São Paulo, 02 de Dezembro de 2016

/ Negócios

Economia fraca e impostos farão Dia das Mães ser de presentinhos
Imprimir

A ACSP projeta crescimento de até 3% nas vendas para a data. Alguns produtos que costumam ser comprados para as mães, como perfumes, chegam a ter quase 80% de impostos embutidos nos seus preços.

O Dia das Mães de 2015 deverá ser de presentinhos. A  situação econômica complicada - que afeta a renda e o emprego - segura um pouco o ímpeto do consumidor. Além disso, nesse contexto econômico, o impacto dos impostos nos preços é sentido ainda com maior intensidade.

Quem for presentear a mãe com um almoço, por exemplo, deve estar preparado para pagar mais de 32% de impostos embutidos nos preço da refeição. Se a prenda for um perfume importado, os impostos representarão 78% do preço do produto.  

Ainda assim, a sensação dos comerciantes é a de que os consumidores irão gastar menos, mas não deixarão as mães sem presentes. Segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o comércio vai registrar um ligeiro crescimento, entre 2% a 3%, na comparação com igual data do ano passado.  

 “Mesmo que a situação atual não esteja boa para o comércio, o Dia das Mães é uma data forte – conhecida como ´Natal do 1º semestre´. Além disso, o comércio está investindo bastante em promoções e publicidade”, avalia Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

 

Na última segunda-feira, dia 20, o Diário do Comércio percorreu lojas na Capital paulista para sentir o ímpeto de lojistas e consumidores. A Rua 25 de Março lotada. Os shoppings Pátio Higienópolis e Bourbon também cheios.

Ao visitar dez lojas de sapatos, bolsas, bijuterias, roupas e artigos de cozinha a reportagem constatou que as mães serão presenteadas mesmo em ano recessivo. Algumas das lojas, inclusive, já começaram a vender para elas.

Quando a economia estava em ritmo de expansão, quem faturou muito no mês de maio, além das mães, foram as operadoras e as revendas de telefones celulares, assim como a indústria e as lojas de eletroeletrônicos --no ano passado, elas ganharam televisores de tela grande, por conta da Copa do Mundo.

Este Dia das Mães, segundo os lojistas, será mais de bijuterias de R$ 25, sapatos de R$ 80, camisetas de R$ 70, nécessaire de R$ 15 e canecas de R$ 8,50. Esses são exemples de produtos que deverão ser mais procurados para as mães neste ano, segundo uma pesquisa rápida feita pelo DC ontem com os lojistas da Rua 25 de Março.

O esforço para vender produtos mais caros, no entanto, será enorme. A Global Shoes, com 18 lojas em São Paulo, por exemplo, acaba de lançar uma promoção para o Dia das Mães. Quem comprar um par de botas da marca Ramarim, que custa R$ 180, leva um chinelo Ipanema. Além da promoção, a loja decidiu fazer um treinamento especial de vendedores: eles não podem deixar os clientes saír sem uma sacola na mão.

“O país está em crise. Porém, muita loja não vende porque há funcionários acomodados", diz Lúcio Barbosa Silva, gerente da Global Shoes. "Aqui, eles têm de vender R$ 1.200, no mínimo, por mês. É treinado para isso.” A Global Shoes, localizada na Rua 25 de Março, que projeta um movimento de 4% a 5% superior ao da mesma data no ano passado.

Na Bendita Seja, loja de bijuteria da Ladeira Porto Geral, que comercializa produtos de R$ 0,99 a R$ 1.200, toda semana chegam pelo menos 50 novos produtos.

“O cliente quer novidade. Com produtos novos o tempo todo, estamos conseguindo manter as vendas”, afirma Karina Teodoro, gerente da loja. “Não sentimos nenhum movimento especial para o Dia das Mães. Mas a expectativa é vender em maio mais do que no ano passado”, diz.

 

LOJAS DE SHOPPINGS: BRINDES E CRÉDITO PARA ESTIMULAR VENDAS

Nos shoppings, as lojas também passaram a dar brindes e bônus para reforçar as vendas para o Dia das Mães. A TVZ, rede especializada em roupas femininas, oferece capa de almofada, com estampas de oncinha, para quem gasta mais de R$ 699.

