São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Inovação

As metrópoles que se reinventam
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Em muitos países, grandes cidades aprenderam desenvolver um ambiente de negócios favorável para que o talento se transformasse em fama e prosperidade

Parece estranho pensar que o Estado, com suas estruturas rígidas e lentas, tenha um papel essencial na consolidação do mercado ancorado na criatividade, que depende do pensamento livre e até caótico. Entretanto, em todas as experiências bem-sucedidas, os governos tiveram uma participação estratégica. Em princípio, aproveitaram o que já tinham de potencial, como as cidades que atraem e concentram pessoas talentosas. Para elas, foi cunhado o termo cidades criativas. “São lugares para trabalhar, morar e se divertir, onde as coisas acontecem e se transformam com incrível dinamismo”, define Ana Carla Fonseca, autora do livro eletrônico Creative City Perspectives, com autores de 13 países. Porém, isso não é suficiente para explicar o sucesso delas – para transformar talento criativo em resultados precisa ter estratégia. É aí que entra o apoio oficial.

Cabe aos governantes proporcionar um ambiente de negócios favorável ao novo modelo, o que inclui um marco legal, políticas públicas, acesso a crédito e capacitação. Veja nesses exemplos como os governos podem dar uma força:

* Berço do conceito, com a Austrália, a Inglaterra criou um órgão específico na estrutura estatal e apostou em setores relacionados à criatividade e inovação para revitalizar a economia nacional. “O plano do governo britânico não era simplesmente valorizar a produção cultural”, esclarece Georgia Nicolau, da Secretaria de Economia Criativa. “O país se preparou para o fim da economia tradicional, unindo criação e produção com ênfase na exploração da propriedade intelectual.” Principal polo do projeto, Londres superou a fase de decadência em que havia mergulhado nos anos 90. A indústria criativa se tornou o segundo setor da economia e um dos maiores empregadores da capital inglesa e fez triplicar o número de turistas com eventos de moda, design, cinema, teatro, música e esporte, como a Olimpíada de 2012.


A economia criativa tornou possível a reinvenção de Londres
Foto: Reprodução

* O caminho já havia sido trilhado anos antes pela Itália. Para superar a estagnação crônica, o governo melhorou o ambiente de negócios para os microempresários e direcionou investimentos e crédito para setores de longa tradição. As empresas italianas colocaram o país em primeiro plano e hoje lucram em áreas como design, moda, música, cinema, teatro e gastronomia.


Feira de Milão: o inconfundível design italiano de móveis colocou a indústria no topo do mercado de luxo
Foto: Reprodução

* O Japão decidiu fortalecer o setor de produção e distribuição de conteúdo, que inclui os videogames, e apoiou a criação de uma associação de produtores de conteúdos digitais.

* Nos Estados Unidos, líder mundial no uso econômico da criatividade, São Francisco está no topo da lista das cidades mais criativas, conhecida pela diversidade, valorização da cultura e busca da inovação. As questões relacionadas à atividade estão representadas em toda a estrutura de administração municipal. Na crise econômica de 2008, a prefeitura poupou dos cortes drásticos os investimentos em artes. E foram os artistas que mantiveram a imagem da cidade e minimizaram os prejuízos da estrutura de turismo e hospitalidade, carro-chefe da economia local.


A valorização da cultura, inovação e diversidade colocou São Francisco no topo da lista das cidades mais criativas do mundo
Foto: Thinkstock

* Na Argentina, Buenos Aires escolheu a área de design como vocação estratégica e hoje é conhecida no mundo como uma das capitais da atividade.


O shopping Buenos Aires Design simboliza a dedicação de Buenos Aires ao desenvolvimento do design
Foto: Reprodução

* Na Espanha, Barcelona fortaleceu sua tradicional vocação para a cultura e arte depois de atrair a Olimpíada de 1992 e usar os fartos investimentos recebidos para melhorar a infraestrutura.


Foto: Thinkstock

 

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1 - Economia criativa: muito além da imaginação 

2 - O efeito dominó da crriatividade 

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