São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Gestão

Graça renuncia, e Conselho escolhe sexta novo presidente da Petrobras
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Comunicado da estatal revela que presidente e outros diretores deixam seus cargos nesta quarta; Henrique Meirelles é o candidato de Lula para a estatal

A Petrobras publicou na manhã desta quinta (4/1) curto comunicado em que anuncia a renúncia da presidente Graça Foster e de cinco outros diretores. Segundo a estatal, o Conselho se reunirá na sexta-feira para escolher os substitutos. As ações ordinárias da companhia (com direito a voto) subiram 1,43% no índice Bovespa, no fechamento do pregao.

O texto do comunicado, bastante lacônico, é o seguinte: "a Petrobras informa que seu Conselho de Administração se reunirá na próxima sexta-feira, dia 06.02.2015, para eleger nova diretoria face à renúncia da presidente e de cinco diretores."

Na terça-feira já era conhecida a informação de que a presidente Dilma Rousseff iria mudar toda a diretoria da estatal. A saída da presidente , Graça Foster, era vista como uma questão de dias. Na semana passada, Dilma demonstrou imensa irritação com a publicação do balanço do terceiro trimestre de 2014 da companhia.

Embora não estivesse auditado, por não registrar detalhadamente os registros com corrupção, o documento indicava que o patrimônio da Petrobras estava desvalorizado em mais de R$ 88 bilhões. Esse cálculo foi considerado incorreto e "amador" pelo Planalto.

Dilma conversou nesta terça-feira, 3, com Graça, durante três horas, no Palácio do Planalto, e comunicou a decisão. O governo procura agora um nome do mercado para substituir a executiva.

Dilma quer repetir a solução "a la Levy", uma alusão ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que era diretor do Bradesco e foi chamado para o governo com a missão de resolver os problemas na economia e acalmar o mercado. Na avaliação da presidente, depois da Operação Lava Jato, que escancarou um esquema de corrupção na Petrobras, a companhia precisa de um nome de peso para limpar sua imagem.

Na lista dos cotados para substituir Graça estão o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, nome sugerido por Lula, embora Dilma não tenha afinidades com ele. Meirelles é considerado pelo PT como "um neoliberal" e, por seu peso no mercado (foi presidente mundial do Bank Boston), é visto como um homem difícil de remover, em caso de conflito com o Executivo.

Além dele, eram também cogitados o ex-presidente da BR Distribuidora Rodolfo Landim, que trabalhou com Eike Batista na OGX. O problema é que o governo está enfrentando dificuldades para encontrar quem queira ocupar a presidência de uma empresa em crise, alvejada por denúncias de corrupção.

REUNIÃO

Graça chegou na terça ao Planalto por volta das 15h. Ela foi chamada a Brasília por Dilma para uma conversa sobre a situação da empresa.

Enquanto ela e Dilma conversavam, a agência de classificação de risco Fitch divulgou o rebaixamento dos ratings de probabilidade de inadimplência do emissor (IDR, na sigla em inglês) de longo prazo em moedas estrangeira e local da Petrobrás de BBB para BBB-. A agência ainda colocou todos os ratings em escala nacional e internacional em observação para possível rebaixamento.

A agência de classificação de risco Moody's informou que o rating da Petrobras pode ser novamente rebaixado se a relação dívida líquida/Ebitda da companhia ficar acima de 5 vezes por um período prolongado.

A afirmação consta de relatório que visa responder perguntas frequentes dos investidores sobre a companhia. Apesar do anúncio, as ações da estatal disparam 15% na Bovespa, na esteira dos rumores, agora confirmados, sobre a troca da presidência da companhia, e da diretoria.

Inicialmente, a ideia era manter Graça no cargo para que continuasse a funcionar como um "colchão", uma barreira para evitar que crise da empresa atingisse o Planalto e diretamente a própria presidente Dilma Rousseff.

(Colaborou Estadão Conteúdo)



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