, com recuo de 7,1%. As informações são da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“Esse cenário decorre da queda da confiança do consumidor em relação ao emprego e da piora de sua situação financeira. Com isso, ele se sente menos confortável para comprar”, explica Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo).

Na comparação entre outubro e setembro o resultado é positivo, com alta de 4,9% nas vendas a prazo e 11,6% nas vendas à vista. O confronto entre esses meses, no entanto, é influenciado pelo Dia das Crianças, que está entre as melhores datas para o comércio. 

A alta sobre setembro não significou um bom desempenho de vendas em outubro. Isso fica evidente quando o resultado deste ano é comparado ao de outubro de 2014. Nesse confronto, há queda de 14,3% nas vendas a prazo e de 17,9% nas vendas à vista.

INADIMPLÊNCIA

Em função da entrada em vigor da lei paulista n° 15.659/2015, que estabelece novas normas para o cadastro de negativados, a Boa Vista SCPC, que fornece os dados para a ACSP, suspendeu temporariamente a divulgação dos números de inadimplência em São Paulo. 

Contestada atualmente no Supremo Tribunal Federal, a lei estabelece, entre outras normas, que as empresas enviem cartas com Aviso de Recebimento (AR) aos consumidores antes de incluir seus nomes em cadastros de inadimplência.

Um AR precisa ser entregue em mãos pelos Correios, o que aumenta em sete vezes o custo da notificação, que antes podia ser feita por carta comum. Além disso, caso o contribuinte se recuse a receber o AR, seu nome somente poderá ser incluído nos cadastros de inadimplentes caso o credor proteste a dívida em cartório, o que envolve custos.

Levantamento da Boa Vista SCPC aponta que, desde que a lei entrou em vigor, apenas 5% dos inadimplentes no Estado de São Paulo assinaram o AR, o que não revelaria a real dimensão do cenário da inadimplência. 



De forma geral, os indicadores continuam em patamares melhores do que no ano passado, mas ainda aquém do desejável de uma economia em sua plenitude, de acordo com a Fecomercio

comentários

Levantamento do SPC Brasil e da CNDL indica que 80% destes empresários não planejam tomar crédito nos próximos 90 dias

comentários

Apesar de indicadores positivos, para 71% dos entrevistados, a crise ainda afeta os negócios, constata pesquisa do Datafolha

comentários