Pequenas do setor de óleo e gás inovam para driblar o Petrolão


Os escândalos que afetaram a estatal brasileira provocaram cortes de investimentos e demissões. A solução para muitas empresas da cadeia produtiva foi apostar na inovação


  Por Agência Sebrae 08 de Junho de 2017 às 16:48

  | Informações do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena empresa


A crise do setor de óleo e gás, ocasionada pela queda dos preços do barril de petróleo no mercado mundial e – no cenário local – pelos escândalos que atingiram a estatal brasileira, fez com que muitas empresas do segmento cortassem investimentos, demitissem funcionários e tivessem de buscar alternativas para driblar a recessão.

Nesse contexto de contratos suspensos e sem acesso a crédito, o cenário tem sido de empresas fechando as portas ou entrando em recuperação judicial.

Porém, na contramão da crise, pequenas empresas da cadeia produtiva do setor de óleo e gás estão conseguindo – a partir da aposta em inovação – abrir novos mercados e expandir seus negócios.

Para o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, o uso da inovação como ferramenta para conquistar novos clientes e aumentar a qualidade dos produtos e serviços já é uma realidade para a maioria dos pequenos negócios no Brasil.

“As pequenas empresas estão à frente na esfera da inovação e comprovam, na prática, que as ações inovadoras (muitas vezes com a adoção de tecnologias de ponta), não são algo restrito ao universo das grandes corporações”, destaca.

Para o empresário Manlio Fernandes, inovar é uma estratégia de mercado, uma forma de se diferenciar, agregar valor ao seu produto.

Entre o fim de 2010 e início de 2011, o oceanógrafo criou a Oil Finder a partir da tecnologia desenvolvida por ele durante o doutorado.

O sistema criado por Manlio – inédito mundialmente – aprimora o planejamento e a execução do programa exploratório em campos offshore.

"Com a exploração de óleo e gás acontecendo em profundidades cada vez maiores e com custos cada vez mais elevados (o valor de estruturação de um poço pode exceder a quantia de US$ 100 milhões), as empresas buscam se municiar de informações que delimitem a área de investigação para a posterior utilização de ferramentas mais caras.

A tecnologia remota que desenvolvemos reduz o risco exploratório e aumenta a taxa de sucesso”, destaca Manlio.

De acordo com ele, o Brasil tem um ambiente normalmente hostil à inovação.

“Até que o pesquisador transforme uma invenção em inovação, ele precisa transpor uma série de obstáculos. Um dos principais é a falta de investimento”, comenta.

Segundo ele, o investidor brasileiro é avesso ao risco. “Com as altas taxas de juros praticadas no país, ele prefere aplicar no mercado financeiro a investir no desenvolvimento de um produto inovador”.

Para Manlio, os empresários brasileiros ainda enxergam inovação como risco e não como oportunidade.

Depois de enfrentar seu momento mais difícil em 2015/2016, a Oil Finder decidiu este ano apostar no mercado externo e expandir sua atuação para Europa e Estados Unidos.

“Nós estamos atentos para a realização da 14ª Rodada de Licitações de blocos para exploração e produção de petróleo e gás natural, prevista para o fim do ano no Brasil. Mas, já decidimos que o nosso foco em 2017 serão as multinacionais que exploram óleo e gás em leilões de exploração em todo o mundo”.

Nos 27 e 28 de junho, o Sebrae e a CNI realizam em São Paulo o 7º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, que tem o objetivo de promover a inovação empresarial, apresentar iniciativas inovadoras, discutir propostas de aprimoramento das políticas públicas, trocar experiências e conhecimentos sobre a inovação e desenvolver o ecossistema da inovação no Brasil.

ARTE: Guto Camargo