São Paulo, 25 de Março de 2017

/ Gestão

"O único partido da Associação Comercial de São Paulo é o Brasil"
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É o que afirma Alencar Burti que, nesta segunda-feira (20/03), tomou posse, ao lado de diretores e conselheiros, para um sexto mandato como presidente da ACSP e da Facesp

Em tempos difíceis como aqueles que o Brasil atravessa, devemos apoiar todos os políticos com propostas construtivas, mas não apoiaremos nenhum um partido em particular, porque nosso partido é o Brasil.
 
Foi o que afirmou, nesta segunda-feira (20/03), o empresário Alencar Burti, ao tomar posse pela sexta vez como presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ele inicia um mandato que vai até março de 2019.
 
A cerimônia, na sede das duas entidades, no centro de São Paulo, contou com a presença de mais de 200 empresários ou associados.

Também foram empossados os demais integrantes da Diretoria-Executiva, do Conselho Superior, da Diretoria Plena e do Conselho Deliberativo, tanto na Facesp quanto na ACSP. O mesmo ocorreu com os diretores-superintendentes das 15 sedes distritais da ACSP e das 18 regiões administrativas da Facesp.

CLIQUE AQUI PARA VER A RELAÇÃO DOS EMPOSSADOS NAS DUAS ENTIDADES
 
Burti passa a exercer, desta vez, seu segundo mandato consecutivo. Antes de assumir em 2015, para o mandato anterior, ele já havia presidido por quatro vezes a ACSP e a Facesp.
 
Em seu breve discurso, Burti disse que um dos graves defeitos dos brasileiros está no fato de ele ser “transferidor”, por atribuir a responsabilidade a terceiros por tudo o que não vai bem.
 
“É a culpa do chefe, é a culpa do político”, exemplificou.
 
No caso da ACSP e da Facesp, afirmou que uma das maneiras de resolver os problemas do país consiste em participar do esforço do associativismo e demonstrar apoio e solidariedade às duas entidades.

Dentro delas,disse ele, hierarquia é secundária e circunstancial. A responsabilidade pertence a todos, “à cabeça e ao coração de todos vocês”.
 
Também discursou Guilherme Afif Domingos, que já foi presidente da ACSP e da Fapesp e integra hoje como conselheiro seu Conselho Superior e é o presidente nacional do Sebrae.
 
Referindo-se a um outro conselheiro, Robert Schoueri – que está para completar 95 anos e participava da mesa dos trabalhos – Afif (à esq. na foto de abertura) disse bem-humorado que ele “é a maior prova de que a Previdência está quebrada”, por se tratar de um idoso plenamente na ativa.
 
Lembrou, aliás, que Schoueri esteve no casamento de seus pais, os de Afif, em 1939, aparecendo nas fotos daquela distante festa.

Referiu-se à contratação, como consultores do Sebrae, de 500 gerentes bancários que já se aposentaram, mas que têm experiência no mercado de crédito.

"A visão estratégica só a experiência de vida nos dá." Revelou que está propondo ao presidente Temer um regime especial para a contratação de já aposentados, segundo um regime trabalhista especial.

Referindo-se ao momento nacional, disse que estamos passando por “um esgotamento de modelos”, e o pior que possamos agora fazer é cair no fatalismo de acreditar que “no Brasil é sempre assim mesmo”.

Lembrou da ata de uma reunião das associações comerciais brasileiras, no distante ano de 1924. Os dirigentes de então, disse Afif, foram o bastante sensatos ao afirmarem que as entidades precisam prestar serviços, relegando as atividades políticas a um plano secundário.
 
Insistindo na necessidade de construir estruturas para que os serviços sejam prestados, ele lembrou a afirmação jocosa de um membro de há muitos anos de uma associação comercial ligada à Facesp.

“Nós somos que nem os porcos. Quando faz frio, a gente se junta. Quando faz calor, cada um vai para o seu lado.”
 
Se isso já foi verdade, ou seja, o associativismo mais forte nos momentos de crise, a afirmação anedótica é uma lição ao contrário de vida.
 
“Precisamos estar vivos e espertos para preenchermos os vácuos”. E exemplificou com o crédito, ao qual 83 dos pequenos empresários não têm acesso. Em razão disso, afirmou, surgem agora como solução as cooperativas de crédito.
 