A rede também selecionou dez looks com roupas e acessórios para as mães. Quem comprar um deles, tem desconto de R$ 100. Na compra de um vestido de R$ 429,80 mais um cinto de R$ 229, por exemplo, em vez de o cliente pagar R$ 658,80, paga R$ 558,80.

Com as promoções, Suelen Sakamoto, gerente da TVZ do shopping Higienópolis, espera vender 15% mais neste Dia das Mães do que em 2014. “Estamos nos mexendo. Colocamos também peças da coleção atual em promoção e trabalhamos muito para fidelizar o cliente. Estamos sempre oferecendo coquetel na loja para essa aproximação”, diz ela.

Nas redes Lola & Maria, Erva Doce e Beluga, especializadas em roupas femininas, o cliente ganha crédito. Na compra de duas peças, por exemplo, na rede Beluga, com 18 lojas, o crédito é de 2% sobre o valor da compra, para ser usado em uma compra posterior. No pagamento em cheque ou dinheiro, o consumidor ganha mais 2%.

“A crise afetou todo mundo. Mas é preciso apresentar algo diferente para os clientes. É o que estamos fazendo”, diz Adriana Jurado, gerente da Beluga do Bourbon.

A parceria entre as lojas também tem ajudado a vender mais. “Devo conversar com a gerente da Ana Pagova e da Contém 1G aqui do shopping para oferecer uma limpeza de pele ou uma maquiagem para a cliente que gasta mais de R$ 400 aqui na loja.”

Nesta semana, diz, conseguiu vender uma cinta da loja vizinha, a Hope, para uma cliente que acabou levando três camisas, uma calça e uma blusa. “Se a gente não se unir e não tiver ideias diferentes de vendas, não vamos vender”, diz.

As associações de lojistas ainda não fizeram projeções para o Dia das Mães, diferentemente do que acontece em anos quando a atividade econômica vai de vento em popa.  "Por causa da variedade de produtos e dos preços baixos, a 25 de Março exerce um certo fascínio sobre os consumidores", diz Marcel Solimeo, economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). "Nos feriados prolongados, quando as pessoas conseguem ‘enforcar’ um dia de trabalho, aproveitam para comprar, pesquisar preços ou apenas conhecer o lugar."

A Alshop (Associação dos Lojistas de Shoppings), por exemplo, informa que vai aguardar um pouco mais, assim como a Câmara dos Dirigentes Lojistas do Bom Retiro, que reúne 1.400 atacadistas e lojistas.

“Ainda não dá para prever nada. Se o setor vender igual ao ano passado já vai ser fantástico. Isso eu já posso afirmar”, diz Nelson Tranques, presidente da CDL do Bom Retiro.  “O Bom Retiro está lotado hoje (20/04), mas é preciso ver se o movimento vai se concretizar em vendas”, diz.

As informações que chegam dos lojistas, diz ele, são confusas e contraditórias. “Uns dizem que venderam mais no começo do ano e que agora as vendas estão ruins. Outros dizem o contrário. Vamos aguardar e torcer para que o Dia das Mães seja bom”.

 

SELMA RODRIGUÊS:CHEGUEI A VENDER 1.000 PANOS DE PRATO POR DIA E HOJE, 200

Há 25 anos com a mesma barraca na esquina das ruas Basílio Jafet com a 25 de Março, Selma Rodrigues de Brito, talvez possa, pela experiência, dar pistas do que será este Dia das Mães. “Criei meus três filhos com o trabalho daqui da banca. O que eu posso dizer é que a situação está ruim. Cheguei a vender 1.000 panos de prato por dia há uns anos atrás. Hoje, se chegar a 200, vou embora feliz”. Preço dos paninhos: quatro por R$ 10.

 



É a menor intenção de compra desde 2009, quando o levantamento encomendado ao instituto Ipsos pela ACSP teve início

comentários

O avanço do último mês ainda não conseguiu compensar a queda acumulada no ano, de 8,74%

comentários

A tentativa de renegociar as dívidas com os credores é o último retorno antes da falência. Redes varejistas, como a Barred´s, são as empresas que mais têm recorrido a essa alternativa

comentários