São Paulo, 24 de Maio de 2017

/ Leis e Tributos

Justiça bloqueia bens da família Batista, dona da Friboi
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Os irmãos Joesley (na foto) e Wesley Batista também estão proibidos de promover qualquer mudança estrutural nas empresas do grupo J&F Investimentos, alvo da Operação Bullish, da Polícia Federal

O juiz Ricardo Augusto Leite, da 10.ª Vara Federal de Brasília, que autorizou a operação Bullish, da Polícia Federal, proibiu os irmãos Joesley e Wesley Batista de promoverem qualquer mudança estrutural nas empresas do grupo J&F Investimentos.

Também determinou que não seja feita inclusão ou exclusão de sócios até a produção do relatório final da Polícia Federal sobre os negócios dos irmãos.

Na operação, deflagrada ontem pela PF ontem, Ricardo Augusto Leite ainda proibiu o grupo de realizar abertura de capital de qualquer empresa do grupo no Brasil ou no exterior.

A decisão afeta principalmente a JBS, a principal empresa do grupo e a maior companhia de carnes do mundo, que tinha planos de lançar ações de uma de suas subsidiárias, a JBS Foods International.

A suspeita dos investigadores é que a proliferação de empresas seria uma forma de blindar o patrimônio. O juiz também determinou o bloqueio dos bens da família Batista.

O grupo J&F é um conglomerado empresarial, que faturou em 2015, último dado disponível, R$ 175 bilhões.

Um salto extraordinário em dez anos, levando em conta que, em 2007, a JBS, que era a principal empresa do grupo, faturava R$ 14 bilhões. Seus negócios hoje se espalham por 30 países, com 260 mil colaboradores.

Essencialmente, o comando do grupo é da família Batista, dividido entre os dois irmãos. O irmão mais velho, José Batista Júnior, se desligou oficialmente do grupo. Wesley Batista está à frente da JBS e o caçula Joesley Batista comanda a holding J&F.

Entre a fundação, em 1953, até o meados dos anos 2000, foi essencialmente um frigorífico, batizado de Friboi - nome que permanece como sua principal marca, reconhecida pelas propagandas do ator Tony Ramos.

Foi ainda em meados de 2000 que a empresa deu os primeiros passos no setor de higiene e limpeza.

Após a abertura de capital, em 2007, e a conquista de aportes públicos, do BNDES e também da Caixa Econômica Federal, o grupo não apenas se tornou dono da maior empresa de carnes do mundo, como também entrou num intenso processo de diversificação.

Controla a empresa de celulose Eldorado Brasil; Vigor, do setor de leite e derivados; Alpargatas, maior empresa de calçados e vestuário da América Latina; o Banco Original e a Âmbar, no setor de energia.

PALOCCI

A Operação Bullish, da Polícia Federal, realizada ontem, teve como um dos objetivos buscar provas que corroborem conexões entre a JBS, o BNDES e o ex-ministro Antonio Palocci.

A PF suspeita que o ex-ministro tenha sido um dos mentores e organizador, por meio de sua empresa de consultoria, da transformação da JBS na maior empresa de carnes do mundo.

A investigação da PF vai mostrar que uma empresa de consultoria de Palocci, a Projetos, foi contratada pela JBS em 1.º de julho de 2009, pelo prazo de 180 dias, para atuar na internacionalização das operações do grupo frigorífico.

Caberia a ela fazer a avaliação de ativos e de passivos da empresa-alvo, assessorar nas negociações e fixar valores de honorários.

Chamou atenção dos investigadores o fato de, justamente quando a empresa de Palocci entrou em cena, a JBS tenha fechado dois negócios cruciais para transformá-la na maior empresa de carnes do mundo - com apoio financeiro do BNDESPar.

Palocci entrou em julho. No dia 16 de setembro daquele mesmo ano, a empresa anunciou a fusão com a brasileira Bertin e a compra da americana Pilgrim’s por US$ 2,8 bilhões.

FOTO: Ayrton Vignola/Estadão Conteúdo



O desaquecimento da economia foi um dos fatores pontuados por representantes da instituição para justificar as perdas

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O principal alvo da operação é a empresa JBS, dos empresários Joesley e Wesley Batista e envolve suspeita de fraude bilionária. O ex-ministro Antonio Palocci também é investigado

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A principal crítica à presidente do banco estatal é que, embora "atolado" em liquidez, não consegue emprestar às empresas e, dessa forma, estimular a volta dos investimentos

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