São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Inovação

O efeito dominó de uma rede (quase) intangível
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Na economia criativa, produtos tão diferentes quanto uma música, um bordado, um texto na mídia ou o tema de uma festa podem desencadear processos de geração de novos negócios

Veja aonde podem chegar as cadeias envolvidas em uma ideia criativa:

* Depois de criada, a música é reproduzida em alguma mídia por um pequeno estúdio ou uma grande gravadora, distribuída para o mercado por lojas, rádios, shows e mídias digitais e usufruída de diversas formas pelo público.

* A atualização de um bordado tradicional feita por uma designer em parceria com uma cooperativa de rendeiras. O produto passa a ser vendido com exclusividade a uma rede de lojas de decoração, torna-se uma febre de consumo e é exportado para outra rede americana, tudo sob a administração de uma ONG especializada em comércio justo.    

* Artigo de um jornalista alimenta um jornal, uma revista ou um site produzido por editoras ou agências de porte local, nacional ou internacional, que vendem os exemplares em bancas e livrarias, a assinatura por canais especializados ou a veiculação de propaganda por meio de agências de publicidade.

* Tema de uma festa se concretiza com o trabalho de centenas – às vezes milhares – de pessoas e movimenta um mercado que inclui comércio de alimentos e bebidas, infraestrutura audiovisual, empresas de turismo, empresas de comunicação, grandes empresas patrocinadoras e pequenas confecções, até atingir o público e ajudar na formação da imagem da localidade ou do país.   

* A trama dramática sai do teclado do autor para ser o fio condutor de uma novela, de um seriado, de um game ou de uma peça de teatro, atividades que envolvem o trabalho remunerado de inúmeros profissionais também criativos e pelo qual o público ou um patrocinador pagam.

* Identificados por um cientista, os atributos terapêuticos de uma planta são analisados em laboratórios, passam por testes em inúmeros centros de pesquisa, são sintetizados em um produto por uma indústria farmacêutica, para ser distribuído em milhares de drogarias.   

O VALOR DO IMPALPÁVEL

Quanto vale um patrimônio cultural, um personagem de game ou uma logomarca que identifica mundialmente uma empresa? Como calcular o preço de algo intangível, um bem que não tem existência física? É exatamente esse o debate que vem sendo travado em várias partes do mundo, com diferentes resultados, adaptados às vocações locais. Em um exemplo extremo, o governo inglês selecionou a brasileira Lorrana Scarpioni e sua invenção, a Plataforma Bliive, para participar do programa de aceleração de negócios Sirius Programme. Trata-se de uma rede colaborativa de troca de tempo com usuários em todo o mundo. Tempo? Isso mesmo, pode acreditar.  

Em levantamento feito pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), estima-se que o setor tenha movimentado em 2011 o equivalente a US$ 624 bilhões em exportações. (Conheça o panorama mundial da economia criativa em 2013 no relatório da Unesco. A instituição calcula o crescimento médio da economia criativa em 10% ao ano nas próximas décadas; nos países desenvolvidos, já é considerado o setor líder de negócios. Alguns países conseguiram calcular o peso do setor no montante do PIB nacional (ver quadro).

No Brasil, a exemplo dos outros países, os profissionais criativos são mais bem remunerados em comparação com a média dos trabalhadores e apresentam um elevado grau de instrução. A maioria está ligada a pequenos e médios empreendimentos. Um dos primeiros estudos realizados no país, feito pelo Sistema Firjan e atualizado em 2011, apresentou uma estimativa da presença da economia criativa na riqueza nacional, a partir do cálculo da massa salarial. Trata-se de um resultado subestimado, pois não inclui a participação informal e tomou como base as atividades em 13 Estados.


O Brasil demorou a absorver a nova tendência mundial, como afirma a economista Ana Carla Fonseca, pesquisadora de primeira hora do tema e com atuação internacional. “Para deslanchar, a economia criativa precisa ser mapeada e ter um diagnóstico para orientar as políticas públicas”, explica. Após algumas iniciativas pontuais dos governos, em 2012 o setor foi institucionalizado com a criação da Secretaria da Economia Criativa dentro do Ministério da Cultura. Ao mesmo tempo, o Sebrae estruturou uma área para apoiar os negócios sob a ótica do empreendedorismo e as outras instituições do Sistema S incluíram o tema em suas atividades.

 

Leia mais:

1 - Economia criativa: muito além da imaginação  

3 – Geografia da craitividade 

4 - Mapa da criatividade no Brasil 

5 - Crescimento muito acima da média nacional 

6 - A produção brasileira dá audiência à TV paga 



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