Inovação

Cancelamento de leilões quebra setor de energia renovável


Sem a continuidade da expansão dos parques de energia eólica e solar, não há como as fabricantes dessa área se manterem


  Por Renato Carbonari Ibelli 06 de Junho de 2017 às 19:24

  | Editor rcarbonari@dcomercio.com.br


Os seguidos cancelamentos de leilões têm causado desmonte no setor de energias renováveis, que sofre com a falta de novas encomendas. Grandes fabricantes de equipamentos eólico e solar começaram suas estratégias no país.

Caso da Tecsis, que chegou a ser a segunda maior fabricante mundial de pás eólicas, mas ao final de maio anunciou o encerramento das atividades em Sorocaba, no interior de São Paulo, onde mantinha várias unidades fabris. 

Sem os leilões, que garantem a expansão dos parques de geração de energias renováveis, a principal fonte de receita das fabricantes deixa de existir. Mesmo no caso da Tecsis, que em 2015 chegou a exportar 40% da produção, não há como sobreviver sem o mercado interno.

O cancelamento do leilão de renováveis marcado para dezembro do ano passado foi a gota d’água para as empresas que atual nesse setor. 

À época, executivos da fabricante de painéis solares Canadian Solar chegaram a dizer que cumpririam os contratos pendentes no Brasil e levariam a produção para a Argentina, como lembra Julio Diaz, diretor de Infraestrutura do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). A Canadian Solar nega que isso irá acontecer.

EMPRESÁRIOS E ESPECIALISTAS DO SETOR DE ENERGIA SE ENCONTRARAM NA ACSP

A justificativa do governo para o cancelamento do certame foi o excesso de oferta frente a pouca demanda por energia em meio à crise econômica que se intensificava. Mas essa abordagem, segundo Diaz, não faz sentido para um setor que precisa de políticas públicas que o estimule.

“De fato a demanda é baixa, mas o papel do governo é estruturar o setor para garantir o fornecimento no futuro”, disse Diaz durante reunião do Conselho de infraestrutura da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) realizado nesta terça-feira, 6/06.  

“O problema é que o governo enxergou a questão de outra forma. Ao cortar os leilões, aquela empresa que estava tirando o pescoço pra fora da água foi puxada para baixo outra vez”, disse o diretor do Ciesp.

Segundo ele, além do prejuízo financeiro para empresas - que investem milhões em projetos para participarem dos leilões -, também fica abalada a confiança do empresário no gestor público. Essas empresas poderão relutar em participar de futuros leilões. 

Muitas das fabricantes que hoje estão repensando seus negócios investiram no Brasil de olho no potencial que as energias renováveis encontram por aqui. Dentro da matriz energética do país a energia eólica tem participação de 3,5%. A solar, pouco mais de 1%. 

Porém, sempre se mirou a expansão dessa participação. Em 2015, por exemplo, eram 10 fabricantes de painéis solares e componentes instalados no Brasil. Hoje são aproximadamente 30 empresas nessa área.

Ascanio Merrighi , diretor executivo da Soluções Usiminas, lembra que 900 megawatts de capacidade de geração de energia solar foram liberados estão sendo implantados e mais 1 gigawatt deve ser liberados para instalação até o final do ano, resultado de leilões anteriores. 

A expectativa dele é por novos leilões este ano. “Esperamos que se resolvam as questões políticas para que a retomada do setor de energias renováveis aconteça com maior intensidade”, disse Merrighi no encontro realizado pela ACSP. 

IMAGEM: Thinkstock