São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Inovação

Pequenas Inovadoras | A empresa que é um show
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Os empreendedores Daniel Arcoverde e Rafael Belmonte criaram o Netshow.me, plataforma online em que artistas se apresentam e são remunerados pelos seus fãs

Alexandre Casarotto, de 25 anos, é vocalista e guitarrista do Bloco do Caos, banda que mistura reggae e rock. O grupo musical se prepara para lançar seu primeiro álbum no próximo mês. Para divulgar o lançamento, eles irão fazer shows em São Paulo, no Rio de Janeiro e na internet. Além das performances presencias, o grupo irá fazer uma apresentação online por meio da plataforma Netshow.me.

“A maioria das casas noturnas contratam bandas que fazem covers. Há poucas oportunidades para quem quer divulgar trabalhos autorais e algumas vezes temos que pagar para tocar”, afirma Casarotto. “O Netshow.me é uma alternativa interessante porque é fácil de usar, permite interagir com os fãs em tempo real e, ainda, remunera os artistas.”

Assim como o Bloco Caos, diversos músicos desconhecidos ou famosos, como a cantora pop Wanessa Camargo e banda de rock Fresno, já usaram o site para divulgar seus trabalhos. A empresa Netshow.me faz parte de uma revolução que vem acontecendo nas últimas décadas com a indústria da música. Dos discos de vinil, passando pelo CDs, até os arquivos de MP3: os músicos passaram a depender cada vez menos das grandes gravadoras para lançarem seus álbuns e fazerem sucesso.

A comercialização de música online se tornou habitual. Somente no Brasil o digital cresceu 83% em 2012, enquanto as compras de CDs, DVDs e Blu- Rays caíram  10% no mesmo período. As empresas do setor –que dependiam das vendas– tiveram que se reinventar. Além disso, muitos artistas, como a cantora Madonna e o rapper Jay-Z, trocaram as grendes gravadoras por companhias de shows.

Agora, por meio do live streaming (tecnologia que transmite vídeos em tempo real) foi dado mais um passo para que músicos consigam divulgar seus trabalhos de forma alternativa. Aproveitando essa oportunidade, novas empresas estão surgindo. Uma delas é a startup brasileira Netshow.me.

WANESSA CAMARGO DURANTE SUA APRESENTAÇÃO NO HIPERSHOW, PROGRAMA TRANSMITIDO NA PLATAFORMA DO NETSHOW.ME

OS PRIMEIROS PASSOS

A empresa foi fundada em setembro de 2013, quando os colegas de faculdade Daniel Arcoverde e Rafael Belmonte, ambos de 25 anos, decidiram trocar suas carreiras em um fundo de investimento por um negócio próprio. A ideia surgiu anos antes, quando eles leram uma notícia sobre uma empresa de live streaming que seria comprada por Sean Parker, o fundador da Napster.

Formados em administração na Fundação Getúlio Vargas, eles estudaram em um ambiente que estimulava o empreendedorismo. No mesmo período, outro aluno da FGV havia fundado o Catarse, uma ferramenta online que permite que pessoas apresentem diferentes projetos, como espetáculos de dança ou um documentário, e os internautas podem colaborar com quantias para que aquela ideia saia do papel.

“Acompanhei o surgimento do Catarse e, no começo, tinha dúvidas se esse formato colaborativo seria aceito pelos brasileiros”, afirma Arcoverde. “Comecei a estudar sobre crowdfunding [termo em inglês que define financiamento coletivo] e comportamento em rede”. O crowdfunding movimentou US$ 10 bilhões em 2014 - número duas vezes maior do que no ano anterior, de acordo com um levantamento feito pelo crowdsourcing.org. Da união da tecnologia streaming e os modelos de negócios colaborativos, eles fundaram a Netshow.me.

BLOCO DO CAOS: A BANDA IRÁ FAZER UM SHOW PARA LANÇAR SEU PRIMEIRO ÁLBUM NO NETSHOW.ME 

CADA CLIQUE UM ESPETÁCULO

A plataforma funciona de forma simples. Após se cadastrar no site, o artista – pode ser um músico, cantor, humorista entre outros – escolhe quando deseja fazer sua apresentação e se quer ou não cobrar um valor pelos ingressos. As contribuições financeiras também podem ser feitas de forma espontânea durante a apresentação. Além disso, o artista pode oferecer recompensas, para estimular que as pessoas contribuam com valores. A banda Moxine, por exemplo, convidou os fãs que mais deram dinheiro para participar do videoclipe do grupo. 

A ideia é que o próprio artista divulgue seu show para sua comunidade de fãs. No dia escolhido, ele só precisa estar na frente de uma webcam e começar a transmissão. Durante a apresentação, os internautas podem mandar recados diretamente para o artista. “Os shows podem acontecer no sofá de casa com um notebook ou até mesmo num estúdio profissional, como foi o caso da Wanessa Camargo”, afirma Arcoverde. “Nós conseguimos tirar as barreiras geográficas e unir os mússicos com seus fãs de outros estados ou países”. 

No fim da transmissão, um relatório mostra o nome dos espectadores e qual foi o valor arrecado. O site repassa ao artista de 52% a 72%, quanto maior o montante, mais alto é o percentual. “A média é de 50 pessoas por show, mas já tivemos alguns com mais de 20 mil”, diz Arcoverde. 

OBSTÁCULOS E PRÊMIOS

Quando fundaram a Netshow.me, Daniel Arcoverde e Rafael Belmonte tinham a ideia do negócio e o conhecimento teórico sobre a gestão de uma empresa, no entanto, não entendiam quase nada sobre tecnologia. “Optamos por terceirizar os serviços e acabamos criando uma plataforma muito sofisticada para o que precisávamos”, afirma Arcoverde. “É fundamental para uma startup experimentar o tempo todo, no entanto, como compramos um pacote fechado de serviços não tínhamos essa flexibilidade.” 

Outro erro comum no início de uma empresa é não validar o modelo de negócio. “Era fundamental saber se nosso modelo fazia sentido para os usuários”, afirma Arcoverde. “Sem os testes necessários, tivemos que refazer algumas ferramentas, o que levou tempo e dinheiro.”

Os obstáculos iniciais foram superados e, hoje, a Netshow.me acumula prêmios relacionados ao empreendedorismo. No ano passado, a empresa conquistou o prêmio de inovação da Set Expo e o primeiro lugar no Startups Lide Futuro. O mais recente foi no IBM SmartCamp, em que a empresa foi escolhida entre 100 startups de toda a  América Latina. 

O próximo desafio para Daniel Arcoverde e Rafael Belmonte é fazer com que os artistas fiquem mais engajados e utilizem a plataforma mais vezes. “Hoje, a ferramenta é usada, principalmente, para eventos importantes, como no lançamento de um álbum ou numa datas comemorativas da banda. Queremos aumentar a recorrência das transmissões. Nossa ideia é que os shows online se tornem uma renda significativa para os artistas”, diz Arcoverde. 

Conheça um pouco mais sobre o Netshow.me:



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