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Black Friday impulsiona vendas de bens duráveis em novembro


Smartphones e eletroportáteis foram alguns dos itens mais procurados. Crescimento atingiu 5,8% ante igual mês de 2015, de acordo com o Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)


  Por Karina Lignelli 01 de Dezembro de 2016 às 21:20

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


O comércio paulistano fechounovembro com resultado animador para um ano que castiga o setor. De janeiro a novembro, as vendas a crédito e à vista acumulam perdas de 5,1% e de 12,7%, respectivamente, sobre igual período de 2015.

Em novembro, isso se deu, particularmente, graças ao efeito-calendário (um dia útil a mais) e, principalmente,ao impacto da Black Friday, que nesta edição obteve maciça adesão do comércio popular de rua e dos shopping centers, além do comércio eletrônico, que já vinha registrando altas taxas de expansão.

Com isso, o movimento de vendas a prazo obteve um crescimento de 5,8% ante igual mês de 2015, como revela o levantamento Balanço de Vendas, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Para ter uma ideia, o percentual de crescimento foi ainda superior se comparado com outubro passado. As vendas à vista e parceladas cresceram, em média, 7,2%. Esse excelente desempenho foi puxado pela comercialização a prazo de bens duráveis (smartphones, eletroportáteis e artigos de informática), que registrou variação positiva de 4,4% ante o mês anterior. 

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“É um aumento significativo", afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). "Não podemos, porém, projetar o mesmo desempenho para o Natal, uma vez que os consumidores podem ter antecipado durante a Black Friday as vendas de fim de ano”,

Em 2015, o levantamento Balanço de Vendas apurou que o Natal fechou em queda média de 14,5% -o pior resultado do Plano Real o que pode sugerir que a queda de 2016 deve ser mais fraca. “Está nas mãos do consumidor. Depende do valor que está disposto a gastar”, diz Alfieri.

Outro fator pode gerar flutuações nas previsões de queda de 6% no ano: um levantamento da entidade mostra que 22,5% dos consumidores não haviam decidido o que fazer com a primeira parcela do13º salário.

Já outros 17,9% se mostraram indecisos quanto ao destino da segunda parcela. As incertezas econômicas deixam as famílias sem saber o que fazer com o dinheiro extra, de acordo com o economista.

POUCAS VENDAS

Em relação às vendas à vista, o crescimento atingiu 10% em novembro ante outubro, impulsionada principalmente pela expansão da Black Friday nas lojas de rua e nos shoppings

As variações de temperatura não ajudaram a deslanchar os estoques da coleção primavera-verão e moda praia. Também o menor volume de ofertas de peças de vestuário na Black Friday fez com que as vendas à vista recuassem 10,2% ante novembro de 2015.

No ano passado, esse indicador registrava uma queda ainda maior, de 12,7%. Com a chegada do verão, as perspectivas de melhora no desempenho de vendas se justificam.

“Em pesquisas, os consumidores já antecipam que comprar roupas e calçados será sua prioridade de consumo no final de ano”, diz Alfieri. 

FOTO: Rafael Arbex/Estadão Conteúdo