São Paulo, 26 de Setembro de 2016

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Comerciantes pressionam por desconto no aluguel para driblar a crise
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Bruno D´Errico, lojista da galeria Ouro Fino (foto), diz que só não fechou as portas porque conseguiu desconto de 30% na locação do imóvel

Os custos para abrir as portas de uma loja estão mais caros, com os aumentos das tarifas de energia elétrica e água. Ao mesmo tempo, o fluxo de clientes foi reduzido. O que fazer para não entregar literalmente os pontos neste período de baixíssimo consumo?

Os lojistas de rua e de shopping centers decidiram recorrer à renegociação de contratos de aluguel ainda em vigor --uma ação considerada completamente descabida nos tempos do “boom” imobiliário de três anos atrás.

“É preciso equilibrar a balança. Não adianta os proprietários dos imóveis colocarem a corda no pescoço dos clientes. É preciso agir, neste momento, como em um casamento. O valor do aluguel tem de ser bom para as duas partes”, diz Adriano Gomes, sócio-diretor da Moises Gomes, uma das mais tradicionais imobiliárias dos Jardins.

As renegociações de contratos têm resultado em descontos de até 30% nos preços dos aluguéis, dependendo do ponto comercial, segundo imobiliárias consultadas pelo Diário do Comércio. E esse corte nos preços tem evitado o fechamento de muitas lojas em São Paulo, de acordo com os lojistas.

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A formalização da redução de preços é feita, geralmente, de duas formas. Faz-se um aditamento do contrato, especificando o período em que o preço do aluguel será menor, ou, simplesmente, uma emissão de boletos com os valores reduzidos. Cabe às partes decidir a melhor forma.

As imobiliárias estão sendo procuradas para ajudar na definição de valores mais reduzidos, já que as negociações entre inquilinos e proprietários de imóveis ficaram mais tensas. Há casos em que é preciso até o envolvimento de um perito judicial para por fim às pendengas.

Uma das mais tradicionais imobiliárias do Bom Retiro, a Hai renegociou 15% de sua carteira de imóveis comerciais alugados no bairro desde o início deste ano. Os descontos nos contratos de locações que administra variam de 10% a 15%.

“Os preços dos aluguéis subiram demais nos últimos anos. No Bom Retiro, há casos em que o custo da locação chegou a dobrar durante o período do boom imobiliário. Agora, os valores estão se adaptando à nova realidade do mercado”, afirma Adriana Weizmann, sócia-diretora da Hai.

Com duas lojas na galeria Ouro Fino e uma na rua Augusta, a Fockstore, especializada em roupas e acessórios para os amantes do rock, só não fechou as portas porque, no caso de um dos pontos, conseguiu um desconto de 30% no aluguel.

“Pagava cerca de R$ 4 mil por mês. O preço caiu para menos de R$ 3 mil mensais. Não teve outro jeito, pois o faturamento da loja diminuiu entre 35% e 40% neste ano sobre igual período de 2014”, diz Bruno D´Errico, dono da Fockstore.

Em outra loja da marca, que fica na rua Augusta, ele já não obteve o mesmo sucesso. “Só consegui que o proprietário não reajustasse o preço neste ano. A crise veio de uma forma avassaladora”, afirma.

SHOPPINGS

Nos shoppings centers, as negociações para revisão de contratos estão difíceis. Quase diariamente, as superintendências dos empreendimentos recebem a visita de lojistas que desejam a revisão dos contratos.

“Algumas despesas dos comerciantes são fixas, como IPTU, energia, água gelada para ar condicionado, condomínio, fundo de promoção e propaganda. O que ainda dá para negociar são os aluguéis”, afirma Nelson Kheirallah, coordenador do Conselho de Varejo da Associação Comercial de São Paulo.

Kheirallah diz que não está nada fácil para os comerciantes convencer os empreendedores de shoppings reduzir os preços da locação. “O que estamos percebendo é que o desconto só sai quando os administradores percebem que o lojista não vai sobreviver, se não houver a redução do aluguel”, diz.

Neste período em que o corte de custos torna-se essencial para a sobrevivência do negócio, os lojistas também querem mais transparência em relação ao que pagam de condomínio.

“Tem empreendedor que cobra entre R$ 60 e R$ 70 o metro quadrado de condomínio. Outros cobram R$ 120. Os shoppings que cobram mais alegam que possuem mais escadas rolantes do que outros. Só que têm shoppings com muita escada rolante que cobra R$ 60 o metro quadrado. O varejista quer um relatório analítico, não sintético das despesas”, afirma Kheirallah.

 



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