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Empresários defendem investimentos e desburocratização


Esses foram os principais temas discutidos na reunião do Conselhão. O empresário Abílio Diniz (foto) defendeu a unificação de alíquotas do ICMS


  Por Estadão Conteúdo 21 de Novembro de 2016 às 17:24

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O empresário Abilio Diniz afirmou durante a 45ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, que as previsões para o desempenho da economia brasileira são muito ruins e que não imagina que o país crescerá em 2017. 

O Conselhão é um colegiado composto por 96 representantes da sociedade civil das mais diversas áreas de atuação, formado para discutir políticas públicas e medidas que estimulem o desenvolvimento do país, de forma a assessorar o presidente da República.

"A previsão é muito ruim. Não podemos imaginar que vamos chegar a 2017 com crescimento", disse ele, um dos maiores acionistas do grupo BRF.

Diniz defendeu a realização de reformas estruturantes no país, citando em especial a necessidade de destravar investimentos em infraestrutura e de unificar as alíquotas do ICMS, com o fim da guerra fiscal entre os Estados. 

Segundo ele, não será possível mais "fazer crescimento" com base no consumo, pois Estado e famílias estão endividadas. "Não há investimento e Estado não tem condição de investir", comentou.

Ele disse que os investidores estão sequiosos para investir no Brasil, mas é preciso aprovar essas reformas estruturantes.

A empresária Luiza Trajano, presidente do grupo Magazine Luiza, defendeu que uma das prioridades a serem discutidas pelo colegiado seja a simplificação de impostos. 

Segundo ela, se o país simplificasse impostos, as empresas poderiam ter uma redução de 3% a 10% nos custos.

"A gente teria um custo muito baixo, diminuiria muito o custo de nossas empresas. Não tem condições de a gente continuar a ter 50 advogados", afirmou Luiza, uma das 96 integrantes do Conselhão.

Segundo ela, três coisas são importantes para o Brasil retomar o crescimento: emprego, renda e crédito. "O país tem um mercado maravilhoso", disse.

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), afirmou que sua expectativa é ver a real retomada econômica do país apenas no início do ano que vem. 

No entanto, Skaf ponderou que houve uma recuperação da confiança da sociedade no governo, "criando condições para retomar os investimentos e, consequentemente, o crescimento do Brasil". 

Ele disse que já observou, desde o início do governo Temer, "um maior interesse dos investidores", tanto nacionais quanto estrangeiros.

Segundo o presidente da Fiesp, é preciso atrair ainda mais investimentos, o que terá reflexos positivos na economia, na geração de empregos e no poder de consumo do brasileiro. 

"E então entramos num círculo virtuoso", resumiu. Para ele, o "problema número 1" do Brasil é o desemprego.

REFORMA TRABALHISTA

Para Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco, o crescimento econômico brasileiro acima de 2% ao ano só será possível se três reformas forem realizadas: a trabalhista, a das regras de intermediação financeira e a política.

Setubal afirmou que a reforma trabalhista é essencial para que o país possa retomar sua capacidade de gerar empregos. 

Segundo ele, não existe hoje no Brasil uma empresa capaz de cumprir todos os detalhes formais e, se não há, é porque "há algo de errado". 

Ele afirmou que o trabalhador hoje está acuado e o passivo trabalhista cresce a cada ano.

Dentro da reforma trabalhista, o presidente do Itaú Unibanco defendeu uma flexibilização da jornada de trabalho para diferentes categorias. 

"A jornada não pode ser rígida para todos os setores", afirmou. Ele também defendeu a regra na qual o acordado entre trabalhadores e empregadores prevaleça sobre o legislado. 

"É essencial para melhorar o mercado", disse. A segunda reforma que o banqueiro defendeu foi nas regras atuais de intermediação financeira. 

Setubal afirmou que é preciso tornar "mais flexível" o direcionamento de recursos captados hoje no Brasil. "Temos grande direcionamento de recursos para fins específicos", afirmou o presidente do Itaú Unibanco. Para ele, isso reduz a eficiência da política monetária.

Setubal defendeu ainda uma reforma política para reduzir o número de partidos no país. "Isso daria mais capacidade de ação em ambiente de estabilidade política", comentou o banqueiro. 

Para ele, essas reformas são necessárias, pois só a retomada do crescimento e do equilíbrio fiscal no Brasil não são suficientes para garantir um crescimento acima de 2% ao ano.

O presidente do Itaú Unibanco afirmou ainda que a crise pela qual o país passa é profunda e fruto de vários anos de políticas equivocadas. 

"A quantidade de problemas acumulados é muito grande", disse. Para ele, a PEC do Teto e a reforma da previdência são "essenciais para retomada do crescimento".

FOTO: Estadão Conteúdo