Negócios

Consumidor sem medo é o melhor presente para os empresários


Para Sergio Dinov (foto), presidente da Puket, atualmente é necessário transformar produtos em "objetos de desejo", na tentativa de driblar os temores gerados pela recessão


  Por Italo Rufino 21 de Julho de 2016 às 13:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Como recuperar a confiança do consumidor? Essa é a pergunta que ronda a mente de Sergio Dinov, presidente da Puket, rede varejista de pijamas, meias e acessórios. E a solução prática para essa indagação seria o melhor presente que o executivo poderia ganhar no Dia do Comerciante, comemorado sábado passado (16/07). 

“Hoje, vivemos uma desconfiança causada pela incerteza política e econômica do país”, afirma Dinov. “Isso faz com que o consumidor fique acuado e não consuma.”

E o brasileiro tem motivos para ficar temeroso. Em abril, a taxa de desemprego chegou a 11,2%. O valor médio real recebido pelo trabalhador também teve retração, uma queda de 4,3% em comparação com o mesmo período de 2015. 

Nas palavras do executivo, o humor do consumidor pode começar a melhorar a partir de agora, desde que a nova equipe econômica do Governo apresente medidas que permitam a retomada do crescimento. 

“Seria o melhor presente para todos os empresários“, diz Dinov, que comanda uma empresa com mais de 160 lojas e 1.500 funcionários. 

Na Puket, a estratégia adotada é buscar melhoria e diferenciação nos produtos – e fazer com que o consumidor tenha desejo pelas peças multicoloridas da marca. Parece que está dando certo. Em 2015, as receitas cresceram 9% -- a Puket não revela o valor de faturamento. 

A empresa também está se internacionalizando. Há operações na Angola, Colômbia, Bolívia, Panamá, Qatar e Dubai. Nos próximos meses, serão inauguradas lojas na Coreia do Sul e na Arábia Saudita. O foco é não depender apenas do mercado interno. 

“Não podemos ficar de braços cruzados esperando as soluções para a crise”, afirma Dinov. “Pois, quando elas vierem, serão para todos, inclusive para os nossos concorrentes.” 

LOJA DA PUKET: CLIENTE TEM QUE DESEJAR O PRODUTO/DIVULGAÇÃO

UMA CESTA DE PROBLEMAS NO VAREJO DE VESTUÁRIO 

E quais têm sido os efeitos da crise no varejo de vestuário? Inúmeras. A queda no volume de vendas tem feito os varejistas recorrem a esforços promocionais para atrair o consumidor.

Ao reduzir os preços, a margem encolhe. Paralelamente, devido à inflação, os custos operacionais, reajustes salariais e de contratos com fornecedores corroem ainda mais o lucro.

Outro problema é a concorrência desleal causada pelo mercado informal. Parte dos profissionais que foram demitidos e não conseguiram recolocação no mercado de trabalho estão migrando, por necessidade, para a informalidade. 

“Nos grandes centros urbanos é visível o aumento de camelôs, sacoleiros e vendedores ambulantes”, diz afirma Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex). 

No início de junho, por exemplo, a Receita Federal apreendeu 210 toneladas de produtos falsificados no bairro do Brás, um dos maiores polos de varejo popular de São Paulo. De acordo com estimativas da Receita, o valor dos produtos chegaria a R$ 70.000 milhões. 

O RETORNO DA ESPERANÇA 

De acordo com Lima, os empresários do setor estão mais otimistas com o segundo semestre do ano – período em que as vendas aumentam devido à chegada da coleção verão e em função de datas comemorativas, como Dias dos Pais, Dia das Crianças e Natal. 

LIMA, DA ABVTEX: EMPRESÁRIO ESBOÇA OTIMISMO/DIVULGAÇÃO

No entanto, o período requer alguns cuidados. Ao lançar uma nova coleção, é importante que as peças não tenham apelo de moda muito marcante. 

“O consumidor está comprando menos e com menor frequência”, diz Lima. “Então, ele deseja roupas que sejam duráveis, tanto na qualidade quanto no estilo, para que ele possa usar em diferentes ocasiões, como lazer e trabalho”. 

Há também uma recente migração de consumidores para marcas e lojas de categorias inferiores as que estavam acostumados. Por exemplo, clientes de alta renda, que faziam compras fora do país e frequentavam lojas de luxo, estão aos poucos experimentando lojas focadas em atender a classe média. 

“O importante é surpreender positivamente esse novo cliente com uma experiência de compra que gere fidelização”, afirma Lima.

LEIA OUTRAS REPORTAGENS DA SÉRIE: 
Dono do Prazeres da Carne implora por menos impostos
Eles sonham com o fim do desemprego e a volta da confiança
Telhanorte quer concorrer com varejo formalizado e eficiente
Menos burocracia e mais eficiência logística. É o que pede a Netshoes