Inovação

Bem-vindo ao shopping do futuro


Com mais opções de entretenimento, novos recursos tecnológicos e mais sustentáveis, os shopping estão se reinventando para atrair mais visitantes


  Por Thais Ferreira 25 de Agosto de 2017 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


O shopping do futuro não se parecerá com os desenhos dos Jetsons, com robôs e esteiras rolantes para todos os lados.

Nos próximos cinco anos, iremos realizar nossas compras em espaços muito similares aos atuais.

As mudanças serão imperceptíveis, mas os shoppings serão mais sustentáveis e tecnológicos, de acordo com Marcos Hirai, sócio-diretor da consultoria GS&BGH Retail Real Estate.

Essa visão do futuro será mostrada no próximo dia 29 e 30 de agosto, durante a Expo Retail Real Estate, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Por meio de óculos de realidade virtual, os visitantes poderão dar uma espiada no futuro.

Mas há mudanças que já podem ser vistas a olho nu: os shoppings estão deixando de ser apenas centros comerciais, para se tornar espaços de entretenimento.

“Com o avanço dos e-commerces, os shopping tiveram que se reinventar”, afirma Hirai. “Hoje, por exemplo, já não existem mais lojas de CDs e DVDs, as livrarias estão em número reduzido e as lojas de eletrônicos também estão sentindo os efeitos das compras online.”

Para continuar atraindo consumidores e também os lojistas, os shoppings estão investindo em experiências, como parques e atividades para crianças, salas de teatro e, até mesmo, trampolins para adultos.

O Playcenter, famoso parque diversões que encerrou suas atividades em 2012, será reaberto no terreno do shopping Aricanduva. As obras já começaram e o espaço deve ser inaugurado ainda neste ano.

Hirai acredita que, após a retomada da economia, empresas lá fora irão investir mais intensamente em parques e atrações dentro dos shoppings.

“Os espaços de lazer são uma tendência internacional”, afirma. “Os shoppings na Ásia e no Oriente Médio são verdadeiros templos do entretenimento.”

Para o público adulto, a atração será as praças gastronômicas que irão reunir restaurantes modernos e com preços acessíveis.

Outro ponto importante, que já atrai muitos visitantes, é o cinema. As redes irão investir em salas cada vez mais confortáveis e sistemas de imagem e som mais modernos.

Algumas empresas do setor  estão também diversificando a programação, com a transmissão de eventos esportivos e de espetáculos de música.

FERRAMENTAS DIGITAIS DO SHOPPING DO FUTURO

TECNOLOGIA

Os centros de compras estarão cada vez mais conectados com as redes sociais e muitos terão seus próprios aplicativos. “O envolvimento com as diferentes tribos deve crescer por meio das interações online”, afirma Hirai.

Outra novidade devem ser telas de digitais que serão colocadas nos corredores para anunciar lojas e promoções. Essa publicidade interna irá ajudar os lojistas a chamarem a atenção dos clientes.

A instalação de sensores, que conseguem fazer mapas de calor, também irão auxiliar as vendas. Dessa forma, é possível indicar os pontos do shopping que recebem mais visitantes e quais vitrines são mais atrativas para os consumidores.

Os robôs podem aparecer, mas apenas nos estacionamentos. Com ajuda da inteligência artificial, eles serão os responsáveis por fazer rondas e garantir a segurança dos veículos.

NO FUTURO, OS SHOPPING CENTERS SERÃO MAIS SUSTENTÁVEIS

SUSTENTABILIDADE

Em um futuro não muito distante, toda a iluminação dos shoppings será feita por lâmpadas de led. A substituição das alógenas, que são mais caras e menos econômicas, já começou e, nos próximos anos, elas cairão em desuso.

O uso de energia solar também irá tornar o ambiente mais ecologicamente correto. Outras medidas, como a reutilização da água e das sobras de alimentos, já são praticados por alguns shoppings, mas devem ser adotados amplamente nos próximos anos.

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As técnicas usadas para construir novos shoppings também serão mais econômicas, com menos concreto e mais barras de ferros. Os pisos também devem entrar na onda sustentável, alguns serão feitos de material reaproveitado.   

“Os shoppings do futuro não serão semelhantes a um cenário de ficção científica, mas estarão mais sintonizados com as novas necessidades e preocupações dos consumidores”, afirma Hirai.  

Imagens: Divulgação