São Paulo, 26 de Julho de 2017

/ Inovação

Os anjos têm driblado a crise, mas já dão sinais de perda de fôlego
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Volume de investimentos anjo cresceu 9%, somando R$ 851 milhões em 2016. Mas o número de investidores caiu

Enquanto setores tradicionais da economia sofrem com a recessão, empreendedores à frente de startups podem comemorar um pouquinho, pelo menos no quesito aportes de recursos

Em 2016, o volume de investimentos anjo cresceu 9%, somando R$ 851 milhões. O tíquete médio por investidor também teve alta, alcançando R$ 120 mil reais – aumento de 11% em relação a 2015. 

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28/06), durante o 5º Congresso de Investimento Anjo, realizado na sede da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, pela Anjos do Brasil, organização que apoia o empreendedorismo de inovação no país.

A modalidade de investimento ainda não sentiu o forte baque da crise por duas razões;

Primeira: as startups têm como premissa buscar a inovação. Neste caso, não dependem de um cenário econômico positivo para crescerem – uma vez que a startup pode aproveitar lacunas esquecidas por outros negócios para criar um novo mercado, e tirar proveito de ser uma das pioneiras em um setor emergente. 

Segunda: devido ao fato de que o investimento anjo é de médio a longo prazo, os investidores possuem a expectativa de, quando for a hora de ter o retorno financeiro, a crise já terá passado. 

A crise, inclusive, pode até ter uma influência positiva sobre os investimentos anjo. Com aplicações mais tradicionais, como Bolsa de Valores e imóveis, apresentando retorno menos atraentes, novas e diversificadas formas de aplicação tendem a crescer. 

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Vale lembrar que o investimento anjo é aquele realizado, na maioria dos casos, por pessoas físicas, que, utilizando patrimônio próprio, realizam aportes em empresas em fase inicial, que precisam de recursos para desenvolver uma infraestrutura mínima para iniciar uma operação e testar seu modelo de negócio na prática.  

Geralmente, investidores anjo adquirem entre 10% e 25% de participação na startup e participam ativamente da gestão, também desempenhando o papel de mentor do empreendedor

LUZ AMARELA

Embora haja mais dinheiro circulando nas startups, há um sinal de alerta. O número de investidores ativos caiu 3%, chegando a 7.070. 

Para Cassio Spina, fundador e presidente da Anjos do Brasil, a ainda elevada taxa básica de juros (Selic) faz com que parte dos investidores optem por investimentos de menor risco, como renda fixa, que tem crescido nos últimos anos. 

Outro fator é a necessidade que o investidor tem de alocar recursos em outras frentes. Por exemplo, muitos anjos são empresários, que, percebendo a necessidade de suas empresas realizarem investimentos para assegurar as margens em épocas de retração, escolhem aplicar recursos em seus próprios negócios. 

Há também a figura de anjo que é executivo de grande empresa. Neste caso, o temor frente ao desemprego pode fazer com que o investidor postergue novas aplicações para momentos de maior confiança.  

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MAIS SEGURANÇA

A Anjos do Brasil tem colocado em discussão medidas para popularizar a prática de aportes em startups e simplificar os processos de investimento. 

MARIA RITA, DA ANJOS DO BRASIL: É NECESSÁRIO MAIOR SEGURANÇA JURÍDICA PARA PEQUENOS INVESTIDORES

Utilizando como referência experiências bem-sucedidas de países como Reino Unido, Estados Unidos e Portugal – locais onde a modalidade de investimento anjo é bem mais comum que no Brasil –, a entidade tem proposto que o governo estabeleça incentivos fiscais para os investidores, como isenção de imposto sobre rendimentos e compensação de parte dos investimentos no imposto de renda. 

Para a Anjos do Brasil, as medidas podem, inclusive, aumentar a arrecadação do governo.

O investimento em startup fomenta a criação de empregos (o que gera contribuição sobre salário), crescimento de novos negócios (mais impostos sobre o faturamento da empresa) e, conforme a empresa se desenvolve, aquisição de máquinas, equipamentos e serviços – que movimenta a economia como um todo. 

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Uma recente vitória para os investidores foi a Lei Complementar 155/2016, que regulamentou o investimento-anjo. 

Em vigor desde o início de 2017, a lei aborda regras na relação entre os investidores e empresas. Uma das diretrizes determina a distinção entre investimento-anjo e participação acionária. Agora, o anjo não é mais enquadrado como sócio da startup.

Por que isso é importante? 

De acordo com Maria Rita Bueno, diretora da Anjos do Brasil, a medida traz mais segurança jurídica aos investidores.

Pois, assim, o investidor não poderá ser responsabilizado em processos na Justiça do Trabalho ou em imbróglios fiscais que possam vir a acometer a startup. 

AFIF: STARTUPS PODEM PERMANECER NO SIMPLES MESMO APÓS RECEBER INVESTIMENTOS

AFIF DEFENDE SIMPLIFICAÇÃO EM INVESTIMENTOS 

Responsável pela palestra de abertura do congresso, Guilherme Afif Domingos, presidente do Sebrae, afirmou que é necessário melhorar o ambiente de negócios do Brasil para livrar os empreendedores da burocracia e, assim, liberar a criatividade dos empresários em busca de inovações. 

Afif também citou o Projeto de Lei Complementar 25/2007, que trata do Simples Nacional e traz proteção ao anjo, por também distinguir as responsabilidades do investidor e do operador da empresa. 

“A lei permite que uma pequena empresa continue enquadrada no Simples, mesmo após receber recursos do investidor que ultrapassem o limite desse regime tributário”, disse o presidente do Sebrae. 

Por fim, Afif comentou que o Sebrae tem investimento em programas de apoio à startups, principalmente as que atuam no mercado financeiro (fintechs).

Para ele, modelos de negócios inovadores podem facilitar a vida do consumidor, ao mesmo tempo em que elevam a competição no setor bancário, ainda concentrado na mãos de poucas companhias.  

IMAGENS: Thinkstock/Divulgação



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