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Dia das Crianças alegra comerciantes


Lojas da rua 25 de março, na região central de SP, lotaram para as compras de presentes para a garotada. O movimento cresceu 8% em relação ao ano passado. Sinal de que a crise está indo embora


  Por Wladimir Miranda 11 de Outubro de 2017 às 12:22

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Lojas e armarinhos que vendem brinquedos estavam lotados nos dias que antecederam a data comemorativa mais aguardada pelos pequenos.

O movimento foi intenso na Ladeira Porto Geral, em ruas próximas e, principalmente, na 25 de março. Era comum ver pessoas correndo na direção da Estação São Bento do metrô com as mãos cheias de pacotes.

O cenário na região central e no maior shopping de compras a céu aberto da América do Sul às vésperas do Dia das Crianças em nada indicava que o país enfrenta uma crise econômica.

Ou enfrentava.

O gerente da loja matriz da Armarinhos Fernando, Ondamar Ferreira, há 29 anos no cargo, não tem dúvidas de que a crise acabou. São quatro unidades da Armarinhos Fernando na 25 de março e uma na Carlos de Souza Nazareth, na mesma região.

“Este ano o movimento cresceu 8% em relação ao mesmo período do ano passado. É impressionante. As pessoas entram aqui e nem pesquisam preços. Escolhem o que querem e vão para o caixa pagar”, conta.

A Armarinhos Fernando é especializada em bazar, brinquedos, papelaria, perfumaria, utilidades domésticas, artigos para cama, mesa e banho e cutelaria. Suas lojas ficam lotadas no Natal e nos períodos que antecedem a volta às aulas e o Dia das Crianças.

Nos últimos anos cresceu muito o número de pessoas que vão à 25 de março para as já tradicionais compras coletivas. Chegam com listas de compras do condomínio onde moram ou até mesmo de creches e escolas. Chegam a gastar até R$ 5 mil e saem carregadas de caixas e sacolas de brinquedos.

Este ano, as chamadas compras individuais subiram de patamar. Em 2016, o tíquete médio de quem fazia compras nas unidades da Armarinhos Fernando era de R4 142,00. Em 2017, o tíquete médio pulou para R$ 160,00.

“85% do gasto do tíquete médio são com brinquedos”, diz Ondamar.

Bolas e patinetes para meninos, e bonecas para as meninas encabeçam as listas de preferência do Dia das Crianças de 2017.

A boneca LOL é atração desta primavera. O preço dela no mercado de brinquedos gira em torno de R$ 156,00. Na Armarinhos Fernando estava sendo vendida a R$ 94,90. A procura foi enorme e não tem mais LOL nas cinco unidades da varejista. A boneca disputada agora é a Baby Alive, vendida por R$ 139,90.

LOJAS DO CENTRO

Todas as outras lojas que vendem brinquedos estavam tomadas às vésperas do feriado do Dia das Crianças. Quem preferiu evitar os atropelos da região da 25 e andou um pouco em outras ruas da região central encontrou uma boa alternativa.

A Toy Mania, que fica no número 36 da Praça Manoel da Nóbrega, nas proximidades da Rua Boa Vista, resolveu fazer uma promoção bastante chamativa. Cortou pela metade os preços dos brinquedos cujas embalagens apresentavam alguma avaria.

Identificado com uma etiqueta de cor laranja, o brinquedo pode ser comprado com 50% de desconto. O kit do Batman, por exemplo, que custa R$ 119,60 com a embalagem intacta, com uma pequena avaria na caixa, sai por R$ 59,00.

“A procura está sendo muito grande, principalmente na hora do almoço e na saída do trabalho. Esta semana o movimento aumentou mais de 60%”, diz o gerente da loja, Eduardo Carvalho.

A Toy Mania também vende pela internet. “O nosso forte são as vendas pelo comércio eletrônico. Temos uma grande procura pelos nossos produtos o ano inteiro”, afirma Eduardo.

DE ACORDO COM A PROJEÇÃO

O otimismo dos comerciantes e o movimento intenso de consumidores nas lojas confirmam a projeção da FecomercioSP de que as vendas do varejo cresceriam em torno de 8% durante o mês do Dia das Crianças, em relação ao mesmo período de 2016.

A queda da inflação em comparação a 2016 é um dos aspectos que colaboraram para o aumento das vendas. Em 12 meses até outubro do ano passado a inflação era de 7,9%.

Este ano, no mesmo período acumulado está próxima de 2,5%. A redução da taxa de juros também é um dado positivo.

Em um ano, a Selic baixou de 14% ao ano para os atuais 8,25% ao ano. Segundo o Banco Central, o juro médio cobrado para os consumidores está próximo a 64% ao ano.

Em 2016, a média dos juros do crédito para consumidores era de 72% ao ano.

FOTO: Wladimir Miranda/Diário do Comércio