Inovação

O que aprender com a Basf: boas práticas para inovar


A líder mundial da indústria química mantém parcerias com pesquisadores acadêmicos e startups, fomenta sugestões criativas de funcionários e desenvolve projetos com outras empresas


  Por Italo Rufino 06 de Dezembro de 2016 às 13:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Fundada em 1865, a Badische Anilin & Soda Fabrik (Fábrica de Anilina e Soda de Baden), especializada na produção de corantes, deu origem à maior indústria química do mundo, a Basf. 

Mais de 150 anos após a fundação, a empresa tem receitas globais superiores a 70 bilhões de euros e opera diretamente em mais de 80 países. 

A empresa é referência em inovação. Nos últimos cinco anos, participou três vezes da lista das cem empresas mais inovadoras do mundo, realizada pela Thomsom Reuters. 

Em 2015, a Basf ganhou outro reconhecimento, foi eleita a terceira empresa mais inovadora do Brasil pela consultoria A.T.Kearney, que avalia companhias de acordo com suas estratégias de criação de produtos, serviços ou modelos de negócios.

WORKSHOP DE INOVAÇÃO DO CREATOR SPACE (DIVULGAÇÃO)

Para manter o posto de “fábrica de invenções”, a Basf tem reforçado as práticas de inovação aberta, que consiste em criar relações de cooperação com universidades, institutos de pesquisa, fornecedores e clientes para encontrar novas oportunidade de negócios e solucionar desafios que podem ter impacto na empresa e em seu mercado. 

“Criar um ambiente de confiança mútua entre os envolvidos é a chave para sucessos em cooperações”, afirma Rony Sato, gerente de inovação e tecnologia da Basf para América do Sul, responsável pela gestão unificada de todos os projetos de inovação da companhia. 

Conheça alguns programas de inovação desenvolvidos pela Basf Brasil. 

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FOMENTO À PESQUISA CIENTÍFICA 

O Top Ciência é uma iniciativa que fomenta projetos de pesquisa conjunta com instituições e pesquisadores acadêmicos.

Instaurado em 2006, o programa surgiu para solucionar um imprevisto. Um consultor agrônomo identificou que um novo fungicida da Basf tinha um efeito colateral – fazia com que a soja crescesse com mais vigor.

A Basf, então, reuniu dez pesquisadores, entre eles professores da ESALQ, e descobriu a razão do fenômeno: um efeito fisiológico benéfico na planta.

O fato motivou a criação de um novo conceito de negócio, batizado de AgCelence, linha de produtos de proteção de cultivos que garante melhor rendimento em diversas culturas, como feijão, trigo e cana-de-açúcar. 

Hoje, cerca de 1.200 pesquisadores participam do Top Ciência. A cada dois ano é realizado um evento para premiar os melhores estudos. Os pesquisadores premiados conhecem centros internacionais de pesquisa da Basf e aumentam o network acadêmico. 

Uma solução recente decorrente do Top Ciência é o Digilab, aplicativo que permite ao agricultor capturar imagens de potenciais pragas e doenças agrícolas e as compare com um banco de imagem para agilizar o diagnóstico de ameaças em lavouras. 

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SUGESTÕES DE FUNCIONÁRIOS 

Criado em 1981, o Eureka é um programa de sugestões internas que estimula, capta e implementa ideias de funcionários.  

Qualquer funcionário pode submeter uma ideia de melhoria, geralmente inovações incrementais em processos. As ideias são avaliadas em dois critérios: relevância e originalidade (existe um banco de dados com todas as ideias sugeridas). 

As ideias são monitoras por um ano após a implementação para mensuração do benefícios. O autor de uma ideia, então, é premiado com honrarias simbólicas ou prêmios em dinheiro.

Um caso relevante foi o de um operador que sugeriu uma nova maneira de armazenar produtos em contêineres de exportação. A medida aumentou em 20% a capacidade de armazenamento e diminuiu os custos logísticos. 

Frequentemente, a Basf cria campanhas temáticas, como segurança e eficiência energética, para manter o engajamento. Em 2015, houve cerca de 2.000 sugestões. 

“O programa fomenta a cultura da inovação entre os funcionários, que sentem de forma prática os benefícios de suas ideias”, diz Rony. 

VENCEDORES DO EUREKA: ESTÍMULO À CULTURA DA INOVAÇÃO ENTRE FUNCIONÁRIOS

COCRIAÇÃO EM NOVOS PRODUTOS 

Em comemoração aos 150 anos da companhia, a Basf lançou o Creator Space, um plataforma de cocriação que reuni clientes, fornecedores, cientistas e funcionários da empresa em diversos workshops e debates sobre soluções em qualidade de vida nas metrópoles, energia limpa e renovável e alimentação sustentável.

O programa tem como objetivo captar boas ideias que podem ser transformadas em projetos que receberão financiamento da empresa. 

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Um dos projetos nascidos do Creator Space é a Casa Econômica, uma edificação construída em São Paulo que utiliza soluções acessíveis da Basf e de empresas parceiras. 

A casa é uma proposta de habitação de baixo custo – e uma solução para a demanda por moradia, estimada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção em 23 milhões de unidades até 2022.

A residência possui, por exemplo, o sistema construtivo Elastopir, composto por telhas e painéis de chapa de aço e espuma rígida que garante maior velocidade na construção, redução de mão de obra, menos resíduos e maior durabilidade. 

O sistema também reduz em até 90% a transferência de calor entre os ambientes, sendo 20 vezes mais isolante que tijolos e 80 vezes mais que o concreto. 

A Casa Econômica foi criada em conjunto com empresas que oferecem produtos acessíveis e sustentáveis, como a Isoeste (construtivos térmicos), Daikin (ar-condicionado), Redimax (energia solar), Magazine Luiza (mobiliário) e Consul (eletrodomésticos). 

CASA ECONÔMICA: EXPOSIÇÃO DE PRODUTOS ACESSÍVEIS DA BASF E EMPRESAS PARCEIRAS

ACELERAÇÃO DE STARTUPS 

Uma das últimas empreitadas da Basf em busca da inovação é o AgroStart, programa de aceleração de startups criado em parceria com a ACE, eleita três vezes a melhor aceleradora de startups da América Latina. 

O Agrostart contempla todo o processo necessário para que uma startup possa validar e escalar seu negócio no mercado agrícola num prazo de até dez meses.

O programa é focado em negócios que atuam em agricultura de precisão; automação em cultivos e criação animal; reposição contínua na cadeia agro; gestão de lavoura e rastreabilidade de produtos (da preparação do solo à gôndola do supermercado). 

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Ao se aproximar de startups, a intenção da Basf é desenvolver novos serviços e tecnologias complementares ao portfólio da empresa.

A primeira turma de aceleração recebeu 66 inscrições vindas do Brasil, Chile, Argentina, Peru, Costa Rica e Colômbia. Duas startups foram selecionadas. A segunda turma está com inscrição aberta até janeiro.

As startups selecionadas recebem investimento de até R$ 150 mil, coaching e mentoria de profissionais com experiência em agronegócio, acesso exclusivo a outros investidores e usufruem da estrutura e base de clientes da Basf. 

Ao término do programa, a Basf poderá realizar, por meio de sua subsidiária Basf Venture Capital, investimentos, aquisição ou distribuição dos produtos e serviços.

FOTO: João Athaíde/Divulgação