São Paulo, 27 de Julho de 2017

/ Inovação

Startups de Piracicaba querem revolucionar o agronegócio
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Disposta a se tornar o Vale do Silício do agribussiness, a cidade paulista concentra 38% das startups voltadas ao desenvolvimento do setor no Estado

O apoio técnico de grandes universidades e a tradição no ramo agrícola fazem de Piracicaba, distante 160 quilômetros da capital paulista, uma das cidades com maior potencial de desenvolvimento tecnológico para o campo.

Sede de grandes marcas da tecnologia agropecuária, como Case e Caterpillar, Piracicaba tem sido o berço acadêmico de ex-alunos que permanecem na cidade para  fundar startups dedicadas ao agronegócio.

Com a proposta de oferecer soluções personalizadas promovendo sustentabilidade ambiental, a DeltaCO2 nasceu de um projeto do engenheiro agrônomo Bruno Castigioni, em 2008, dentro da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), em Piracicaba.

Hoje, a empresa é uma consultoria técnico-científica que desenvolve pesquisas para qualidade do solo, emissão de gases do efeito estufa e outros serviços  com base em metodologias e protocolos internacionais para grandes empresas, como DPaschoal e Illy.

A cidade também atraiu o agrônomo, Sérgio Goldemberg, 51 anos. Ex-proprietário de uma empresa de irrigação, Goldemberg decidiu investir toda a experiência que acumulou trabalhando para uma companhia do setor sucroalcooleiro para fundar a Algae, em São Paulo.

Com o objetivo de juntar microalgas e vinhaça (resíduo da cana-de-açúcar que sobra após a produção de álcool) para produzir biodiesel, o agrônomo mudou a sede da startup de São Paulo para Piracicaba, em busca do apoio acadêmico das universidades locais, como a Esalq e Ufscar. Neste ano, a Algae prevê crescer 20% e vender  R$ 1 milhão. 

Com raízes na cultura de cana-de-açúcar, a inovação surge como uma alternativa para recuperar o sistema econômico de forma sustentável. Pensando nisso, a Esalq Tec lançou há seis meses, o projeto AgTech Valley.

HERMES E TOMÉ, DA AGTECH GARAGE, RESPONSÁVEIS PELO CENSO DE STARTUPS AGRO

Inspirado no Vale do Silício, na Califórnia, o projeto foi idealizado por José Tomé, gestor do ecossistema de inovação e empreendedorismo do AgTech Garage, Hermes Nonino, membro do Conselho Consultivo do AgTech Garage, Sérgio Barbosa, gerente executivo da Esalq e Mateus Mondin, presidente do conselho deliberativo da EsalqTec, com a expectativa de organizar o sistema de inovação tecnológica, em Piracicaba, e consolidar a região com um polo de tecnologia para a agricultura.

"O AgTech Valley nada mais é do que a formalização de um movimento que se formou naturalmente na região", diz Barbosa, em nota.

De acordo com Mondin, são mais de 80 startups em todas as áreas do agronegócio, como soluções tecnológicas, tecnologia da informação, meio ambiente, e outras.

Um estudo inédito realizado pela aceleradora AgTech Garage e pela Esalq-Tec, incubadora tecnológica da Esalq, mostra que Piracicaba concentra 38% das startups voltadas para o desenvolvimento do agronegócio no Estado de São Paulo.

Se elevada ao cenário nacional, a cidade detém 18,6% das startups do País que desenvolvem tecnologia voltada para o campo.

Esse contexto motivou o agrônomi Marcelo Poletti, de 41 anos (no centro da foto de abertura), a transformar sua tese de doutorado pela Esalq sobre uma das principais pragas da agricultura, em negócio.

Ao pesquisar o uso de duas espécies de ácaro no combate a um terceiro tipo, chamado de rajado, vilão de plantações de hortaliças, Poletti descobriu um grande mercado à espera desse tipo de controle biológico.

A possibilidade de materializar seu projeto dentro da incubadora da própria faculdade, que aluga salas por valores mais baixos de até R$ 400 era oportunidade perfeita.

SEDE DA PROMIP, EM ENGENHEIRO COELHO
 

Em 2014, Poletti deu início às atividades de sua empresa, a Promip, que hoje é uma das mais promissoras da região. Em 2015, a startup faturou R$ 8 milhões - o dobro do valor de 2014.

Hoje, o laboratório reúne cerca de 80 pesquisadores que testam e desenvolvem fórmulas para grandes fabricantes, como a alemã Basf.

CELEIRO HIGH-TECH

A trajetória dessas e de outras empresas inovadoras vem sendo acompanhadas por pesquisadores, e também por investidores. O empresário Wilson Guidotti Júnior é um deles.

Na última quinta-feira (01/12), Guidotti anunciou o lançamento da Usina de Inovação Monte Alegre, que deve começar a funcionar em fevereiro de 2017, na cidade.

USINA DA INOVAÇÃO, COM SEDE EM PIRACICABA

A estratégia é transformar o empreendimento, que possui uma área de 427 mil metros quadrados, em um espaço multiuso, abrigando empresas dentro de um limite geográfico para tornar as interações mais eficientes para a geração de novos negócios e produtos.

O complexo será levantado no mesmo espaço, onde funcionava a Usina Monte Alegre - hoje, patrimônio tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), sob o investimento de R$ 75 milhões.

Além de um espaço dedicado ao coworking, a Usina da Inovação também terá espaços para eventos, feiras, shows, lançamentos de produtos e, futuramente, um hotel com centro de convenções.

De acordo com Philip Yang, membro do Conselho Executivo da Usina de Inovação Monte Alegre, a apropriação do Monte Alegre para a instalação da Usina de Inovação é um projeto futurista.

“Vivemos um momento importante nos processos de arquitetura e urbanismo, em sintonia com uma tendência de aproveitar espaços vagos para abrigar práticas inovadoras”.

FOTOS: Divulgação



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