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Aos 70 anos, marca de brinquedos se reinventa sem perder a tradição


A Xalingo – conhecida pelos produtos que marcaram a infância dos brasileiros, como o Brincando de Engenheiro (na foto) – investe em brinquedos sem gênero e tecnológicos para agradar as novas gerações


  Por Thais Ferreira 11 de Outubro de 2017 às 13:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Você pode até não conhecer a marca de brinquedos Xalingo. Mas é pouco provável que tenha passado a infância incólume aos blocos de montar, do Brincando de Engenheiro, ou aos triciclos coloridos.  

Neste ano, a empresa completa 70 anos de uma história que começou com os irmãos Xavier e Lindolfo Braunger e o sócio Ingo Ebert. A união das primeiras sílabas dos nomes deu origem ao termo Xalingo.

Em 1947, a produção se concentrava apenas em artefatos de madeira, principalmente em chapas litográficas para escolas.

Alguns anos mais tarde, a empresa começou a produzir brinquedos, como quebra-cabeças e dominós. O Brincando de Engenheiro, um dos maiores sucessos da empresa e até hoje um dos carros-chefe, entrou no catálogo há cerca de 60 anos.

Hoje, são cerca de 650 produtos, produzidos na fábrica de mais de 32 mil metros quadrados, na cidade de Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul.

Os brinquedos são vendidos em 14 mil pontos de venda, tanto no Brasil como em países da América do Sul. No total, 10% da produção é exportada.

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Oficina e cozinha da Xalingo: brinquedos para meninos e meninas

NOVAS GERAÇÕES

Nesses 70 anos, a empresa acompanhou o crescimento de diversos brasileiros. Para manter a relevância em mercado tão competitivo, a Xalingo teve que se adaptar a diferentes gerações.

Mas nenhuma mudança foi tão grande quanto o advento da internet e dos jogos online. “Brinquedos sempre vão existir, mas a forma de brincar se modifica”, afirma Tamára Campos, gerente da Xalingo. “Brinquedos como o dominó, o quebra-cabeça e o jogo da memória não vão desaparecer.”

Nos últimos anos, a empresa tem se empenhado em trazer inovações tecnológicas capazes de  ajudar o desenvolvimento intelectual e motor das crianças.

Para isso, a empresa criou aplicativos que, utilizando realidade aumentada, conseguem unir o online e o offline. Por exemplo, apontando uma peça do quebra-cabeça de letras para a tela do celular ou do tablet, o programa faz a leitura e ajuda a criança a aprender os sons.

Além das modernidades, a empresa também aposta na tradição. Diversos produtos estão no catálogo na empresa há décadas e recebem algumas melhorias de tempos em tempos.

A empresa também tem se empenhado para diminuir a diferença de gêneros nos brinquedos. Desde a década de 1970, o Brincando de Engenheiro já traz meninos e meninas na foto de capa.

Recentemente, a linha de fogões, cozinhas, panelas e oficinas também sofreu uma mudança. Em vez das cores tradicionais azul e rosa, que costumam identificar os gêneros, a empresa utiliza tonalidades neutras e trazem fotos de meninas e meninos brincando com o produto.

“Queremos quebrar o estigma de que meninas preferem brinquedos mais ligados ao emocional e os meninos mais ao racional”, afirma Tamára.

“A brincadeira tem que estimular o máximo da criatividade infantil e isso não pode ser limitado por uma questão cultural.”

Além disso, reality shows que mostram crianças cozinhando têm estimulado meninas e meninos a se interessarem pelas brincadeiras culinárias.

CRISE

Apesar de ter papel importante para o desenvolvimento infantil, os brinquedos não são um item de primeira necessidade. Mas, mesmo com um orçamento mais apertado, os pais e familiares sempre dão um jeito de presentear as crianças em datas importantes.

De acordo com os dados da FecomercioSP, as vendas do varejo paulista devem crescer 8% durante o mês do Dia das Crianças, na comparação com o mesmo período de 2016.

Nos últimos anos, com o aumento do desemprego e o agravamento da crise econômica, os produtos da Xalingo com menor valor agregado passaram a ter um giro maior. Já aqueles que são mais caros estão com saída menor.

A empresa não teve uma queda das vendas por causa da recessão, mas um crescimento menor do que o registrado antes de 2014.

A empresa faturou R$ 110 milhões no ano passado e a expectativa é de crescimento de 12% neste ano.

A Xalingo investe em produtos para o agronegócio e peças industriais, mas os brinquedos ainda representam 80% de todo o faturamento da empresa.

FOTOS: Divulgação/ Xalingo

Veja na galeria os brinquedos novos e antigos da Xalingo: