São Paulo, 23 de Junho de 2017

/ Inovação

Startup cresce vendendo passagens aéreas com desconto
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A NaHora.com encontrou um nicho de atuação que ajuda tanto as companhias aéreas quanto os viajantes

Com a retração da economia e o desemprego em alta, muita gente está deixando de viajar. 

Somente no ano passado, a demanda por voos domésticos caiu 5,47% em relação a 2015. Já para os internacionais a queda foi de 0,21%. 

A taxa de ocupação no mesmo período foi de 80,14% e 83,78% respectivamente, de acordo com os dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). 

Ou seja, os voos nacionais saem em média com 19% dos assentos ociosos – o que se traduz por prejuízo para as companhias.  

Do outro lado dessa história estão os viajantes que precisam comprar passagens aéreas de última hora. Muitos acabam desistindo devido ao preço. Outros optam viajar de ônibus ou carro.

A NaHora.com, startup fundada por Maria Alice Maia, decidiu resolver esse impasse e unir essas duas pontas. 

A empresa oferece passagens mais baratas para viagens com menos de 15 dias de antecedência. Os descontos chegam até 50%. “Somos quase um outlet”, afirma Maria Alice. 

Mas para chegar nesse modelo de negócio, ela percorreu um longo caminho. 

TRAJETÓRIA 

A primeira experiência de Maria Alice com o empreendedorismo foi em 2010.

Ela cursou dois anos da faculdade de turismo e trabalhou por algum tempo no setor. Durante esse período, percebeu que a taxa de ocupação de hotéis era muito inconstante. 

Em 2009, ela decidiu mudar de cidade e de curso, deixou a Universidade Federal de Minas Gerais e veio para São Paulo para cursar administração na Fundação Getulio Vargas.  

Foi nesse período que começou a esboçar seu primeiro modelo de negócio. Com os conhecimentos da primeira e da segunda da faculdade, ela fundou uma startup para oferecer quarto de hotéis para quem não tinha feito reserva com antecedência. 

A empresa caminhava bem e ganhou o Prêmio Santander de Empreendedorismo, mas a ideia não foi para frente. 

“Na época, não tinha um sócio que entendesse de tecnologia, por isso o projeto ficou inviável”, afirma Maria Alice. “Fechei a empresa um ano e meio depois.”

Ela decidiu retomar o negócio quando conheceu Aline Delouya e Lucas Motta, que atualmente são seus sócios. Assim como Maria Alice, eles são apaixonados por viagens e pelo setor de turismo. 

Juntos, resgataram a antiga empresa. Os novos integrantes formaram a equipe complementar que faltou na primeira tentativa de Maria Alice. Motta é formado em sistemas da informação e Aline em ciências contábeis. 

Sócios da Nahora.com: Lucas Motta, Aline Delouya, Maria Clara Soares (funcionária) e Maria Alice Maia

MUDANÇA

Quando retomaram os negócios, eles decidiram atender outro setor. Passaram a oferecer ingressos de espetáculos para quem desejasse comprar de última hora. Mas não encontraram muita abertura das empresas do setor. 

No ano passado, durante processo de aceleração da Startup Farm, decidiram mudar o modelo de negócio. 

Os sócios começaram a mapear o mercado e perceberam que as companhias aéreas estavam dispostas a negociar os preços das passagens dos voos com menos de 15 dias de antecedência. 

As companhias geralmente vendem essas passagens para pessoas que viajam a trabalho. Mas nem sempre esses assentos são ocupados. 

A proposta da Nahora.com é vender para outro público, como pessoas que estão distantes das famílias, estudantes que cursam faculdade longe de casa ou mochileiros. 

“A ideia é fazer com que essas pessoas deixem de utilizar os ônibus para viagens de última hora e optem pelo avião”, afirma Maria Alice. 

Para não competir diretamente com as companhias aéreas, quando o usuário solicita um orçamento por meio da plataforma, ele não recebe diretamente todas as  informações. 

Num primeiro momento, a empresa envia um e-mail com horários disponíveis e valores. A marca da companhia aérea só é informada após a conclusão da compra.

Como as agências de turismo tradicionais, a NaHora.com ganha um percentual em cima de cada passagem vendida. Os valores variam de acordo com as negociações realizadas com as companhias aéreas. 

A empresa começou operar em novembro do ano passado. O sucesso foi quase instantâneo. Sem estratégia de marketing ou de divulgação, a Nahora.com foi crescendo no boca a boca. O número de usuários dobra a cada semana, de acordo com Maria Alice. 

Para ela, esse crescimento está relacionado com a crise. Durante esse período, as pessoas que querem viajar pesquisam mais os preços e acabam seduzidas pelos descontos. 

Para 2017, os planos para a empresa são continuar dobrando o número de usuário a cada semana e melhorar a plataforma para acompanhar o crescimento da demanda. 


FOTO: Thinkstock

 



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