São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

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Enferma, a Petrobras reduz plano de investimentos em 37%
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Indústria brasileira quer parte dos investimentos de US$ 130,3 bilhões. Reação de investidores na bolsa foi negativa

O plano de negócios e gestão 2015-2019 da Petrobras prevê investimentos de US$ 130,3 bilhões, o que, segundo a empresa, significa redução de 37% quando comparado ao plano anterior. A notícia fez a indústria de máquinas e equipamentos cobiçar US$ 23 bilhões do total que a Petrobras vai investir.

Já a reação dos investidores na Bolsa de Valores não foi boa. Os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) da petroleira caíram 2,73%. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) recuaram 3,41%.

Não só o plano de investimentos contribuiu para a queda nas ações. O impasse na Grécia foi preponderante para a queda do Ibovespa - o principal índice de ações da bolsa, que fechou em queda de 1,86% aos 53.014 pontos.

A estatal teve sua saúde financeira bastante complicada, em razão de investimentos equivocados e a prática de corrupção hoje apurada pela Operação Lava Jato.

Aldemir Bendine, presidente da Petrobras, disse que a companhia já demonstrou que tem acesso ao mercado nos últimos meses. Em relação à queda do preço das ações, ele afirmou que a retração não indica que o mercado não gostou do plano, mas sim que está "volátil".

Do valor previsto pela Petrobras para investir, a área de Exploração e Produção (E&P) responde por 83%, Abastecimento por outros 10%, Gás e Energia, 5%, e demais áreas, 2%. 

O plano, segundo a Petrobras, tem como objetivos fundamentais a redução do endividamento da companhia e a geração de valor para os acionistas. 

Entretanto, o documento divulgado ao mercado nesta segunda-feira (29/6) não detalhou quais são os ativos que a estatal pretende se desfazer. 

O documento mostra que o montante de desinvestimentos (venda de ativos) em 2015-2016 foi revisado para US$ 15,1 bilhões, dos quais 30% na E&P, 30% no Abastecimento e 40% no Gás e Energia. 

Há ainda esforços em reestruturação de negócios, desmobilização de ativos e desinvestimentos adicionais, totalizando US$ 42,6 bilhões em 2017/2018. 

O plano de investimentos prioriza projetos de E&P, com ênfase no pré-sal, diz a Petrobras, e nas demais áreas destinam-se, basicamente, à manutenção das operações e a projetos relacionados ao escoamento da produção de petróleo e gás natural. 

Na área de E&P, 86% serão alocados para o desenvolvimento da produção, 11% para exploração e 3% para suporte operacional. 

Ainda conforme o documento, US$ 64,4 bilhões irão para novos sistemas de produção no Brasil, dos quais 91% no pré-sal. 

No Abastecimento serão investidos US$ 12,8 bilhões, sendo 69% em manutenção e infraestrutura, 11% na conclusão das obras da Refinaria Abreu e Lima e 10% na Distribuição. 

Os demais 10% incluem investimentos no Comperj para recepção e tratamento de gás, manutenção de equipamentos, dentre outros. Por fim, a área de Gás e Energia recebe US$ 6,3 bilhões, com destaque para os gasodutos de escoamento do gás do pré-sal e suas respectivas unidades de processamento (UPGNs).

"É um plano que tem uma envergadura muito positiva. Tem valor de investimento bastante expressivo e pode dar um novo impulso para a cadeia de óleo e gás", disse o presidente da Petrobras. Ele destacou a cifra de R$ 29 bilhões a ser injetada na economia brasileira em 2015.

De acordo com o executivo, o plano de investimento foi feito com bastante ousadia. "Apesar de reduzido, o plano de investimento (2015-2019) é robusto." A empresa começará agora a trabalhar no plano de investimento de 2016.

A Petrobras afirmou taxativamente também que não tem previsão de emissão de novas ações para financiar os investimentos de US$ 130,3 bilhões previstos. A companhia confirmou ter utilizado como base para o novo plano um orçamento de US$ 206,8 bilhões para 2014-2018 e não os US$ 220,6 bilhões apresentados por Graça Foster em 2014.

INDÚSTRIA QUER PARTICIPAR

Dos US$ 130,3 bilhões que a Petrobras vai investir nos próximos cinco anos, a indústria nacional de máquinas e equipamentos espera ficar com US$ 23 bilhões, ou US$ 4,6 bilhões ao ano, disse Alberto Machado, diretor da Abimaq (Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos) para o setor de petróleo e gás natural.

O valor supera o total que os fabricantes desse segmento têm alcançado nos últimos anos, de US$ 1,6 bilhão, o equivalente a R$ 5 bilhões, considerando o real a US$ 3,10, câmbio utilizado como premissa pela Petrobras. 

"Apesar do orçamento da empresa ter diminuído, é possível ampliar as vendas dependendo da política industrial e do cumprimento da regra de conteúdo local", afirmou Machado.

A defesa da Abimaq não é exatamente pela ampliação do orçamento da Petrobras, mas pelo crescimento do volume de produtos adquiridos no mercado interno, independentemente do valor a ser investido. 

Hoje, segundo a associação, o segmento não está sendo tão favorecido porque os investimentos em grandes projetos feitos pela estatal ainda se concentram na fase de exploração, que contrata mais serviços do que bens.

Mas, o plano de negócios da petroleira demonstra que esse cenário vai mudar. A intenção é concentrar 86% do orçamento na área de exploração e produção, US$ 108,6 bilhões até 2019 no desenvolvimento da produção, o que demandará mais produtos do que serviços e, por isso, deve favorecer a indústria local.

O diretor da Abimaq afirma que há capacidade ociosa entre os produtores de máquinas e equipamentos instalados no país. 

"A indústria local está pronta para atender à demanda da Petrobras", afirma. Machado nega que o segmento tenha contribuído para que a estatal revisse a sua meta de produção de petróleo.

"As metas de produção de óleo, LGN (líquido de gás natural) e gás natural no Brasil foram atualizadas, refletindo postergação de projetos de menor maturidade ou atraso na entrega das unidades de produção, principalmente em função de limitações de fornecedores no Brasil", traz o plano de negócios da Petrobras.

Mas, segundo Machado, os atrasos ocorreram nos estaleiros e consórcios responsáveis pela construção e montagem dos navios. "Os fabricantes de máquinas e equipamentos venderam muito pouco à Petrobras nos últimos anos. O atraso não pode ser atribuído a eles", afirmou o diretor da Abimaq.

*Com informações de Estadão Conteúdo

Foto: Diego Nigro/JC Imagem/Estadão Conteúdo



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