São Paulo, 02 de Dezembro de 2016

/ Gestão

Multinacionais promovem rodízio de expatriados pelo mundo
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Por que a rotação de talentos é vantajosa para empresas e funcionários. Na foto, Giuliano Barolo que trabalha na Índia, após trocar de cargo com a colega indiana Swati Tribedi

Por Tanya Mohn

Em uma quarta-feira recente, Giuliano Barolo trabalhava em um centro de serviços de processamento de negócios da Dow Chemical em Mumbai, enquanto Swati Tribedy dava expediente em uma fábrica da Dow em Mozzanica, na Itália.

Ele fazia o antigo trabalho dela, e ela, o dele. Ela até estava sentada na escrivaninha que havia sido dele.

Desde o começo de abril, Barolo, de 28 anos, e Swati, de 31, estão participando de uma troca de talentos, uma missão no exterior em que empregados de uma empresa com ramificações em diferentes países alternam temporariamente seus postos de trabalho.

A nova economia do compartilhamento inclui coisas como troca de casas e apartamentos, carros e espaços de trabalho conjuntos. Agora, o mesmo tipo de filosofia está surgindo no mundo corporativo, pelo menos para alguns funcionários de vários países.

A troca de talentos, que tipicamente dura menos de um ano, pode envolver menos burocracia e gastos do que as tarefas tradicionais fora do país de origem, às quais as empresas precisam somar os custos da mudança da família e lidar com escolas e acomodações caras.

“É por menos tempo, tem menos riscos e é mais fácil de administrar”, afirma Peter Clarke, líder da prática de Serviços de Mobilidade Global da PricewaterhouseCoopers. As trocas também são efetivas para o desenvolvimento da carreira, para promover mobilidade para outros países mais cedo e para atrair e manter funcionários vistos como tendo alto potencial.

Barolo soube do programa por meio de uma colega de sua cidade que havia acabado de voltar de uma temporada de troca de talentos.

“Ela estava muito entusiasmada, e me interessei na hora”, conta ele.

SWATI, DE MUMBAI, FOI TRABALHAR NA ITALIANA MOZZANICA

Swati Tribedy, que estudou engenharia mecânica na faculdade, mas nunca havia trabalhado em produção, diz: “Eu queria muito experimentar outra função. É diferente do que tinha imaginado”.

Um documento recente da PricewaterhouseCoopers prevê um aumento de 49% em trocas de talentos nos próximos dois anos, com mais de um em cinco negócios globais planejando aproveitar o conceito.

“Normalmente, os dois funcionários trocados têm estrutura de pagamento e nível de experiência semelhantes, então é quase uma situação de toma lá dá cá”, explica Clarke.

Algumas vezes, os funcionários trocam até de casa, o que é conveniente para os trabalhadores e uma economia para a empresa, porque o cônjuge e as crianças normalmente permanecem em casa. E, geralmente, os candidatos se oferecem para a tarefa, diz ele.

Foi o que aconteceu no começo de fevereiro com Karen Jung, gerente da PricewaterhouseCoopers em Tysons Corner, Virgínia, que trocou de trabalho com Marie-Claire Delpin, gerente da empresa em Paris. Como muitos funcionários que fazem a troca, as duas são jovens, com 29 anos, estão em um nível inicial de carreira, não são casadas e não têm filhos.

O fato de a troca ser por pouco tempo foi um atrativo, e Karen conta que fez força para conseguir ser indicada. Tudo aconteceu rapidamente. Eles falaram com Marie-Claire, e ela também gostou do fato de ser por um período curto.

“Você pode aproveitar uma experiência profissional sem ter que mudar tudo em seu país”, explica Marie-Claire.

Os benefícios, segundo as jovens, são tão variados como aprender as diferenças entre a legislação fiscal americana e francesa e acabar com os estereótipos culturais. E a experiência também criou uma conexão mais próxima com clientes e colegas dos Estados Unidos, afirma Marie-Claire.

A PricewaterhouseCoopers explica que muitas empresas estão fazendo trocas de talentos de uma maneira temporária e provisória, mas pretendem formalizar e expandir os programas. Uma pesquisa recente feita pela companhia descobriu que 71 por cento dos funcionários mais jovens querem trabalhar em outros países e consideram essa condição essencial para o crescimento na carreira.

“Agora, as organizações estão dizendo: ‘O que podemos fazer para reter os talentos e dar aos mais jovens a experiência que eles querem?’. É cada vez mais uma parte importante da estratégia de mobilidade e de uma mentalidade global”, afirma Clarke.

Mas nem todas as companhias multinacionais ou seus clientes fazem trocas de talentos ou estão familiarizados com a prática.

“Acontece, mas normalmente de uma maneira pontual”, conta Achim Mossmann, chefe do Serviço de Mobilidade Global da KPMG. “Geralmente a logística é muito problemática – é difícil identificar candidatos semelhantes e tirá-los de seus cargos ao mesmo tempo.”

E existem problemas, cita Dennis J. Garritan, sócio e cogerente da empresa de private equity Palmer Hill Capital: possíveis perdas de produtividade, interrupção do relacionamento com clientes e empresas e movimentação lateral para os funcionários. “Eles aprendem novas habilidades, mas não estão sendo promovidos – nem todo mundo acha isso bom. Mas eles querem ter a experiência internacional o mais cedo possível, e estão certos em fazer isso.”

Desde que o programa de trocas de talentos da Dow começou, há três anos, 126 funcionários de 18 países participaram. Das 76 pessoas nos primeiros dois grupos de trocas, todas retornaram ou vão retornar para novos cargos ou terão promoções nos próximos seis meses, conta John Kolmer, gerente de desenvolvimento de liderança global da Dow.

“Nós trocamos as pessoas entre todas as áreas geográficas e funções”, diz ele, afirmando também que os objetivos incluem ganhar fluência cultural, expandir as redes profissionais e “intencionalmente, tirar as pessoas de suas zonas de conforto”.

Empregados e suas empresas “colhem cedo os benefícios desse impulso que pode ser aproveitado para o resto de suas carreiras”, afirma Kolmer.

Fotos: Chiara Goia/NYT



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