Vendido! Leilão é opção para empresa gerar caixa


Cresce o número de companhias que vendem ativos para captar recursos. Saiba como utilizar o canal para pagar dívidas, trocar veículos e mobiliários, além de queimar estoques


  Por Italo Rufino 27 de Julho de 2017 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


No início deste mês, a Unimed Paulistana, cooperativa de saúde, realizou um leilão para vender diversos bens. Foram mais de 300 itens, entre material de escritório, informática, cadeiras a sofás.

Com o leilão, a Unimed Paulistana arrecadou recursos para pagar dívidas com fornecedores, funcionários e outros credores, principalmente bancos.

Vale lembrar que a empresa está em processo de falência e deve decretada a sua liquidação extrajudicial pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O que muitos empreendedores não sabem é que não é necessário esperar a empresa ficar bamba das pernas para promover leilões. A prática tem diversas utilidades e pode ser uma forma de a empresa gerar caixa com venda de bens ociosos.

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Por exemplo, se a empresa está mudando de sede ou escritório e o novo espaço não comporta os mesmos móveis e equipamentos, é possível vender o mobiliário em leilão.

Hotéis, empresas de serviços e comércio que realizam reformas em ambientes internos também costumam vender bens antigos que não serão mais usados.

Companhias com frotas de veículos podem vender os carros que serão substituídos.

Outro filão do mercado são as incorporadoras, que montam apartamentos decorados para lançamentos imobiliários e depois se desfazem de peças como móveis e eletrodomésticos. 

Varejistas também utilizam plataformas de leilões online para vender sobras de estoque e peças de mostruário.

É o caso da Etna, que atualmente está vendendo quase 150 itens. Há módulos avulsos de sofá por R$ 20,00 e conjunto de portas deslizantes que saem por cerca de R$ 840.

De acordo com Sato Junior, diretor da Sato Leilões, a maior vantagem para a empresa é conseguir vender diferentes itens com data e hora marcada.

“O leilão é liquidez para quem vende e preço mais em conta para quem compra”, afirma Sato.

LEILÃO DA ETNA: VAREJISTA UTILIZA PLATAFORMA PARA QUEIMAR ESTOQUE E PEÇAS DE MOSTRUÁRIO

COMO VENDER

O empresário interessado em vender ativos de sua empresa por leilão precisa preencher um cadastro nos sites dos leiloeiros e informar a relação dos itens.

No caso da Sato Leilões, uma equipe própria vai até a empresa para fotografar os produtos para ações de divulgação e realizar uma análise dos bens, que servirá de base para a precificação.

“O leilão ajusta o valor do produto de acordo com os próprios compradores”, afirma Sato. “Com depreciação de 10% e 20% sobre o valor de mercado, os itens já se tornam atrativos”.

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A taxa de depreciação é relativa. Quanto maior a taxa, maior será a chance de uma venda rápida.

A Transpiratininga, empresa de serviços logísticos de médio porte, já recorreu a leilões para vender empilhadeiras, veículos e peças industriais.

A empresa não costuma oferecer descontos agressivos. Ao contrário. A Transpiratininga estipula os preços e publica os bens nos sites de leiloeiros.

Caso os lances não atinjam o valor esperado, com margem satisfatória, a empresa retira os produtos e os vendem de forma regular.

A prática também é usada para analisar o potencial de venda dos produtos.  

JUNIOR, DA SATO LEILÕES: NÚMERO DE EMPRESAS INTERESSADAS EM LEILÕES TRIPLICOU NA CRISE

Nos casos das empresas que seguem com o leilão até o fim, os produtos costumam ficar expostos nos sites entre 15 e 20 dias.

Paralelamente, os leiloeiros criam ações de divulgação no Google, redes sociais e mídias tradicionais, que podem incluir rádio e jornais. Há empresas que oferecem serviço de armazenagem dos produtos.

Após o fim do leilão, os leiloeiros validam o pagamento para evitar fraudes e repassam o valor para o empresário após cinco dias úteis.

No caso da Sato Leilões, não há taxas – a comissão é responsabilidade do comprador (arrematante).

Geralmente, a entrega dos itens é responsabilidade da empresa que vendeu. Há também a opção de o comprador retirar os produtos na sede da empresa.

CRESCIMENTO DO MERCADO

Atualmente, a Sato Leilões realiza 80 leilões por mês e possui mais de 200 mil compradores cadastrados.

A Sold Leilões, outra empresa de leilões virtuais, mantém uma agenda de 200 leilões por mês. No ano passado, a empresa vendeu mais de R$ 700 mil em ativos.

A previsão para 2017 é alcançar R$ 1 bilhão, crescimento de 42%.

Na visão de Sato Junior, a crise movimentou o setor de leilões brasileiro. Nos últimos três anos, a demanda de empresas interessadas em vender ativos para gerar caixa triplicou.

O aumento da inadimplência também vez com que bancos retomassem mais imóveis e veículos de clientes que não conseguiram honrar os pagamentos. Em agosto, a Caixa, por exemplo, realizará um leilão de cerca de 3 mil imóveis.

Neste caso, os bens costumam ser vendidos em leilões devido à agilidade na captação de recursos – o que demoraria muito mais caso os imóveis fossem vendidos por meios convencionais.

IMAGEM: Thinkstock