São Paulo, 11 de Dezembro de 2016

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Dono da brasileira Azul compra a TAP portuguesa
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A proposta do empresário David Neeleman foi a escolhida para o processo de privatização da companhia portuguesa. A oferta foi de 354 milhões de euros

O empresário David Neeleman venceu o processo de privatização da companhia aérea portuguesa TAP. O resultado foi anunciado nesta quinta-feira, (11/6) pelo governo de Portugal. 

O fundador da brasileira Azul propôs desembolso mínimo de 354 milhões de euros, especialmente para reforçar o caixa da companhia. Nesse valor, a compra das ações vai consumir pequena parcela: 10 milhões de euros. O outro concorrente era Germán Efromovich, controlador da Avianca.

A escolha da proposta de Neeleman foi confirmada durante reunião da cúpula do governo português nesta quinta-feira. O conselho de ministros usou três principais aspectos para a escolha do vencedor: reforço de capital, projeto estratégico e valor da transação. 

Com a operação, o consórcio liderado pelo empresário terá 61% da TAP. Além de Neeleman, o empresário português Humberto Pedrosa, ligado ao grupo Barraqueiro, faz parte do consórcio.

A TAP acumulou dívidas milionárias nos últimos anos, o que diminuiu substancialmente sua capacidade de atuação. Por isso, o consórcio vencedor propõe injetar nela no curto prazo cerca de 340 milhões de euros.

"O capital será aportado de diversas formas, mas tudo será feito em dinheiro", disse o secretário de Transportes do governo português e responsável pelo processo de privatização, Sérgio Monteiro.

"A oferta vencedora apresenta mais dinheiro e mais cedo para fazer face aos desafios de tesouraria. Esse valor de capitalização está assegurado", disse ele.

Como a grande despesa será na capitalização, o valor que ingressará no caixa do governo português com a venda das ações será de 10 milhões de euros ou apenas 2,84% do valor global da oferta.

"O valor é reduzido, mas é importante. É um valor positivo e não negativo", disse Monteiro, ao comentar que avaliações mostravam que, mesmo com o reforço de capital exigido na licitação, a TAP teria valor econômico negativo entre 36 milhões de euros e 140 milhões de euros.

A oferta do consórcio vencedor prevê ainda que, conforme o resultado financeiro da aérea em 2015, o total a ser desembolsado por Neeleman e os demais acionistas pode ser maior. 

No limite, esse montante poderia chegar 488 milhões de euros, sendo que a parcela destinada ao governo poderia alcançar até 140 milhões de euros.

Monteiro não detalhou a proposta derrotada do controlador da Avianca. A imprensa local, porém, afirma que a proposta de Efromovich previa pouco mais de 250 milhões de euros em dinheiro para o capital da companhia e o restante da capitalização da TAP seria feita indiretamente através da compra de novos aviões.

Efromovich propunha 50 aviões novos e o consórcio vencedor promete 53 novas aeronaves.

QUEM É DAVID NEELEMAN

David Neeleman é um empreendedor nato. Ao lançar a Azul Linhas Aéreas em 2008, hoje a terceira empresa do setor no país, ele já carregava no currículo três outras companhias, a Morris Air e Jet Blue, nos Estados Unidos, e a WestJet, no Canadá.

Em todas as empresas liderou a implementação de inovações, como a TV ao vivo nos vôos, o e-ticket e simuladores de vôos para treinar seus pilotos.

Neeleman é cidadão americano, mas nasceu em São Paulo. Seu pai, Gary, era correspondente no Brasil de um periódico norte-americano. Foi novo para os Estados Unidos, como evidencia seu sotaque carregado. Voltou ao Brasil pela primeira vez em 1979, como missionário em Pernambuco e na Paraíba.

Ao 20 anos já era dono de uma agência de viagens nos Estados Unidos, a IFS. Poucos anos depois, aos 24, transformou uma outra agência, a Morris Travel, em uma companhia aérea, a Morris Air, especializada em vôos fretados, que acabaria sendo vendida para a Southwest.

Com o dinheiro da venda inaugurou a WestJet Airlines no Canadá, uma companhia de baixo custo, segmento que se tornaria o nicho preferido de Neleleman. O passo seguinte seria inaugurar JetBlue nos Estados Unidos, empresa que viraria referência nesse segmento de vôos mais acessíveis.

Com a JetBlue Neeleman mostrou como poderia ser competitivo e inovador. Aboliu a refeições em seus vôos, oferecendo bolachas e doces que desfilavam em cestinhas pelas aeromoças. Foi criticado por muitos, mas a companhia ganhou mercado ao adotar um posicionamento mais humano, aproximando os funcionários dos passageiros. E ao oferecer preços competitivos, claro.

Mesmo operando no mercado norte-americano, a aproximação de Neeleman com o Brasil já existia.

 Ao final de 2008, Neeleman anunciaria sua entrada no mercado brasileiro, operando apenas aeronaves da Embraer. Apenas recentemente mesclou sua frota brasileira de jatos com modelos turbohélices ATR, produzidos na França. Neeleman chegava com capital de US$ 150 milhões, o que tornava a Azul a segunda empresa mais capitalizada do setor aéreo à época, atrás apenas da Virgen.   

O empresário trouxe para o país a estratégia de aproximação com o cliente, criando uma empresa simpática. Antes de começar a operar, fez um concurso englobando redes sociais e televisão para escolha do nome da sua companhia. Samba foi o nome mais votado. Azul vinha em segundo lugar, mas acabou sendo a opção escolhida.

Pai de nove filhos, Neeleman vive hoje entre o Brasil e os Estados Unidos, onde está sua família. Não precisaria dessa rotina, já conquistou o suficiente para uma aposentadoria tranqüila. Mas leva à sério a frase que costuma repetir em entrevistas: “o que me motiva não é o dinheiro, mas a competitividade”.

*Com Estadão Conteúdo



A participação externa foi fixada em 20%, como é hoje. A decisão deve ser publicada no Diário Oficial desta terça-feira, 26/07

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