“Vamos pensar no cooperativismo, e vamos declarar o apoio à busca desses novos horizontes. Temos uma rede – a de entidades ligadas ao comércio – que vale ouro”.

AUDITÓRIO LOTADO NA POSSE DAS DIRETORIAS DA ACSP E FACESP

Também discursaram brevemente, na cerimônia, além de Schoueri, o diretor Carlos Roberto Pinto Monteiro, em hoje da Diretoria Executiva, e Ricardo Anderson Ribeiro, que preside a Região Administrativa 17, da Facesp, e integra a entidade desde 1983.

EXEMPLO A SER SEGUIDO

Em entrevista ao Diário do Comércio, o presidente reeleito Alencar Burti discorre sobre o papel da Associação Comercial de São Paulo e da nova Facesp, e de seus planos para o biênio que se encerra em março de 2019.

"A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é uma instituição que, ao longo de seus 122 anos já passou pelas mais diversas recessões, tais como ocorrem em qualquer país.

É importante notar que a ACSP jamais buscou um centavo do Estado. Sempre buscou, por meio de seu seu trabalho e dedicação pela preservação da atividade econômica, receitas para que pudesse sobreviver.

A associação representa um excelente exemplo a ser seguido pelas instituições públicas para não agravar os orçamentos que estão levando as prefeituras ao desespero, criando dificuldades para o atendimento da população, principalmente nas áreas de saúde e educação."

CRÍTICAS E SOLUÇÕES:

"A ACSP está trabalhando junto aos governos para buscar soluções para a crise. Não basta criticar. Quando fazemos uma crítica, paralelamente entregamos um projeto de solução.

Os governos devem debater com a atividade privada processos de sobrevivência e de eficiência. Nós sempre estivemos e continuaremos a estar ao lado dos governos. Nosso objetivo chama-se Brasil."

DESCENTRALIZAR O PODER

"Tenho dito aos eleitos e escolhidos que a ACSP não tem um presidente. Tem conselhos e diretorias que serão responsáveis pelas soluções.

Você foi eleito para um cargo, mas olhe para trás e veja os encargos que vêm junto. Porque voluntário que não ama o que faz é vaidoso ou idiota ou é alguém que tem algum tipo de interesse.

Queremos tornar a associação um exemplo de compromisso e responsabilidade, que são instransferíveis. Cada um tem a sua parcela.

Os primeiros 60 dias devem ser de conscientização da responsabilidade em uma entidade secular.

Os novos eleitos devem se valer da experiência dos veteranos. Experiência não é transferível, tem de ser apreciada, respeitada e usada a favor. Devemos ajustar a experiência à evolução velocíssima da tecnologia.

Também vamos fazer uma reavaliação de nossos 19 conselhos buscando aprimorá-los para que, de maneira mais rápida e consistente, os associados possam tirar o melhor proveito deles."

ATRAIR JOVENS EMPREENDEDORES

A ACSP deve tirar a roupa de Maria Antonieta e vestir uma minissaia. Tem de se tornar um exemplo de eficiência para que os jovens emprendedores sintam necessidade de participar de uma entidade que busca o melhor para o país. Esse é o nosso grande programa.

Que os empresários competentes entendam que hoje a velocidade da transformação não permite perda de tempo. É preciso que estejamos atentos ao que a tecnologia provoca de mudanças na atividade empresarial.

Hoje há fábricas produzindo carros sem nenhum trabalhador. Isso é uma beleza, mas também um problema.

Teremos de pensar nas atividades que reduzam os preços dos produtos, mas que não gerem desemprego e desconforto aos cidadãos.

Pensar no Brasil de hoje é pensar no futuro porque as transformações que levavam anos hoje duram horas."

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO

Estamos desenvolvendo processos para que nossos meios de informação - o Diário do Comércio e o site institucional - publiquem rotineiramente textos e vídeos a respeito de inovações emergentes para que sejam aplicadas nos negócios e na nossa instituição.

Pedimos ainda que todos os diretores das 422 associações vinculadas à Facesp que se apresentem e contribuam com informações de conhecimento geral.

Por vezes a distância quilométrica impede isso, mas a divulgação por meio de nosso jornal pode representar grande colaboração.

FOTOS: Paulo Pampolin/Hype

 



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