São Paulo, 20 de Julho de 2017

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A rede de lanchonetes que diz não temer o McDonald’s
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Rita Poli (na foto), fundadora da Big X-Picanha, acredita que ficar perto das grandes redes pode ser uma vantagem

Há 15 anos, Rita Poli e seus três sócios tomaram uma decisão que foi, no mínimo, ousada: abrir uma lanchonete a pouco metros de um McDonalds. 

Na época, eles tinham uma empresa que importava eletroeletrônicos, como televisões e DVDs. Os negócios iam bem até que o dólar começou a subir. Em pouco tempo, os preços ficaram tão elevados que trazer produtos do exterior se tornou inviável. 

Sem perspectivas de melhora no cenário econômico, os empresários decidiram investir parte do dinheiro da empresa no mercado de fast food. O sócio Exupério Silva Neto, conhecido com Zupa, foi quem sugeriu a nova empreitada. 
 

LANCHE QUE DÁ NOME A FRANQUIA/Divulgação

Dessa forma inusitada surgiu a primeira loja do Big X-Picanha, na Rua Henrique Schaumann, em Pinheiros, bairro da zona oeste de São Paulo, próxima a uma das unidades do McDonalds mais movimentadas da cidade.

Em alguns meses, a recém-inaugurada lanchonete já tinha filas de clientes na porta. Durante os fins de semana mais agitados, eram atendidos mais de mil clientes. 

Rita e seus sócios perceberam o potencial do novo negócio e fecharam a empresa de importação. O próximo passo foi aumentar o número de lojas.

Sem dinheiro para expandir com capital próprio, eles optaram pelo sistema de franchising. Para estruturar a rede a empreendedora voltou a estudar e fez um curso de MBA especializado em franquias. 

E assim, o número de unidades foi se multiplicando: seis lojas em 2007, 22 em 2011 e 47 no ano passado. Até 2017, os sócios pretendem chegar à marca de 100 lanchonetes. 

ALÉM DE LANCHES A REDE TAMBÉM VENDE PRATOS, COMO O ESCONDIDINHO DE CARNE SECA/Divulgação.

SEM MEDO DA CONCORRÊNCIA
 
Desde o surgimento da rede de franquias, o Big X-Picanha adotou uma estratégia para se diferenciar de seus concorrentes de peso: McDonalds e Burguer King. 

Apesar das três marcas venderem lanches, Rita e seus sócios criaram receitas com ingredientes e formas de preparo distintas das grandes redes. 

Em vez de hambúrgueres feitos de carnes processadas – comuns nas cadeias de fast-food –, a empresa criou um cardápio em que os principais componentes são a carnes nobres fatiadas, a exemplo da picanha, que batiza a empresa. 

A aparência dos alimentos também é um aspecto fundamental dessa diferenciação: o lanche tem a feição e o tempero das comidas caseiras. “Nós não queremos que nossa comida pareça plastificada”, afirma Rita. “Um plano para 2016 é campanha de marketing para enfatizar essa diferença entre os nossos lanches e os da concorrência”

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Além disso, a quantidade também é um atrativo para os consumidores: “O lanche do McDonalds vem com apenas uma fatia de queijo e o hambúrguer tem apenas 56 gramas. O nosso é muito mais recheado e esse diferencial atrai clientes”, afirma Rita. 

Mas quando a rede não prende os consumidores pela barriga, conquista pelo bolso com promoções em que alguns lanches e pratos são vendidos a preços reduzidos em determinados dias da semana. São chamarizes que ajudam a chamar mais clientes, que acabam gastando com outros itens, como bebida e sobremesa. 

“Essa é uma prática comum no setor de franquias de alimentação e que o Big X-Picanha realiza muito bem”, afirma Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). “Em tempos de crise, ações promocionais como essas são uma estratégia para sensibilizar o público que está mais receoso na hora de comprar.”

Rita afirma que mesmo não tendo a mesma verba para publicidade que as grandes concorrentes, os franqueados do Big X-Picanha conseguem ter bons resultados. 

De acordo com a empreendedora, a rede também não deixa de abrir uma nova franquia porque há uma outra lanchonete do outro lado da rua. “Pelo contrário, busco endereços em que existem outras redes de restaurantes”, diz Rita. “É uma estratégia para atrair mais pessoas. Se um dia elas comem na concorrência, no outro experimentam o Big X-Picanha.”

FORMATO DE LOJA DOS SHOPPINGS/Divulgação

DIVERSOS MODELOS DE LOJAS

Para continuar a expansão da rede, os sócios do Big X-Picanha criaram novos formatos de franquia. Além dos tradicionais modelos de shopping e das lojas de rua, a empresa possui um modelo “delivery”, exclusivo para entregas.

Outro chamado de “Express”, que são lojas de rua menores e que são ideais para cidades com menos de 200 mil habitantes ou para ruas de comércio nas grandes cidades. 

Outro modelo que deve ajudar a rede a entrar pelo interior do Brasil é o Food Truck, formato que, por enquanto, não será usado nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.

“Queremos que os caminhões cheguem onde a marca ainda não é conhecida, a mobilidade desse modelo permite que alcancemos cada vez mais consumidores”, afirma Rita.

De acordo com o consultor Terra, apesar da recente crise, há perspectivas muito crescimento para setor de alimentação fora de casa nos próximos anos. 

“Há um contexto maior que é de mudança social”, afirma ele. “Com as mulheres indo cada vez mais para o mercado de trabalho, o hábito de comer fora do lar está se tornando parte do comportamento das famílias brasileiras.”

Rita não tem grandes planos de expansão para o Big X-Picanha neste ano. O principal é manter a estabilidade do negócio diante do atual cenário econômico.

Até julho de 2015, a rede registrava um crescimento 17% acima do ano anterior. Mas nos últimos meses do ano, os números começaram a cair. 

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“Estamos com o pé no chão, não achamos que vamos crescer. Mas estamos nos esforçando para manter nossa estabilidade, apostando no crescimento do número de lojas e trazendo os clientes que estão na concorrência”, afirma Rita. 

Para Terra, a principal vantagem do Big X-Picanha, em relação às outras redes de lanchonete, é exatamente o tamanho. 

“Por ser uma cadeia de lojas bem menor que as principais concorrentes, como McDonalds, Burger King e Giraffas, ela tem vantagem de ter um contato mais direto com os franqueados e ter menos burocracia nos processos”, afirma Terra. 

Talvez essa seja a receita que ajude o Big X-Picanha a vencer os obstáculos que devem aparecer nos próximos anos. 



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