São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Inovação

O legado vivo de Steve Jobs
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Mesmo depois de sua morte, em 2011, o cofundador da Apple continua a ter patentes atribuídas a ele, o que só amplia o mito de visionário em torno de sua imagem

Qual o legado de Steve Jobs? Só para se ter uma ideia: desde sua morte de câncer no pâncreas em 2011, o ex-CEO da Apple obteve 141 patentes. Isso é mais do que a maioria dos inventores consegue em vida.

Jobs participava de perto dos detalhes de muitos produtos da Apple, e algumas de suas invenções ainda estão em trâmite no Escritório de Patentes e Marcas Registradas dos EUA. Boa parte delas reflete o imenso empenho da Apple em patentear todos os aspectos de seus produtos, por menores que sejam — algo que o próprio Jobs incentivava. 

No total, um terço das 458 invenções e projetos patenteados creditados a Jobs foi aprovado desde sua morte. 

As patentes de Steve Jobs são um histórico da história da Apple, desde a época de start-up até se tornar uma das maiores empresas do mundo. A primeira patente de Jobs, registrada em 1983, tinha a singela designação de "computador pessoal". Uma das mais novas, apresentada depois de sua morte e aprovada em agosto, refere-se ao projeto do surpreendente cubo de vidro que marca a entrada da loja da Apple na Quinta Avenida, em Manhattan.  

O primeiro computador desenvovido pela Apple, projetado por Steve Wozniak para uso próprio e aperfeiçoado por Jobs

Alguns observadores da empresa duvidaram de que ela pudesse continuar a fazer sucesso sem seu líder máximo. O líder atual da Apple, Tim Cook, é um especialista pragmático oriundo da cadeia de suprimentos que prosperou na empresa graças a seu empenho para que as fábricas chinesas não atrasassem a entrega dos iPhones. O nome de Cook jamais figurou em patente alguma.

No início de 2014, a jornalista Yukari Iwatane Kane, em seu livro "Império assombrado: a Apple depois de Steve Jobs" [Haunted empire: Apple after Steve Jobs], dizia que a Apple estagnaria e perderia importância sem Jobs. Para Kane, a Apple, assim como a Polaroid depois de Edwin Land, ou a Sony, depois de Akio Morita, não poderia ter êxito sem o gênio temperamental responsável pela criação de produtos "espetaculares".

O relógio inteligente da Apple deve ser lançado ainda em 2015

Mas a Apple continua com o pé no acelerador. A empresa anunciou novos produtos promissores, como o Apple Watch, e um sistema de pagamentos, o Apple Pay. As vendas da empresa continuam aumentando — a receita anual mais do que duplicou, chegando a US$ 182 bilhões, desde que Cook assumiu a direção executiva.

Com o sucesso da empresa sob nova direção, a importância das invenções de Jobs poderá passar por uma reavaliação.

Em 2012, Jobs foi conduzido postumamente ao Hall da Fama dos Inventores Nacionais. Ele tem, inclusive, uma exposição itinerante própria: "Patentes e marcas registradas de Steve Jobs: arte e tecnologia que mudaram o mundo", em exibição mais recentemente na biblioteca pública de Denver.

Contudo, as inúmeras patentes de Jobs "não o tornam um dos maiores inventores americanos da história", disse Florian Mueller, programador e consultor de patentes na Alemanha, que acompanha de perto os casos de litígio envolvendo o iPhone. Ele assinala que muitas das patentes de Jobs estão associadas ao design — coisas como o visual e a sensação que passa o iPhone — e não a avanços técnicos mais significativos.

"Steve Jobs pode ser considerado um grande inventor, mas para isso é preciso que estejamos preparados para definir o termo de modo extremamente amplo", disse Mueller. "Estou convencido de que se os verdadeiros inventores americanos, gente como Edison, Bell e Whitney, pudessem avaliar as realizações e as contribuições de Steve Jobs, sem dúvida alguma o respeitariam pelo que fez, mas não a ponto de considerá-lo um igual."

Uma crítica que se faz a ele é que, em suas patentes, seu nome aparece com frequência ao lado de vários outros. Em outras palavras, essas invenções não foram criações inteiramente suas. Em vez disso, Jobs compartilhava o crédito pelo que mais de 80.000 funcionários da Apple haviam feito, algo que, segundo Kane, "contribuiu para a lenda de que Jobs teria sido um raro visionário".

Tim Wasko, que desenvolveu a interface do Quick Time player e do iPod, lembra que Jobs contribuía com feedbacks em pequenos detalhes, e acabava quase sempre com um lugar nas patentes. Foi o que aconteceu, disse Wasko, quando ele propôs o conceito de um botão para o software iDVD. O botão se fecha de modo parecido com a íris, dando ao usuário a chance de interromper um processo. "O conceito era bem arrojado, e ele gostou muito da ideia", disse Wasko. "Jobs fazia comentários e sugestões úteis, por isso merecia ter o nome nas patentes."

Inteface do QuickTime – o suporte de vídeos criado pela Apple 

Inventores já falecidos podem obter patentes se o processo de aprovação se estender por muito tempo, ou quando os advogados recorrem a "continuações" — que são basicamente novas versões de antigas patentes. E quanto mais advogados e dinheiro um inventor tiver, mais chances terá seu fantasma de continuar entre os vivos. O espólio de Jerome Lemelson, o inventor independente, e por vezes polêmico, criador do leitor de código de barras, obteve 96 patentes depois de morto o inventor, em 1997, aos 74 anos. 

Às vezes, a pessoa cujo nome aparece na patente é tão importante quanto o que a patente diz — pelo menos no caso de Steve Jobs isso é verdade. Em 2012, durante uma ação judicial envolvendo a  Motorola e o Google, uma juíza de Chicago teve de ordenar aos advogados da Apple que parassem de se referir a uma patente importante sobre os movimentos dos dedos na tela touch screen — em que o usuário desliza o dedo sobre a tela ou a direciona para cima ou para baixo [movimento de rolagem] — como a "patente de Steve Jobs". Ela argumentou que os advogados da Apple estavam tentando transformar o caso em uma disputa de popularidade invocando para isso o amado fundador da Apple. (Jobs aparecia como o primeiro dos 25 inventores citados na patente).

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Quando Jobs adoeceu, os advogados da Apple continuaram a apresentar pedidos de patente em seu nome durante alguns dias — entre elas, uma referente à variação da barra de ferramentas de rolagem do Mac, no dia 4 de outubro de 2011, um dia antes da morte de Steve Jobs. 

O nome de Jobs continua a ser incluído em novas patentes, algumas das quais deixam à mostra alguns de seus interesses pessoais, como o superiate Vênus, de 79 metros de comprimento, que ele encomendou e ajudou a projetar. Em março do ano passado, uma empresa de Cape Cod, a Savant Systems, incluiu o nome de Jobs como inventor principal em um pedido de patente cuja proposta é o uso de um tablet parecido com o iPad para comandar um navio. 

 

 



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