Negócios

Brasileiros buscam inovação em feira gourmet


Empresários do setor de alimentação participaram de evento em Nova York, que reuniu experiências gastronômicas de 60 países


  Por Mariana Missiaggia 15 de Julho de 2015 às 00:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


De olho em inovação, um grupo de 40 empresários do Estado de São Paulo foi a Nova York, nos Estados Unidos, visitar uma das maiores feiras do setor de alimentos e bebidas gourmet do mundo - a Summer Fancy Food.

Além de trazer novidades para o setor gastronômico, uma das propostas da feira é aproximar produtores, distribuidores e importadores através de 2,8 mil expositores de 60 países. Lá, os empresários brasileiros tiveram a oportunidade de conhecer o que há de mais novo no ramo. O evento aconteceu nos dias 28, 29 e 30 de junho.

BALDUCCI´S NASCEU DE UM PEQUENO EMPÓRIO E SE TORNOU SUPERMERCADO GOURMET/ FOTO: SEBRAE

Em parceria com a ACSP (Associação Comercial de São Paulo), o Sebrae-SP  também levou o grupo de empresários para diversas visitas técnicas a lojas especializadas e restaurantes que se tornaram referência. Eles conheceram detalhes de lojas como a Balducci´s, que existe há 100 anos, começou como uma mercearia e hoje, é um grande mercado de produtos gourmet do mundo todo. Lojas com fama mundial como a Magnolia Bakery, Carlos Bakery, e Rice to Riches, também fizeram parte do roteiro.  

Gustavo Marques, gerente do Sebrae-SP, acompanhou a missão, que segundo ele, foi uma grande oportunidade para promover novas perspectivas através da comparação de produtos, serviços, e práticas empresariais.

“Durante as visitas técnicas foi possível ver como os americanos valorizam a produção local e sua matéria-prima. Eles colocam até a foto do produtor no rótulo", diz. “Eles se preocupam com uma apresentação visualmente bonita.” 

A maneira como o mercado americano estimula todos os sentidos humanos foi um dos pontos destacados pelo gerente do Sebrae-SP. “O cliente consome pelos olhos, pelo cheiro, pela sonoridade, pela experiência, para finalmente chegar ao sabor. Qualidade, preço e variedade, só interessam quando o produto tem um diferencial”, diz. “O produto tem que contar uma história, e dizer algo sobre os valores da marca - criar conexão e identidade com o público.”

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EXPERIÊNCIA

Boleira há 30 anos, Sueli Martins Keiler, 57 anos, espalhou sua loja “Sueli Bolos” por sete cidades do interior paulista e é uma das novatas no franchising. Sueli foi uma das selecionadas pelo Sebrae-SP para conhecer a exposição americana. 

SUELI SE ENCANTOU COM DOCERIAS AMERICANAS DURANTE A SUMMER FANCY FOOD/ FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Habituada a frequentar somente feiras nacionais, a doceira se encantou com o que viu, e já deu início às modificações no cardápio de seu negócio. “Achava que como doceria, a loja estava limitada aos bolos. De imediato, vamos incluir cupcakes e salada de frutas. E tudo feito com muito capricho, do jeitinho que vimos lá (NY).”

Esse capricho a que Sueli se refere foi considerada por unanimidade entre os visitantes que se surpreenderam com a apresentação dos produtos e a ambientação das lojas visitadas. “Minha vontade era desmontar as lojas e começar tudo de novo. Todo microempreendedor deveria ter suas primeiras noções de mercado a partir daquele modelo de feira, que foi muito além das minhas expectativas.”

 TENDÊNCIA

Os alimentos regionais, orgânicos e naturais apareceram na feira como uma tendência internacional, que tem modificado hábitos e produtos nos EUA. 

ALIMENTOS SAUDÁVEIS SÃO CONSIDERADOS TENDÊNCIA/FOTO:SEBRAE

De acordo com Renato Sabaine, do Consulado Americano em São Paulo, as redes de fast food também estão adaptando seus pratos para a versão naturalista, pois a preocupação em consumir alimentos saudáveis e geneticamente inalterados é maior e mais ampla nos EUA, diferente do Brasil, que tem esse hábito restrito as classes A, B, e C. 

“Os jovens de 15 a 35 anos estão menos preocupados com calorias e mais preocupados com resquícios químicos. Dão preferência a produtos sem glúten, lactose e açúcar. Sem dúvida, eles ditam regra no consumo de alimentação.” 

Para Sabaine, tudo o que foi visto na feira pode e deve ser adaptado ao paladar brasileiro. “O americano tem uma visão funcional do negócio e faz o espaço funcionar bem, e o atendimento tem agilidade e identidade. Pode parecer mínimo, mas faz a diferença.” “Os americanos não vendem alimento, eles vendem conceito”, diz. 

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COMO SERVIR

Francisco Alvarez, 55 anos, professor de marketing da USP (Universidade de São Paulo), que também acompanhou a feira, destaca a importância de os empresários tratarem a feira como um panorama mundial para agregar valor aos seus negócios. 
“O brasileiro se preocupa com o quê vai servir, mas não como vai servir. Os empresários reconhecem que falta atenção aos detalhes. Recuperar a identidade, e a história dão credibilidade. Evidenciar que os produtos usados são da região também é muito importante.”

Para Alvarez, ainda falta identidade cultural para o setor de alimentação brasileiro. “Registrar a sua origem e tradição de maneira clara, criar um encantamento e motivação para o cliente chegar até você, e um ambiente motivador para o consumo são algumas das lições que esses empresários aprenderam.”