São Paulo, 23 de Julho de 2017

/ Inovação

De startup à exportadora em seis anos. Receita? R$ 35 milhões
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Apoio técnico e financeiro na fase de pesquisa acelerou as chances da Magnamed de inovar e crescer no segmento de ventiladores pulmonares, com vendas para 50 países

A fábrica própria montada pela Magnamed nos Estados Unidos está em fase final de licenciamento para começar a operar este ano. Em seis anos, a empresa saiu da condição de startup para a de empresa exportadora de equipamento médico para 50 países.

O produto que alavancou o crescimento foi o ventilador pulmonar de emergência OxyMag. Para sair da fase embrionária, a empresa recebeu o apoio da Fapesp durante as fases de desenvolvimento e testes de protótipos. 

O faturamento da companhia cresceu 84% em 2016, chegando a R$ 34 milhões e as previsões para 2017 são de que alcance R$ 50 milhões. O desempenho está ancorado na inovação contínua mantida pela companhia com investimento pesado em pesquisa e desenvolvimento, hoje de forma totalmente autônoma, independente de subsídio público.

MUITO CONHECIMENTO, POUCO RECURSO

De acordo com Wataru Ueda, um dos três engenheiros nipo-brasileiros fundadores da Magnamed, “o apoio da Fapesp ocorreu quando éramos só empreendedores com muito know-how, mas sem os recursos necessários para todo o ciclo de desenvolvimento do produto”. 

Graças ao Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), com recursos aportados nas Fases 1 e 2, “desenvolvemos e testamos vários protótipos e também os principais processos de fabricação industrial do produto”, explica Ueda. Ele foi o responsável pelo projeto que resultou no OxyMag, primeiro ventilador pulmonar da empresa.
 
A Magnamed foi fundada por Ueda, Tatsuo Suzuki e Toru Miyagi Kinjo. Egressos de escolas públicas, os dois primeiros são formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o último pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Juntos, somavam algumas décadas de experiência profissional, mestrados e doutorados no Brasil e no exterior, quando se conheceram em uma empresa que fabricava ventiladores pulmonares.

Percebendo que o produto poderia ser objeto de inovações muito mais radicais do que a empresa se dispunha a apostar, os três decidiram criar seu próprio negócio.

TEMPO PARA PESQUISAR

Assim nasceu a Magnamed, em 2005. No ano seguinte, a startup foi aceita no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) da Universidade de São Paulo (USP). Ali os três aceleraram suas pesquisas e estruturaram todo o sistema de controle de qualidade da empresa, atendendo a todas as regras nacionais e internacionais.

A partir de 2008, a empresa obteve o apoio do Pipe da Fapesp para desenvolver o OxyMag e, em seguida, recebeu aporte de capital do Fundo Criatec, o que lhe permitiu sair do Cietec. Seu primeiro produto foi um aparelho para analisar o desempenho de ventiladores pulmonares, o Ventmeter.

Já o OxyMag é um ventilador pulmonar que garante a respiração de pacientes que estão incapacitados ou com dificuldades de respirar por conta própria. Projetado especificamente para ser usado por equipes de resgate e emergência e no transporte intra-hospitalar, o OxyMag chegou ao mercado em 2011.

VANTAGENS COMPETITIVAS

O produto apresenta diferenciais relevantes em relação aos outros ventiladores, segundo Ueda: é instantaneamente adaptável a qualquer paciente – de recém-nascidos a adultos –, portátil, muito fácil de usar.

O OxyMag possibilita a ventilação pulmonar tanto através de máscara (ventilação não-invasiva) como com o paciente entubado (ventilação invasiva). Flexível, chegou a ser usado para auxiliar a respiração de um bebê prematuro extremo, com 500 gramas, e já foi incorporado à medicina veterinária.

O aparelho possui uma bateria com seis horas de autonomia, que permite que seja operado em condições climáticas e de transporte adversas e agressivas.

Os diferenciais do OxyMag tornaram-no o carro-chefe do crescimento da empresa até 2014. As vendas chegaram a cerca de 1.700 desses ventiladores pulmonares no Brasil, metade deles para a rede pública. 

Aqui, os aparelhos atendem cerca de 1 milhão de pessoas a cada ano em operações de resgate. Outros 1.300 OxyMags foram exportados para Europa, América Latina, África e Oriente Médio.

Em 2010, o OxyMag recebeu certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comunidade Europeia e, no ano seguinte, o produto chegou aos mercados nacional e internacional. Desde então, a Magnamed lançou outros quatro modelos de ventiladores pulmonares e recebeu um novo aporte de investimento do Fundo Vox Capital.

DESAFIOS TECNOLÓGICOS

O primeiro desafio para se chegar ao produto final foi integrar todo o sistema do ventilador num único módulo pneumático eletrônico de baixo volume e peso. 

A inovação eliminou o emaranhado de tubos de interligação, típicos dos ventiladores pulmonares, mas pouco práticos e sujeitos a problemas em situações de emergência. 

Os pesquisadores também criaram um sistema eletrônico digitalizado para o controle do fluxo de ar e outro para a obtenção de concentrações precisas de oxigênio. E, por fim, desenvolveram um sistema inteligente e integrado de alarmes, entre outras inovações.

Com vendas crescentes desde que foi lançado, em 2011, a empresa lançou no mercado outros produtos igualmente inovadores na área de cuidados críticos. É o caso da linha de ventiladores pulmonares para Unidades de Terapia Intensiva (UTI), que acrescenta uma gama maior de parâmetros e mais monitorização do paciente. E também do OxyMag Agile, versão simplificada do produto original.

Para Ueda, a oportunidade de se dedicar intensamente à pesquisa inicial foi a questão crucial para o atual sucesso da empresa. “O OxyMag foi aprimorado desde o primeiro modelo, embora algumas inovações sejam basicamente as mesmas. O apoio da Fapesp impulsionou a nossa evolução tecnológica e ajudou a criar um processo de pesquisa e desenvolvimento que ficou incorporado ao DNA da empresa.”

Imagem: Thinkstock



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